Algumas considerações iniciais

Tentarei manter uma regularidade nas postagens, mas não combinarei prazos. Por ser uma das válvulas de escapes utilizadas por mim, deixarei que este blog seja alimentado de acordo com a inspiração, e não com o calendário.

Gosto dos comentários. Não são, para mim, apenas um sinal de popularidade, como a maioria dos blogs que vejo. Eles têm um significado maior, que é o de saber como as pessoas que aqui estão pensam sobre os assuntos que comento. Portanto, fique à vontade para escrever. Na medida do possível, responderei a cada um deles.

domingo, 17 de março de 2013

EMBALAGEM




Estando a casca bem, que se deixe de lado o conteúdo. Que se valorize o ter ao invés do ser. Que se vomite a famosa “você sabe com quem está falando?”. Que se classifique as pessoas por suas posses, por sua renda, por seu status social. Que se use o verbo comprar com mais frequência do que um por favor, um muito obrigado. E que se siga vivendo uma vida mesquinha, pobre de substância, superficial.

Há quem consiga viver uma vida inteira somando objetos ao invés de somar sentimentos. Há quem consiga monetizar tudo e todos, enxergando sempre com um cifrão nos olhos. Há que permute uma pessoa boa, porém sem grandes recursos financeiros, por uma amizade de aparência com alguém que muito possua, ainda que essa pessoa mal saiba da existência do fã de cifras alheias.

Como conseguem viver assim? Como podem achar que o mundo gira em torno das posses? O mais contraditório é que as pessoas que vivem assim não são as afortunadas financeiramente, pelo contrário, são pessoas que dependem de outras, pessoas que não conseguiram dar um rumo para a própria vida  e seguem seu caminho dessa forma para satisfazer o próprio ego, para completar um tanque raso de essência.

Atrás de uma falsa solidariedade vem um interesse sem tamanho. Por debaixo da fina cortina de compreensão vem a vontade de ganhar algo. Um convite para uma festa chique, ainda que o lugar reservado seja o mais escondido possível, é mais comemorado do que a evolução intelectual de um ente querido. 

O assunto geralmente é fulano comprou isso, beltrano tem aquilo, fulanita vai para o exterior, sempre nessa linha.  Arrumam desculpa para a estagnação da própria vida, mudam de assunto, não enxergam e não reconhecem a culpa de terem se enfiado ali, naquela vida sem graça, em tons de cinza. Como um telespectador de um Big Brother, fixam-se na vida alheia, como se embaixo do próprio nariz fosse local isento de problemas.

Tenho pena de pessoas assim. São pessoas infelizes. Conseguem alguns minutos de alegria quando estão comprando uma futilidade qualquer, quando estão no meio de um grupo social com grande poder aquisitivo. Mas colocam sempre o objetivo de felicidade no ter, na posse. E se decepcionam, claro. Pena que não conseguem enxergar que a vida teria muito mais sentido se buscassem o entendimento, a compreensão, a empatia, o bem-estar dos outros.


É isso. 

sábado, 16 de março de 2013

AFRODISÍACO




Um belo bumbum chama a atenção. Um par de seios atrai o olhar. Pernocas de fora causam pequenos traumas ortopédicos nos pescoços alheios. Quanto menos roupas, mais “fiu-fius” nas ruas. Lindo, lindo, lindo! Quem não admira mulher assim? Que homem (dos que gostam, lógico) não se encanta com mulheres lindas, vestidas “para matar”?  

Sim, mas e aí? É o que basta para dar tesão? Pode ser. Para uma ou algumas saídas, para um tempo, para uns encontros, claro que é. Mas passa disso? Depende. Caso a gostosura da introdução deste texto se resuma a apenas isso, vai depender muito. Se o camarada tiver os mesmos interesses que ela, der mais valor ao ter do que ao ser, preocupar-se mais com o tamanho do braço do que com as razões de sua existência, aí tudo tende a fluir bem. Mas caso haja um mínimo de senso crítico, aí, caro amigo, o caldo engrossa.

Há aqueles que gostam das gostosonas. Há quem goste de gordinhas, das novinhas, das com cara de nerd, das loiras, das mulatas. Há gosto para tudo, para todos. E há aqueles que gostam de conversar. Não uma conversa de balada, não uma conversa de chavões, de cantadas apenas, de pequenas mentiras que garantirão um fim de noite bem sucedido. Nada mais excitante, mais atraente do que uma boa conversa, uma conversa que causa interesse de ambas as partes, que provoca uma sensação de querer mais e mais, querer estar perto para saber tudo em tão pouco tempo.

Inteligência é, de fato, um afrodisíaco. Não creio que esse tempero da excitação esteja cravado em um diploma. A inteligência que seduz não se aprende nos bancos das universidades.  A inteligência que seduz é a do não conformismo, a do questionamento. É aquela mínima vontade de entender o sentido das coisas, das ações. É aquela que motiva reações, críticas. É ela que intriga, que faz não compreender num primeiro instante, que motiva a investigação, que instiga o aprofundamento. É ela, no final das contas, que traz o gosto de querer mais.

Malhar o corpo é ótimo. Faz bem para a saúde, bem para a autoestima, para a alma. Trabalhar as percepções, o senso de ser e estar, é fundamental. Nosso corpo um dia se amolda, nossa mente extrapola qualquer limite imposto. Busque o além do usual, questione, pense que aquilo posto pode não ser exatamente o que se prega ser. Um passo além do senso comum pode significar uma nova descoberta, mesmo que não seja digna de um Prêmio Nobel, mas que talvez altere o curso de uma importante vida -  a sua!

É isso.  

Obs: recebi, dia desses, de uma amiga, uma frase bem interessante, para os que gostam de escrever. Eis o teor: “escrever é feito caridade, faz bem ao destinatário e sobremaneira a seu autor.”

Boa música para encerrar. "O quereres", com Caetano e Chico. 




terça-feira, 5 de março de 2013

VIOLÊNCIA, SOCIEDADE, POLÍCIA



Em uma cidade qualquer desse país, um adolescente é apreendido pela polícia por tráfico de drogas e levado à delegacia responsável pelo trâmite envolvendo menores infratores. Em sua segunda passagem policial pelo mesmo crime (ou ato infracional análogo ao crime, como queiram), eis que a mãe do pequeno cidadão chega e, com o rosto transtornado de raiva, vai em direção aos policiais, em tom de extrema arrogância, para perguntar o que seu filho havia feito. Os policiais explicam que o pequenino de apenas dezessete aninhos vendeu maconha a diversos usuários, além de esconder outra grande porção da droga em um arbusto. Para surpresa de todos os presentes, a mãe do menino questiona: “ele tá preso só porque vendeu maconha?”. O menor apenas sorri de canto de boca, mas sorri.

Uma famosa atriz, de um canal qualquer, tira diversas fotos em momentos íntimos e as salva em um computador. Eis que essas fotos caem na internet e em horas são acessadas por milhões de pessoas. A atriz, magoada, lógico, vai à polícia e exige providências. A mídia, principalmente a do canal da atriz, cai em cima também. Em alguns dias o autor do furto e divulgação das fotos é preso em casa, mostrando extrema eficiência da força policial local. E que batam palma para a polícia! Esquecem-se, entretanto, que enquanto vários policiais se ocupavam para descobrir o autor do crime em questão, outros milhares de crimes pipocavam pela cidade, crimes graves, inclusive, como roubos, estupros e homicídios. Crimes que ficarão sem autoria, pelo parco efetivo policial, pela pouca efetividade das leis, por prioridades invertidas criadas pela mídia.  

O homem já foi à Lua. O homem mandou robozinho a Marte. O homem consegue perfurar mais de três mil metros mar abaixo para extrair petróleo. Por que então, caro amigo, que esse mesmo homem não consegue bloquear o uso de celular nos presídios? Sim, esse aparelho não era nem para entrar no sistema penitenciário, mas já que entra, por diversas razões, qual o motivo de não haver bloqueio para que eles não funcionem lá dentro? Será que eles sabem que grandes quadrilhas, nascidas e articuladas lá de dentro, comandam a maior parte da criminalidade daqui de fora?

A polícia nunca faz nada, dizem por aí. Certo cidadão bradejava que seu celular havia sido “roubado” e que até hoje não aparecera. Ao longo da conversa, mencionou também que não havia registrado ocorrência na delegacia, pois não possuía a nota fiscal do aparelho, já que comprara de um desconhecido, a preço muito inferior ao de mercado.

O policial foi surpreendido por uma equipe de reportagem dirigindo a viatura sem o cinto de segurança. Matéria longa de TV, mais de 5 minutos, com explicação do comando, com críticas da população, com bronca do âncora do jornal. Uma jornalista de uma grande emissora foi pega no bafômetro. Gostam de precisão? Exatos 33 segundos para comentar o fato que, diga-se de passagem, só foi ao ar por pressão em redes sociais.

Definitivamente, sociedade e polícia não falam o mesmo idioma. E quer saber? São estimulados a cada dia se tornar ainda mais incomunicáveis. Quem ganha com esse afastamento são ELES, os caras que mandam, que não querem ser atingidos, os intocáveis. Que mandem os pobres ao cárcere. Damos uma pequena resposta ao povão, nos livramos temporariamente de problemas e está tudo certo. Que se alterem as leis, criando brechas para nossos caríssimos advogados postergarem as sentenças. E que assim seja eternamente, ou ao menos enquanto durar nossos mandatos. Amém!

É isso. 

domingo, 3 de março de 2013

RAÍZES




Exercício importante é olhar para o passado para observar de onde viemos.  Ver que ter passado por muitas coisas, por muitas dificuldades, não deve ser motivo de vergonha, de tristeza. Pelo contrário, deve ser motivo de orgulho, orgulho em saber que ainda que o caminho tenha sido tortuoso, conseguimos chegar a algum lugar, conseguimos sobreviver com dignidade, sem fazer o mal para os outros, conseguimos alcançar um ponto que muitos duvidavam que chegaríamos um dia.

Lembrar um pouco dessas dificuldades também ajuda em outros dois pontos: faz com que reclamemos menos diante de algum problema e nos dá energia e motivação para lutar com mais afinco, para nem chegarmos perto do que já foi vivido. Ajuda muito em momentos de revolta, naquelas horas em que achamos que a coisa vai muito mal.

Dinheiro nenhum paga o olhar de satisfação daqueles que investiram em você, que abriram mão da própria vida para investir em outra. Ver a emoção, ver o orgulho de citar como exemplo uma pessoa que foi uma aposta de vida, é muito gratificante. Edifica saber que o sentimento é de trabalho cumprido, de que valeu a pena o sacrifício, valeu a pena acreditar.

Dê valor ao seu passado. Dê ainda mais valor às pessoas que batalharam nele para que você chegasse ao ponto que está hoje. Pense que essas pessoas poderiam apenas ter negligenciado sua presença, poderiam ter optado por viverem exclusivamente as próprias vidas. Mas não, abriram mão de muitas coisas para garantir seu desenvolvimento como ser humano, como um cidadão que busca sempre o caminho da dignidade, da honestidade. Elas são a base que sustenta o seu ser. E uma pessoa sem uma base sólida nada mais é que uma construção tendente a ruir a qualquer instante. 

É isso. 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

TURBILHÃO




No turbilhão de sentimentos,
Algo que desponta
Na ansiedade de respostas,
Tudo se desmonta
Em busca de solução,
Em busca de paz,
Em nome do amor,
O querer é demais. 

sábado, 2 de fevereiro de 2013

ESTALOS





As coisas acontecendo e você aí, parado, com tantas possibilidades e ao mesmo tempo nenhuma opção. Um silêncio que interrompe pensamentos, um vazio que não se sabe como preencher. Companhias que não representam o querer, presenças que não afastam a solidão. E o tempo, cruel por essência, castigando ainda mais a alma, produzindo o tal passado, tão perto e ao mesmo tempo tão longe, intocável, imutável, reflexo das opções e da falta delas, reflexo de decisões, das ações e omissões.

Passamos toda uma vida atrás de uma meta que nem ao menos sabemos qual é. Buscamos um ideal de felicidade que supostamente nos faria bem, que nos completaria. Idealizamos uma situação que talvez nunca chegue e, por ela não chegar de fato, passaremos nossa vida inteira frustrados.

O som da voz já não provoca as mesmas emoções. O pingo de água passa logo para uma tempestade. O calor natural já não aquece como em outros tempos. Os destinos estariam se desvencilhando? Há alguma solução, algo que possa ser feito? Ou a solução seria apenas deixar o curso natural da vida seguir, sem procurar intervir, sem fazer força para manter um status quo que já não mais agrada, que não seduz, que não inspira?

E como é engraçada essa vida! Quando tudo parece estar dentro do baú do conformismo, eis que surge uma chama, um indício de mudança, algo que balança, que provoca reflexões. Nem sempre muda de verdade, mas cria um pensamento crítico, um estalo que não permite o continuísmo por si só. De pequenas em pequenas transformações vamos tocando o barco, rumo a um destino que não sabemos qual será, mas que, presume-se, ao menos, que seja confortável, que nos faça bem.

É isso. 

Segue uma música que tem relação com o texto. Frisson, interpretada por Elba Ramalho. 


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

ÚLTIMOS INSTANTES




“Se tiver que amar, ame hoje. Se tiver que sorria, sorria hoje. Pois o importante é viver o hoje. O ontem já foi e o amanhã talvez não venha”.  Não irei pesquisar a autoria dessa frase. Registro apenas que ela estava tatuada nas costas de uma menina de dezoito anos, uma das mais de duzentas vítimas fatais da tragédia em uma boate da cidade de Santa Maria. Uma menina com toda uma vida pela frente, com sonhos, com projetos, com desejos. Tudo isso se foi em apenas alguns instantes, tudo enterrado com muita dor e sofrimento, um ponto final em um livro com muitas páginas em branco. 

É de se pensar, caro amigo, quando nos deparamos com situações assim. O que estamos buscando para nossas vidas? Pelo que exatamente vale abrir mão de prazeres, em prol de um futuro que a gente não sabe se vem, quando vem, como vem?  Ao nos depararmos com um fim de uma vida como esse, temos a certeza da nossa fragilidade e perecidade neste mundo. Independente de crenças, vivemos aqui um breve momento, uma vida que passa em um piscar de olhos, isso quando ela segue seu curso normal, com a morte ao envelhecer. Imagine então um cessar da vida tão repentino como o dessa tragédia?

Abrimos mão de muitas coisas baseados em conceitos morais, em economia que beira a mesquinhez, em preocupação com opiniões alheias. “O medo é o pai da moralidade”, já dizia Nietzsche. Vivemos, em muitos casos, uma vida medíocre por medo, medo de receber críticas, medo do que irão achar, medo de ser estigmatizado negativamente. Passamos anos e anos reprimindo sentimentos, nos abstendo de sermos um pouco mais felizes, tudo isso em nome de uma ordem moral, de um conceito criado por sabe-se lá quem. E aí ela chega, a dona morte, levando tudo o que ficou preso, levando toda a vontade de fazer, levando todos os “nãos” que deveriam ter sido ditos, todos os “sins” que ficaram apenas em nosso pensamento.

Não é uma apologia à anarquia, não é isso. O limite deve ser sempre em não se fazer maldade com as outras pessoas, em não incomodar a ponto de causar irritação, de causar grandes desavenças. Mas agir sempre de acordo com o que o outro quer é se limitar demais, impedir criações, descobertas, experiências. Há um preço que se paga por ser livre e muita gente não está disposta a pagar por ele, já que costuma ser um valor alto. Dar o grito de independência muitas vezes implica em abrir mão de conforto, de segurança, de mimos. Ponderar entre essas duas coisas não costuma resolver. Não se é totalmente livre, não se é totalmente dependente. Viver em cima do muro é lamentável, vive-se uma vida incompleta, inconsistente, ou seja, não se vive.

É isso.

Dedico este pequeno texto aos vitimados desse lamentável acidente. Que todas as famílias recebam o carinho das pessoas que rezam, oram e pensam nelas. 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

MENOS “TWITTAR”, MAIS “TU TÁ AÍ?”




Em tempos de redes sociais, temos mais “amigos” em alguns meses do que os amigos acumulados ao longo da vida. Basta criar uma conta, sair adicionando e ser adicionado, para ter uma grade de amizade imensa, com pessoas já conhecidas e com outras que se conhece por afinidade, por interesse em alguma área em comum. Vive-se, atualmente, uma vida online, com as pessoas perto fisicamente, mas centradas em seus equipamentos ligados à rede, interagindo, sendo altamente sociáveis, informando praticamente tudo o que estão fazendo, mas se esquecendo de que logo ali, a pouquíssimos metros, há um ser real, tangível, do jeito que é e não do jeito que ele gostaria de ser. Não é apenas um perfil criado com cuidado, que exalta apenas as qualidades, um perfil sem defeitos.

Albert Einstein profetizou, certa vez: "Temo o dia em que a tecnologia se sobreponha à nossa humanidade. O mundo só terá uma geração de idiotas”. E não é mesmo que nosso camarada tinha razão? Basta dar uma volta em um shopping ou até mesmo em um bar. Quantas e quantas pessoas estarão ostentando seus celulares, focadas neles. Acho engraçado ver em uma mesa de bar três ou quatro pessoas, todas elas com seus aparelhos em punho, digitando e postando fotos do local, como se estivessem na maior diversão do mundo, ao passo que tiveram que recorrer à tecnologia para aliviar o tédio e até mesmo a falta de assunto, a falta de costume de estar com as pessoas no mundo real.

Não caro amigo, não sou contra estar conectado, ter um perfil em redes sociais. O que acontece é que, como em diversas outras áreas da vida, as pessoas não conseguem ponderar, se jogam integralmente em determinada situação e deixam as outras de lado. Pode atualizar sim seu perfil, postar sua foto com a galera, postar a foto daquele local bonito que você visitou. Mas precisa ficar fazendo isso justamente no momento em que está acontecendo? Precisa tirar foto de tudo o que faz sempre? Que tal trocar a foto da garrafa de cerveja geladíssima por uma introdução a um assunto bacana? Que tal deixar a postagem de onde está de lado e trocá-la por uma boa olhada ao redor, por uma aproximação, pelo início de uma nova amizade real?

Ter muitos amigos nas redes não significa nada se os amigos que você realmente quer por perto estão distantes. Não adianta achar aquele amigo que não se via há 20 anos se quando houver uma oportunidade de falar pessoalmente o papo não fluir, ou pior, se nunca mais, apesar de você “vê-lo” todo dia, vocês se encontrarem no mundo real, offline. Fica uma amizade superficial, com a sensação de estar sabendo tudo o que ele faz e ao mesmo tempo não saber nada. Conhecimento superficial, só das coisas boas – isso definitivamente não é amizade.

Dê valor aos amigos que estão próximos, principalmente aos que te acompanham desde a juventude. Não há nada que pague o tempo que se pode passar junto a eles, relembrando histórias, tirando sarro um do outro, vendo como o tempo passou e a sintonia continua a mesma. Quando estiver próximo, desconecte-se e vá se encontrar com quem pode curtir muito mais sua vida do que uma simples apertada de botão.

É isso. 

sábado, 12 de janeiro de 2013

DOIS OUVIDOS, UMA BOCA




É de bom grado prestar atenção nos chamados ditados populares, aquelas frases que nossos avós e pais costumam soltar diante de uma situação mais crítica ou mesmo como uma forma de estimular uma reflexão. Geralmente estas frases entram e saem da cabeça na mesma velocidade, quase nunca provocam a tal reflexão pretendida. E desconfio que em muitos casos elas também sejam ditas da boca para fora, não se faz uma análise de qual mensagem elas trazem consigo.

Um destes provérbios que escutamos por ai é o famoso “Você tem uma boca e dois ouvidos. Use-os nesta proporção.” Não, caro amigo, não vou tratar aqui de pessoas fofoqueiras ou daquelas que falam sem moderação. Aqui o foco são aquelas pessoas que não conseguem guardar uma informação, que repassam segredos importantes, que não conseguem deixar a língua dentro da boca. Esse tipo de pessoa prejudica relações, pessoas, empresas, trabalhos. E, por incrível que pareça, elas acreditam que estão fazendo o certo e criticam quem age em desconformidade com seus princípios.

É normal que as pessoas gostem de contar as novidades, que sintam prazer em mostrar o quanto a vida está boa. Mas é preciso, necessariamente, que todas, absolutamente todas as informações pessoas sejam transmitidas? Penso que não. Não é preciso falar o cardápio que comeu ontem, não tem que dizer para onde foi e com quem foi a todo o momento, uma briguinha sem propósito também não deveria sair daquele ambiente. Esse relatório não é exigido, as pessoas passam porque querem passar, mas não enxergam o quanto isso atinge outras pessoas que estiveram envolvidas na história, pessoas que tiveram seus nomes divulgas sem a devida autorização

Saber o que falar, quando falar, para quem falar, é extremamente importante. Em muitos casos uma simples informação, um simples relato, vai virar uma fofoca, vai se deturpar, vai trazer prejuízos, gerar inimizades. Há coisas que devem ficar onde aconteceram, apenas com as pessoas que vivenciaram aquilo. Papinho atravessado é chato, ruim, na maioria dos casos cria situações muito maiores do que elas realmente são, por isso é melhor evita-lo. Gosto de uma citação utilizada por uma amiga, da autoria de Dick Corrigan (perdoem-me caso não seja a autoria real!): “Pessoas brilhantes falam sobre ideias. Pessoas medíocres falam sobre coisas. Pessoas pequenas falam sobre outras pessoas”.

É isso.


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

ESCRAVO E SENHOR DAS PALAVRAS





"O homem é dono do que cala e escravo do que fala. Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo." Deparei-me com essa espetacular citação de Freud, postada por um colega em uma rede social e me surpreendi com tanto conteúdo em tão poucas palavras. Como é nobre esse poder de sintetizar toda uma situação em duas linhas! Como é genial provocar uma reflexão em nosso comportamento falando tão pouco!

Bem, voltando ao assunto da citação, muitas vezes nos vemos em meio a um mundo de fofocas, de jogos de intrigas, de invejas. E lá está aquele tipo de pessoa má, que não perde uma oportunidade para cutucar, para denegrir, para fazer um pré-julgamento, para incitar todos contra um alvo que não tem a mínima chance de defesa. E muitos de nós embarcamos nesse jogo, nos tornamos “inimigos” de alguém que sequer conhecemos. De uma hora para outra passamos a não gostar de uma pessoa, como se ela tivesse feito coisas terríveis. 

Há um caminho para evitar que isso aconteça? Sim, há. Não só um caminho, mas algumas alternativas. A mais simples, e talvez a que ofereça uma solução paliativa apenas, é tirar de seu convívio a pessoa que age dessa forma. Resolve por um lado, já que evita o contato com gente assim, mas não é uma solução, digamos, altruísta. O outro caminho possível é manter essa é pessoa por perto, ignorando esse tipo de conversa e desmotivando atitudes assim. Mostrar que esse tipo de comportamento em nada engrandece, em nada acrescenta, pelo contrário, só gera inimizades, só traz consequências danosas.

Falar dos outros, procurar sempre a culpa do lado de lá, deixar de olhar para si, nada mais é do que uma espécie de defesa, defesa de pessoas fracas, de pessoas infelizes, pessoas com questões mal resolvidas. É justo deixar essas pessoas se afundarem ainda mais? Há quem não ligue, há quem ache que o melhor caminho é se afastar. Não concordo. Acredito ser possível mudar comportamentos com exemplos, com ações, com palavras. Não custa tentar. É bom acreditar na mudança de alguém, acreditar que podemos tirar uma pessoa de uma situação ruim, mostrar a ela que há um caminho diferente do rancor, do ódio indiscriminado.

Quer seja Pedro, quer seja Paulo. Fazer o bem sem olhar a quem, como já dizem as vovós por aí. Releve algumas coisas, vale até mesmo engolir um sapo aqui, outro ali, evitando conflitos que não levam a lugar algum. Durma tranquilo sabendo que não alimenta ódio por ninguém, que tentou fazer seu melhor sem interesses em obter vantagens. A vantagem maior é ter sua consciência limpa sempre.

É isso. 




domingo, 25 de novembro de 2012

AS LOUCURAS DE CADA UM: PARADOXOS




Caminhamos para um mundo cruel, egoísta e sem valores. Vivemos um paradoxo de se lutar pela liberdade e essa mesma liberdade ser cada vez mais cerceada. Brigam-se pelos direitos humanos, pelo direito de ir e vir, mas vivemos enclausurados em casas com grades cada vez maiores.  Trabalhamos para ganhar mais e mais dinheiro e investimos esse mesmo dinheiro em equipamentos de segurança, em muros altos, cercas elétricas.  Queremos ser livres, mas vivemos presos.

Pregamos liberdade de expressão, mas nos vemos em meio a processos e punições por simples comentários de indignação. Criou-se a falta expectativa de que se pode falar de tudo, mas nos monitoram, pedem quebra de sigilo para comentários feitos pela internet. As empresas ficam de olhos em que seus funcionários falam, as instituições preferem punir por um comentário ao invés de punir uma atitude verdadeiramente criminosa de um membro.
 
Evoluímos na tecnologia, podendo fazer de casa coisas que antes demandavam nosso deslocamento. Encarávamos as imensas filas dos bancos e lotéricas para pagamento de contas. Hoje em dia fazendo tudo de casa, sentados, pela internet. Ganhamos muito tempo com isso, mas ainda assim nosso tempo é cada vez mais curto, reclamamos da falta dele para curtir nossa família, nossos amigos. Vamos às academias (com pressa!) para melhorar a saúde, mas optamos por comer em um fast food para não perder o bendito tempo.

Lemos cada vez mais sobre educação infantil, teses de psicólogos, pedagogos, mas transferimos a responsabilidade da criação para as escolas. Matriculamos nossas crianças em tudo quanto é curso, querendo dar uma educação sólida, formação de qualidade, mas nos esquecemos de formar o cidadão dentro de casa, pois isso não se aprende na rua. Ensinamos a falar várias línguas, mas negligenciamos o aprendizados de poucas palavras em português, como um por favor, obrigado, desculpa.

Compramos sacolas ecologicamente corretas, mas as entupimos de embalagens de iogurte, de sacos plásticos com alimentos e jogamos tudo isso no lixo com outra sacola biodegradável. Fazemos protestos (a maioria pela internet, diga-se de passagem) para parar a obra da usina hidroelétrica, queremos salvar a floresta amazônica, mas passamos direto por um cãozinho faminto na rua, vemos uma pessoa maltratar um cavalo e ficamos omissos.

Paradoxos que vão passando sem a gente perceber. E assim seguiremos, buscando algo para culpar, buscando nos eximir o máximo possível do confronto, da contestação. E assim o mundo segue, cada vez maior para todos e cada vez menor para cada um.

É isso. 

sábado, 10 de novembro de 2012

ESCORAS




O tempo passa, as coisas precisam mudar, mas o comportamento é sempre o mesmo. Escorar em algo, escorar em alguém. Por que fazer se há alguém do outro lado se matando para ajudar? Por que se esforçar se o suor alheio já é suficiente para manter a situação? É muito mais cômodo achar que tudo está bem, que não precisa mudar nada, fingir um status e seguir o caminho sem enfrentar os verdadeiros problemas.

Diferente do que se prega por aí, a maturidade não vem automaticamente com o passar dos anos, com a idade. Nem todo idoso é sábio, nem todo idoso sabe realmente como é a vida. Em muitos casos a pessoa não passa por experiências, não busca seu caminho, mas sim vive amparada por outras pessoas. E o acúmulo do tempo não traz nada que engradeça, a pessoa vai vivendo uma vida medíocre, se conformando com acúmulo de coisas ao invés do acúmulo de sentimentos e sensações. 

E por mais que se tente mostrar outro ponto de vista, percebe-se que algumas pessoas até fingem internalizar a mensagem, mas no fim acabam fazendo as mesmas coisas, buscando as mesmas soluções paliativas, trazendo a futilidade como carro chefe da condução da vida. E essas pessoas são felizes assim? Por incrível que pareça, acredito que sim. Felicidade que caminha junto à ignorância, tanto por não conhecer muito além daquela pequena bolha em que vive, quanto por desconhecer o quanto as outras pessoas sofrem para manter aquele mínimo de conforto para ela.

A ponta altruísta não deve ter, necessariamente, do outro lado, a ponta escoradora. Lá no Direito, fala-se que a pena não passará da pessoa do condenado, utiliza-se o princípio da individualização da pena. Oras, se no Direito é assim, por que na vida também não deve ser? Por que uma pessoa que não se esforça, que não quer mudar sua vida por mérito próprio, precisa ser carregada por outra a todo tempo? Por que uma pessoa tem que anular sua vida para ajudar outra, apesar de ter passado por situações ruins para poder alcançar seus objetivos? Por que é tão difícil criar essa consciência de que se você não fizer, alguém vai ter que fazer por você?

Pense bem antes de se escorar em alguém. Pense no quanto pode estar tirando daquela pessoa que tanto fez e tanto faz por você. Pense no valor de um dia, de um sábado, no valor que você tirou por uma atitude mesquinha, egoísta, egocêntrica. Um dia perdido não se recupera. Da mesma forma que não se recupera a vontade de querer fazer mais. Esse sentimento vai se calejando, até o ponto de ser deixado de lado, momento em que se busca o caminho natural das coisas, ou seja, cada um correndo atrás de suas próprias coisas apenas.

É isso.



domingo, 21 de outubro de 2012

MUDANÇAS




Hoje gosto de azul. Ontem era vermelho e amanhã poderá ser verde. Qual o sentido de se manter estanque uma opinião a todo tempo, a todo custo? Hoje penso melhor ser assim, amanhã pode ser que me arrependa amargamente, mas não tanto quanto se não tivesse experimentado aquela situação, aquela oportunidade.

Quanto mais conhecemos as coisas, mais sofremos com as escolhas. Quem pouco pode escolher não amarga essa indecisão, acostuma-se com aquilo, vai tocando a vida do jeito que dá, não para para (é, essa mudança ortográfica de vez em quando cria essa coisa feia!) pensar nas oportunidades que está perdendo, nas coisas que nunca vai vivenciar, no tempo que está sendo perdido.

As pessoas muitas vezes se chocam com as opções que a gente toma, critica, quer mostrar argumentos que não conhece. Como alguém pode aconselhar algo se não está vivendo exatamente aquela situação? É complicado, a gente pode ter ideia do que se passa, mas nunca saberemos ao certo o que a pessoa está sentindo, o que estão fazendo com ela, por que ela não está feliz em um lugar que, aparentemente, todos estariam felizes.

Quer mudar? Mude e pronto! Independente do que falarão, das críticas, dos comentários maliciosos, mude e ponto final. Assuma esse ônus, que sempre tem, e os outros também, mas mude! Prepare-se, estude, trabalhe, se esforce, para que a mudança acontece plenamente e você não tenha que depender de ninguém para efetivá-la, ou mesmo ter que implorar apoio para voltar atrás. Caso não dê certo, arrume outra opção e corra atrás dela com afinco. Não fique com a dolorosa sensação de que poderia ter sido diferente, de que poderia ter sido feliz de outra forma. 

É isso. 

sábado, 15 de setembro de 2012

DESCONTO




Ele vem, sempre vem. Basta uma coisa ruim acontecer e bum! - ele aparece. O desconto. Ele vem sem fazer alarde, chega de mansinho, ocupa boa parcela da vida. Ocupa e corrói, porque não preenche o vazio, não melhora, não resolve. Mesmo assim constantemente recorremos a ele, buscamos as soluções, enxergamos nele a saída.

O desconto é quando estamos mal e vamos atrás de solucionar nossos problemas com medidas paliativas, que resolvem ali, naquela hora, mas depois nos colocam em um buraco ainda mais fundo. Geralmente aparece na forma das bebidas alcoólicas, das drogas, das noitadas sem futuro, das amizades superficiais.

Pior de tudo é que sempre falamos que não vamos entrar por esse caminho novamente, que dessa vez será diferente, mas acaba indo, funciona como uma droga. Você sabe que faz mal, você não quer, se lembra dos efeitos, mas em algum momento estará lá, fazendo novamente tudo aquilo que condenou e jamais desejou para si.

A ressaca moral sempre aparece. Enxergar-se naqueles momentos, tomando aquelas atitudes, agindo como agiu, é muito difícil, dói, envergonha. É inimaginável pensar em viver uma vida assim, toda uma vida passando por esses altos e baixos, passando pela vergonha de si mesmo, vergonha que talvez nem atinja outras pessoas, mas que atinge como se tudo fosse divulgado para todo o mundo.

A vida é sua. Você pode dar a ela a destinação que desejar. Pode ser uma boa destinação, mas apenas em seu ponto de vista. Porque ela vai te preencher por algum momento, mas não vai te transbordar de alegria, de sentido de vida. Pense, repense. Todas as tentações estão aí. E não falo de tentações sob a ótica de uma religião, seja ela qual for. As tentações que menciono são justamente atitudes que em nada te acrescentam, que parecem te fazer feliz, mas que te deixam sempre menor quando você se olha no espelho e se questiona sobre tudo isso.

É isso. 

terça-feira, 1 de maio de 2012

PALAVRÕES




Dia desses estava navegando por uma rede social, quando vi um usuário falando aquela palavra de duas letras, que muita gente ainda coloca acento e que remete a um órgão do nosso corpo. Enfim, não vou reproduzi-la, muita gente ainda se choca com as tais palavras de baixo calão, os xingamentos. Muitas vezes perde-se o foco de boas discussões por causa do uso dessas palavras, o que é, no mínimo, uma falta de bom senso, visto que são apenas palavras, apenas a expressão de uma raiva que não se pode conter e que nunca deveriam desviar a ideia central de um embate apenas por serem de uso mais restrito, se é que podemos chamar assim.

Não acho que essas palavras devam ser banidas dos debates, nem mesmo das conversas do dia a dia. Não deveria ser chocante falar o que vem à mente. A hipocrisia às vezes cansa, ser sempre politicamente correto enjoa. Que mal soltar um palavrão pode causar? Nenhum. Por que ele pode ser dito em um momento íntimo e não pode ser falado em uma conversa de bar? Não há motivos. Ou melhor, há e já disse qual: hipocrisia. Apenas isso. Essa palavrinha que não sai do comportamento de muita gente, principalmente daquelas pessoas que gostam sempre de criticar, mas que são incapazes de olhar para o próprio umbigo para analisarem seus defeitos.

Há outras palavras que deveriam incomodar muito mais, mas que passam despercebidas da maioria das pessoas. Palavras que deveriam ser alvo de indignação, de questionamentos, de banimento não do dicionário, mas do cotidiano. Quais palavras? Bom, a lista pode ficar grande, mas algumas são: foro privilegiado, impunidade, renúncia, pizza (nas CPI`s), corrupção, carga tributária, analfabetismo, fome, insegurança, desvio de recursos, “me ajuda, me ajuda” (bordão de um vereador eleito em uma cidade com mais de 600 mil habitantes), etc. Bom, já deu pra perceber que a lista é infindável, certo? Sim, pode até ser. Mas e se a gente fosse derrubando palavra por palavra, quantas coisas não ficariam melhores, não é?

Fato é, caro amigo, que acontece que em muitos casos o foco é mudado, propositalmente ou não, para conveniência de determinada pessoa. Uma bolinha de papel atirada na cabeça de alguém vira notícia no cenário nacional em plena campanha presidencial, deixando de lado questões relevantes sobre programas de governo. Uma palavra mal dita vira alvo de interpretações diversas, com foco na mais negativa possível, visando sempre prejudicar quem disse, ainda que não tenha dito com aquela intenção.

Enquanto o foco fica nas palavras, sobretudo naquelas mais ásperas, mais “vulgares”, a água do cachoeira corre solta, o mensalão fica esquecido, o pobre morre na fila do hospital e o menino não aprende nada com a escola caindo aos pedaços. Palavras, palavras... o palavrão tendo mais relevância do que uma palavrinha, conhecida como atitude!

É isso.

sábado, 21 de abril de 2012

PREENCHENDO O VAZIO COM O VAZIO



É comum a gente se pegar pensando nos rumos que nossas vidas tomaram, quais as causas de estarmos vivendo isso ou aquilo.  E é comum, também, querermos acelerar processos pelos quais não temos o absoluto controle, querendo preencher lacunas com soluções paliativas, com fórmulas que já testamos e sentimos na pele que não deram certo.

Preencher o vazio com soluções vazias traz um conforto momentâneo, afasta questionamentos de quem está por perto, gera certa segurança por alguns instantes. Gera, ainda, a sensação de poder, eleva a autoestima a ponto de sairmos da incômoda posição de telhado de vidro para assumirmos a posição de pedra. Mas é preciso muito cuidado com essas atitudes, é preciso cautela, pois a escolha de agora parece boa, mas pode se revelar ser apenas mais do mesmo, mais uma escolha como as outras, erradas, que maquiada pelo calor da emoção, parece ser a mais acertada.

Passamos anos e anos vivendo exatamente da mesma forma, apesar de acharmos que estamos mudando. Prova disso é a nossa rotina que não muda, nosso círculo de amizade que se assemelha, nossos relacionamentos que sempre acontecem com pessoas parecidas. E ainda assim algumas pessoas sobem em um pedestal, com um orgulho que nunca leva a lugar nenhum, para apontar o erro dos outros, achando-se intocável, julgando situações sem possuir um mínimo de embasamento da realidade dos julgados.

Sempre é de bom tom analisar a situação em que estamos, o barco no qual nos metemos. Queremos sempre achar a culpa pelo nosso fracasso na conduta alheia, as relações não deram certo porque somente o outro errou. E não é bem assim. Quantas e quantas vezes não somos nós mesmos os responsáveis por atrair aquele tipo de gente ou, em direção oposta, afastar, ainda que involuntariamente, aquele que seria a companhia ideal? De quando em quando é bom se olhar no espelho, não para a casca, mas para o interior, buscar a sua verdade, buscar sua essência e tomar as rédeas deste pequeno trajeto que você fará, trajeto que as pessoas costumam chamar de vida.

É isso. 

sábado, 11 de fevereiro de 2012

GRAVITACIONAL



Em algum momento, caro amigo, já analisou quais pessoas fizeram parte da sua vida ou que ainda fazem? Consegue encaixar esse grupo de pessoas, ou pelo menos grande parte dele, em um perfil bem definido? É bem provável que sim, ou seja, que as pessoas que passam ou que ficam em sua vida possuem traços de personalidades bem semelhantes. Sim, você vai espernear agora, falando que fulano é de um jeito e beltrano é completamente diferente, e que ambos fazem parte do seu círculo social. Mas pense bem, analise friamente. Será mesmo que são tão diferentes assim? Será que, lá no fundo, você não consegue traçar a mesma linha para os dois?

Vejo pessoas, principalmente mulheres, reclamando que só atraem caras ruins, pessoas problemáticas, ao passo que outros conhecidos não passam por este tipo de situação. E aí, será que há alguma explicação? Será que podemos atribuir somente à sorte ou ao azar? Acredito que não. Penso que atraímos e, principalmente, conquistamos, aquilo que somos. Nem mais, nem menos. Ficam em nossas vidas aquelas pessoas que mais se parecem conosco.

Desta forma, é complicado atribuir sempre ao outro a culpa pelos fracassos dos relacionamentos. Não dá para sempre achar que os outros estão sempre errados, se no fundo, somos iguais, pensamos de forma semelhante, faríamos o mesmo se pudéssemos trocar de lugar.

Ficamos ali, indagando os motivos de tanto sofrimento, de tanta decepção. Mas não nos questionamos qual a energia que emitimos, quais tipos de sinais passamos ao conhecermos alguém. Com atitudes, vocabulários, gestos, entre outros sinais, passamos a mensagem sobre nós mesmos, mostramos quem somos e, caso haja alguma semelhança, a outra pessoa permanece, quer seja para desvendar essas mensagens, quer seja para compartilhá-las. E aí, caro amigo, não reclame tanto se esta pessoa não agradar. Ela reflete um tanto de você!

Atente-se para o que emite. Atente-se para quem está ao seu redor. É exatamente esse grupo que quer para si? Caso não, repense a forma de agir, de iniciar uma relação, de se portar diante de pessoas que ainda não conhece. Aí pode estar a chave de se conquistar pessoas melhores, pessoas com boas energias, enfim, pessoas que vão nos fazer bem, assim como, com nossa mudança, também faremos bem a elas e às outras que aparecerão.

É isso. 

domingo, 29 de janeiro de 2012

TIRO NA CONSCIÊNCIA



Quantas e quantas vezes, caro amigo, você se viu obrigado a fazer uma coisa que não gosta? E quantas vezes teve que fazer algo que fere seus princípios? Pode ser que, por sorte sua, tais situações não ocorram com tanta frequencia. Mas de uma coisa tenha certeza: é terrível ter que agir contra sua vontade e, principalmente, contra seu coração.

O tempo não consegue apagar aquele momento, aquele instante, aqueles poucos segundos que não voltam mais. Sua atitude ficará marcada para sempre. E você vai tentar achar justificativas que não cicatrizarão as feridas. Alguns falarão que não havia alternativa. Outros dirão que foi necessário para preservar um bem maior. Ainda assim, tentando internalizar todas as mensagens, ainda vai doer. Bem lá no fundo, vai doer e muito.

O olhar cabisbaixo te denuncia. Alguma coisa não vai bem. Alguns perceberão, outros não. Não importa. Não importa o quanto tentam te convencer que as coisas vão melhorar, que tudo será esquecido. Não será. Por quanto tempo tudo isso irá remoer por dentro? O que será preciso fazer para minimizar uma atitude que tanto feriu?

Ponderando a ação e o resultado, ainda sim se percebe que não foi válido. Sim, poderia ter sido pior, outras coisas até mais importantes poderiam ter sido atingidas. Mas não foram, não neste momento. Ter que decidir com base no “talvez” é ainda mais cruel. Nunca haverá resposta para qualquer questionamento. Tudo se foi, mas seu coração ainda está aqui. Não deixe que ele seja atingido, não deixe que ele esfrie, que se torne uma pedra de gelo. Mantenha-se sensível, sempre, sempre.

É (mais ou menos) isso.  

sábado, 14 de janeiro de 2012

RETROVISOR



Olho para trás e vejo coisas boas. Simultaneamente, vejo as ruins da mesma forma. Vejo o que engrandeceu, vejo o que diminuiu. O que fez feliz, o que deixou triste. Não vejo, ou melhor, não enxergo muitas coisas. Coisas que não quero enxergar, coisas que minha memória fez questão de deixar em um canto muito bem guardado. Por alguma razão o mesmo mecanismo é usado também para momentos agradáveis, que ficaram esquecidos juntamente com as pessoas que estiveram presentes nestes momentos comigo. Talvez não se consiga distanciar o bom momento daquela pessoa em questão, por isso a supressão do conjunto na lembrança.

Temos e somos, em nossa essência, o conjunto de pequenos fatos. A construção é finita apenas com a morte, e se faz até o último minuto de consciência. Relevar passagens é negar a própria existência, o próprio ser. Estar ciente de que tudo o que aconteceu fez você ser exatamente o que é hoje é importante, é fundamental para que entendamos o que se passa em nossas vidas, por quais motivos determinadas coisas acontecem, qual o sentido de estarmos próximos a certos tipos de pessoas.

Assim como em veículos, dirija sua vida olhando para frente, mas, vez em quando, consulte o retrovisor. Busque suas passagens, seus momentos, suas opiniões, procure se entender. Não viva em função de seu passado, mas não o ignore por completo. Muitas respostas para seus questionamentos podem estar lá, escondidas, naquele dia aparentemente normal, em que uma atitude, ou a falta dela, mudou todo um contexto em suas relações, em seu comportamento.

É isso. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

MURRO EM PONTA DE FACA



Ditadinho antigo, do tempo da vovó, que sempre vem com um significado contemporâneo, com encaixe perfeito em diversas situações cotidianas. Dar murro em ponta de faca é, em simples palavras, persistir naquilo em que se sabe ser errado o resultado. É a teimosia em sua forma mais terrível, ou seja, não abrir mão de um ponto de vista ou de uma ação em prol de um conceito ou atitude que se sabe equivocado, sem possibilidade de sucesso, em prol de um orgulho imbecil.

E quantas vezes, caro amigo, não nos vemos em situações assim, apostando em relacionamentos, empregos, atitudes, opiniões, que são considerados errados por nós mesmos e que ainda assim são alvos de veemente defesa? Qual será o motivo de tamanha insistência? Qual será o resultado que se pretende agindo assim, contra tudo e contra todos, não sendo necessário nenhum dom de vidência para saber como será o desdobramento final?

Não faço apologia ao comodismo, não mesmo! As pessoas devem sim exercitar uma boa dosagem de insistência, persistência, até mesmo uma teimosia moderada. Mas isso não pode significar falta de percepção das consequências. Muitas coisas são previsíveis, pode-se antever qual será o resultado. E por que persistir nisso? Alimentar o orgulho, provocar reações em outras pessoas (ou ao menos tentar) ou vingar-se não devem ser razões para agir contra a consciência.

Em diversos casos é preciso admitir o erro, admitir a derrota, usá-los como fonte de crescimento, de entendimento, de evolução. Não é válido canalizar os sentimentos ruins como força para atacar o que fez mal. Nosso tempo por aqui é curto para insistir no que já fez mal um dia. O novo deve ser experimentado, pessoas diferentes, situações distintas, tudo isso como forma de revigorar, de se livrar de situações maléficas.

Talvez seja inerente ao ser humano passar por crises de Homer Simpson, tomando choque atrás de choque e insistindo em colocar o dedo na tomada, sem propósito algum. Mas essas crises devem ser minimizadas, devem ser analisadas com um pouquinho de razão para que não se tornem repetitivas. Por que sofrer de novo? Por que não ter de novo? Por que não ser de novo? Vale mesmo pagar o preço que o orgulho vai cobrar no futuro ou é melhor deixar de lado e partir pra outra? Fica o questionamento para os amigos que tiveram paciência de ler até aqui.

É isso. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

CAMINHANDO PARA A MORTE



Lá está você, caminhando, soberano, senhor de suas razões, pensando apenas no próprio umbigo, quando, de repente, bum! Tudo vai pelos ares. Não tem mais carro, não tem mais imóvel, não tem mais dinheiro, não tem mais contas. E também não tem mais o eu te amo. E nem o amo você. O me perdoe ficou pelo caminho junto com tudo isso. Aquele abraço gostoso, aquela companhia, o beijo da mãe, a atenção do pai, a bronca nos filhos, tudo fica pelo caminho.

Episódios como o que aconteceu no Rio de Janeiro, com um restaurante explodindo e matando pessoas, faz pensar neste tipo de coisa. Como somos frágeis! Que raça é essa que se considera superior, mas que se corta com um pedaço de papel? Que raça é essa que passa a vida buscando dinheiro, poder, status, mas que paga pela atenção e pelo cuidado quando fica velha?

Quais as coisas você faria se tivesse oportunidade agora? Esse tipo de pergunta geralmente é respondida com questões materiais, com aquisições que não temos oportunidade no momento. Quase ninguém responde que queria estar ao lado de quem ama, de fazer as pazes com aquela pessoa que deixamos pelo caminho por orgulho de não pedir desculpas.

Sua conta pode ser paga amanhã. Você não morrerá se seu carro não for aquele modelo caro e chamativo. Sua TV de última geração não sabe quem é você. Mas seu amigo está lá, seus pais também, a pessoa que você ama, todos estão lá, mas estão até agora. Podem não estar mais em minutos. Ou você mesmo pode não estar. Aí o carro ficou na garagem, a TV linda na sala, e os sentimentos ficarão no ar, intangíveis. Vai sobrar a saudade, o arrependimento por não ter dito, por não ter sentido, por não demonstrar. E isso, caro amigo, não tem dinheiro que pague.

Não espere, como se espera a fatura de um cartão de crédito, para ser feliz e fazer feliz. Não coloque como prioridade de sua vida a aquisição, o acúmulo, os bens. Não espere sua felicidade como se espera por um salário. A passagem por esta vida é tão curtinha, temos tão pouco tempo! Acumule boas lembranças, guarde sentimentos (e compartilhe também, claro!), traga as pessoas de bem para perto de você. Viva, experimente, busque sua essência, entenda os sentimentos alheios. A qualquer momento tudo isso pode não mais ser possível.

É isso.  

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

AS LOUCURAS DE CADA UM: INDIGNAÇÃO



Não quero enlouquecer. O mundo passa por períodos difíceis, coisas inimagináveis acontecem, pessoas nos decepcionam a cada dia mais. E não foi sempre assim? Qual terá sido a sensação de quem viveu no passado e se viu em meio a guerras, doenças mortais, ascensão de figuras ditatoriais ao poder? Será que essas pessoas também pensavam que ali seria o fim do mundo? Que a modernidade não trouxe tantos benefícios assim para eles? Bem provável que a frase “antigamente era melhor” também era dita com certa frequencia.

Não posso concordar. Nada me obriga a aceitar que a corrupção é inerente aos brasileiros. Não acredito na conversa dessa turma que comanda há tempos e que não consegue provocar grandes mudanças sociais. Não entendo como a impunidade é a capa protetora da classe política deste país.  É inadmissível ver que a aplicação do Direito não é feita de forma igualitária.

Não vou deixar de fazer minha parte. Não vou me orgulhar de ser honesto, isso não é virtude, é obrigação. Não vou adotar o jeitinho brasileiro para me dar bem. Mas também não vou me calar quando vir que outras pessoas alcançam êxitos desta maneira. Quero falar o que penso e também quero que as providências sejam tomadas. Não quero votação secreta para livrar político corrupto de punição, não quero ver a polícia sendo acusada de usar algemas quando o foco das atenções deveria ser a corrupção das pessoas detidas.

Não devo deixar as coisas como estão apenas por comodidade. Posso me esforçar, fazer bem meu trabalho, melhorar um pequeno ponto e ter a esperança que outros tantos se juntarão ao meu, formando um sistema melhor, mais justo. Não vou colocar a culpa apenas no deputado palhaço, quando na verdade nós é que estamos no centro do picadeiro, com nariz vermelho, vendo toda a corja se movimento sempre em benefício próprio. Não dei meu voto para que excelentíssimo senhor fique fazendo homenagens e dando medalhas em vez de subir à tribuna para falar algo que preste, para propor ideias que realmente farão a diferença.

Não me rotule como chato. Não pense que a omissão muda alguma coisa. Está satisfeito com o rumo das coisas? Tome partido, cobre, fiscalize, denuncie. Deixe de ver um pouquinho da novela ou do futebol para acessar a página do seu vereador, do seu deputado, veja o que ele anda aprontando. Deixe de copiar uma citação que você nem sabe de quem é na sua rede social para demonstrar sua indignação com alguma coisa. Seja criativo, você pode sim ajudar nas mudanças. Se não sabe a resposta, pergunte, questione, mas, por favor, caro amigo, não se cale, não se omita. Faça sempre a sua pequena revolução.

Não quero. E não posso. E não vou. E não devo. E não. Não!

É isso. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A TORTURA AINDA É LIBERADA NESTE PAÍS?

Imagine a cena: o cidadão sentado em uma cadeira, ambiente escuro, apenas uma luz em cima do rapaz. Em volta dele, alguns homens com cara de poucos amigos, fazendo perguntas aos gritos. Para completar, a cada resposta negativa, sessões de esmagamento dos testículos, enforcamentos com cordas, pancadas com objetos perfurantes na barriga e lanças fincadas nas costas. Parece cena de um filme ou algum documentário retratando períodos da ditadura militar no Brasil? Pois bem, não é.

Hoje em dia, caros amigos, ainda que se espante com isso, este tipo de coisa acontece praticamente em todos os finais de semana. E, por incrível que pareça, as pessoas gostam e pagam caro para assistir a estas sessões de tortura. Os torturados estão lá, ficam quietos em seus cantos, esperando a evoluída raça humana ditar os rumos de suas sofridas vidas. E a cada anúncio dos auto falantes, lá estão eles, sendo submetidos às mais variadas formas de tortura, de crueldade, tudo em prol de alguns segundos de “diversão’ para a platéia, milhares de reais para quem tortura e milhões para quem organiza todo este circo.

É de se indignar, não é mesmo? Como pode, em pleno século XXI, acontecer este tipo de atrocidade? Como autoridades podem permitir que tais práticas sejam mantidas aos olhos de todos, como se normal fosse? Pois é, permitem e ainda apóiam, com incentivos fiscais, disponibilizando locais, incentivando com recursos públicos. Para piorar um pouco, diversos artistas de renome nacional e internacional vão a estes locais apresentarem seus shows.

Pois bem, a realidade é esta. O último caso de tortura alvo de matérias na imprensa é o de um peão que, em uma prova conhecida como bulldog, lesionou um bezerro a ponto de deixá-lo tetraplégico, tendo que ser sacrificado logo após a prova. Essa prova consiste no peão pular de um cavalo e, ainda em movimento, pegar o bezerro que foge desesperado, torcer seu pescoço até que o mesmo, para não ser ainda mais machucado, pule e se vire de costas para o chão. Outra prova com bezerros é a do laço, na qual o bezerro foge do peão montado em seu cavalo, até ser atingido por um laço no pescoço. Com o bezerro correndo, é possível imaginar o resultado disso: diversos casos de enforcamento do animal, além de lesões na coluna provocado pela freada repentina.

Na Espanha, país de primeiro mundo, evoluído, símbolo da supremacia da Europa, as touradas acontecem com frequência. Do mesmo que por aqui, lá os touros estão sujeitos às mais diversas formas de crueldade. Os animais são atingidos por estacas, lanças, espadas e adagas. Ao final, após o animal sangrar e sofrer muito, o toureiro finaliza a crueldade com uma espada, dando o golpe final e ceifando a vida do touro. Tudo isso aplaudido por milhares de espectadores.



Que tipo de espetáculo é esse em que as pessoas vão para se divertirem com o sofrimento dos animais? Até quando vamos tolerar que se maltratem seres vivos para que empresários e peões profissionais enriqueçam? Quando os artistas vão se tocar que ao se apresentarem nestes eventos, estão dando sinal positivo para tudo que ocorre lá? Por que nosso dinheiro é investido pelo poder público nestes eventos?

Somos pequenos frente à máquina que controla tudo isso. Mas podemos, ao menos, fazer nossa parte. Boicote rodeios, caro amigo, ainda que seu artista favorito vá tocar lá, não compre ingresso para vê-lo. As redes sociais estão aí, demonstre sua insatisfação com este tipo de coisa. Por mais que ache pouco, se cada um fizer sua parte, pode ser que alguma mudança aconteça. E se não acontecer do modo que desejamos, ao menos durmo tranquilo, sabendo que não contribuí para que esta barbárie continue acontecendo.

É isso.