Algumas considerações iniciais

Tentarei manter uma regularidade nas postagens, mas não combinarei prazos. Por ser uma das válvulas de escapes utilizadas por mim, deixarei que este blog seja alimentado de acordo com a inspiração, e não com o calendário.

Gosto dos comentários. Não são, para mim, apenas um sinal de popularidade, como a maioria dos blogs que vejo. Eles têm um significado maior, que é o de saber como as pessoas que aqui estão pensam sobre os assuntos que comento. Portanto, fique à vontade para escrever. Na medida do possível, responderei a cada um deles.

terça-feira, 5 de março de 2013

VIOLÊNCIA, SOCIEDADE, POLÍCIA



Em uma cidade qualquer desse país, um adolescente é apreendido pela polícia por tráfico de drogas e levado à delegacia responsável pelo trâmite envolvendo menores infratores. Em sua segunda passagem policial pelo mesmo crime (ou ato infracional análogo ao crime, como queiram), eis que a mãe do pequeno cidadão chega e, com o rosto transtornado de raiva, vai em direção aos policiais, em tom de extrema arrogância, para perguntar o que seu filho havia feito. Os policiais explicam que o pequenino de apenas dezessete aninhos vendeu maconha a diversos usuários, além de esconder outra grande porção da droga em um arbusto. Para surpresa de todos os presentes, a mãe do menino questiona: “ele tá preso só porque vendeu maconha?”. O menor apenas sorri de canto de boca, mas sorri.

Uma famosa atriz, de um canal qualquer, tira diversas fotos em momentos íntimos e as salva em um computador. Eis que essas fotos caem na internet e em horas são acessadas por milhões de pessoas. A atriz, magoada, lógico, vai à polícia e exige providências. A mídia, principalmente a do canal da atriz, cai em cima também. Em alguns dias o autor do furto e divulgação das fotos é preso em casa, mostrando extrema eficiência da força policial local. E que batam palma para a polícia! Esquecem-se, entretanto, que enquanto vários policiais se ocupavam para descobrir o autor do crime em questão, outros milhares de crimes pipocavam pela cidade, crimes graves, inclusive, como roubos, estupros e homicídios. Crimes que ficarão sem autoria, pelo parco efetivo policial, pela pouca efetividade das leis, por prioridades invertidas criadas pela mídia.  

O homem já foi à Lua. O homem mandou robozinho a Marte. O homem consegue perfurar mais de três mil metros mar abaixo para extrair petróleo. Por que então, caro amigo, que esse mesmo homem não consegue bloquear o uso de celular nos presídios? Sim, esse aparelho não era nem para entrar no sistema penitenciário, mas já que entra, por diversas razões, qual o motivo de não haver bloqueio para que eles não funcionem lá dentro? Será que eles sabem que grandes quadrilhas, nascidas e articuladas lá de dentro, comandam a maior parte da criminalidade daqui de fora?

A polícia nunca faz nada, dizem por aí. Certo cidadão bradejava que seu celular havia sido “roubado” e que até hoje não aparecera. Ao longo da conversa, mencionou também que não havia registrado ocorrência na delegacia, pois não possuía a nota fiscal do aparelho, já que comprara de um desconhecido, a preço muito inferior ao de mercado.

O policial foi surpreendido por uma equipe de reportagem dirigindo a viatura sem o cinto de segurança. Matéria longa de TV, mais de 5 minutos, com explicação do comando, com críticas da população, com bronca do âncora do jornal. Uma jornalista de uma grande emissora foi pega no bafômetro. Gostam de precisão? Exatos 33 segundos para comentar o fato que, diga-se de passagem, só foi ao ar por pressão em redes sociais.

Definitivamente, sociedade e polícia não falam o mesmo idioma. E quer saber? São estimulados a cada dia se tornar ainda mais incomunicáveis. Quem ganha com esse afastamento são ELES, os caras que mandam, que não querem ser atingidos, os intocáveis. Que mandem os pobres ao cárcere. Damos uma pequena resposta ao povão, nos livramos temporariamente de problemas e está tudo certo. Que se alterem as leis, criando brechas para nossos caríssimos advogados postergarem as sentenças. E que assim seja eternamente, ou ao menos enquanto durar nossos mandatos. Amém!

É isso. 

2 comentários:

Guilherme Freitas disse...

Pois é Victor, muitas vezes casos como a da atriz são solucionados em poucos dias. É o mesmo quando ocorre com políticos. Já em outros casos normais, demoram-se anos e anos. Quanto a questão dos menores de idade muitas vezes eles são protegidos demais e contam uma lei branda para lhes dar apoio. Infelizmente esta tudo errado no Brasil e as leis precisam ser muito mais duras. Dessa forma as pessoas terão mais consciência e responsabilidade antes de agir. Abraços.

Sileide Azevedo disse...

É, eu estava procurando um resumo abordando o tema "VIOLÊNCIA ENVOLVENDO ADOLESCENTES NO BRASIL", e encontrei os eu blog por uma ft escolhida para postar ao meu trabalho, e me alegrei ao v q encontrei no seu site toda a minha fala do seminário, então, obrigada pela ajuda 'involuntária" rs, bjs Deus continue abrilhantando sua mente para novas façanhas
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