Muitas vezes queremos expressar algum sentimento, alguma opinião em relação a determinados assuntos. A possibilidade de escrever e montar um registro público destas manifestações me agrada. Farei aqui um espaço para falar, conversar, debater, me expressar.
Algumas considerações iniciais
Gosto dos comentários. Não são, para mim, apenas um sinal de popularidade, como a maioria dos blogs que vejo. Eles têm um significado maior, que é o de saber como as pessoas que aqui estão pensam sobre os assuntos que comento. Portanto, fique à vontade para escrever. Na medida do possível, responderei a cada um deles.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
COMPRE DROGA, LEVE CARRO QUEIMADO DE BRINDE
domingo, 14 de novembro de 2010
Sobre Dilma, violência e liberdade
Eis mais uma página da história que vivo, ou melhor, vivemos. Outro dia mesmo estudava sobre militares no poder, alternância forçada na política do café com leite, crises e mais crises na tentativa de se restabelecer uma nova forma de democracia. Agora, agora mesmo, podemos ver coisas até então inimagináveis, como população indo às ruas pedindo impeachment, operário na presidência e, para surpresa (agradável para uns, nem tanto para outros) geral, vem aí uma mulher que comandará as políticas no Brasil até, no mínimo, 2014.
O Brasil passa por um período de transformação que ficará marcado; escreve, lentamente, as linhas da nova história, que nossos netos apenas terão acesso pelas fontes de informação, terão acesso às mudanças, sentirão os reflexos, positivos ou negativos, desse período no qual vivemos atualmente. É meio assustador pensar que estamos no centro do furacão, que somos testemunhas de fatos que serão registrados nos livros de História.
A questão central desse texto é falar, superficialmente, sobre a luta pela liberdade. Durante a campanha eleitoral recebi diversos emails falando sobre o passado de Dilma Rousseff, sobre como ela lutou, literalmente, contra a opressão. O conteúdo dessas mensagens era para desabonar o passado da candidata, tentando mostrar um lado criminoso, mostrar atitudes que foram alcunhadas até mesmo de terroristas pelos autores das mensagens.
Não entrarei nos méritos e nem mesmo pesquisei sobre a veracidade dessas informações, até porque muita coisa foi perdida e outro tanto está sem acesso. Criar boatos em cima de suposições é fácil, mas faz com que nos tornemos críticos sem fundamento, faz com que formemos falsas verdades, que se espalham com velocidade incontrolável através da internet.
A motivação que inspira essa linhas é ver o quanto se briga por liberdade. Muitas pessoas vivem oprimidas, com medo de tomarem atitudes, deixam de lado coisas que dão prazer por motivos os mais diversos possíveis, muitos beirando, até mesmo, certa banalidade. Alguns deixam de fazer o que gostam pelo simples fato de que outras pessoas falarão dela. Vivem em função do que o outro pensa, do que o outro irá achar, apesar de, na realidade, nem ao menos ter conhecimento de como aquela outra pessoa realmente encara determinado assunto, apesar de isso ser irrelevante.
Ser livre é fazer o que dá vontade, desde que não prejudique o outro. Liberdade é buscar a fonte de prazer, é estar no momento certo, com as pessoas certas, certas para você, obviamente. Liberdade é viver aquele dia, é aproveitar ao máximo todos os momentos, acreditar que nossa passagem aqui é breve, que um dia perdido não volta mais, que as escolhas baseadas em opiniões alheias geralmente são cerceadas da plenitude da alegria.
A crítica que foi feita é que Dilma teve que recorrer às armas naquele período. E você, caro amigo, também não recorreria, caso tivesse sua liberdade ameaçada por pensamentos autoritários, ditatoriais, impeditivos? Hoje em dia é muito fácil criticar, já que vivemos em uma democracia, em um país onde as escolhas são, até certo modo, respeitadas. Mas e antigamente? Imagine-se tendo como um colega de classe alguém infiltrado, um agente do governo que está ali apenas para ver quem não concorda com o regime, delatar e fazer o coitado sofrer as barbáries que já conhecemos.
Quem não pegaria, se preciso fosse, em armas, lutando para que isso fosse interrompido? Talvez aquelas mesmas pessoas que hoje são omissas a casos de corrupção, que aceitam as coisas como elas são, que deixam os outros fazerem o trabalho por elas. Esse tipo de pessoa é exatamente quem critica os que vão à luta, que correm atrás de benefícios não somente próprios, mas em prol da coletividade. Ser livre é ter opção de poder pensar, mas, sobretudo, é, me desculpando pela contraditoriedade dos vocábulos, ter a obrigação de pensar, no sentido de refletir e agir em prol dessa mesma liberdade.
É isso.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Partir
Se eu partir, saiba que fui feliz
Se eu partir, saiba que vivi o que quis
Se eu partir, acredite, em parte, o que falam de mim
Partindo, deixo aqui uma marca, que ainda não sei qual
.
Pouco ou muito tempo? Não sei
Talvez o tempo suficiente para conviver, para viver
Vou. Sem mágoas, sem rancores
Vou. Pedindo desculpas por erros
Vou. Pedindo reconhecimento pelos acertos
.
Ei, ainda está aí?
Não sei ainda para onde vou
Será que te vejo lá?
Será que lembrará de mim?
Até quando? Quanto? Como?
Ficam as boas lembranças,
os bons momentos,
aquele dia inesquecível,
aquela foto engraçada,
aquele olhar penetrante
.
E o tempo vai também
Com ele, os pensamentos, os sentimentos,
tornam-se poucos, raros, esporádicos
Daquele que um dia te fez feliz
E que agora, partiu
sábado, 16 de outubro de 2010
É possível escolher?
Quando se questiona qual o melhor lado, entre a ignorância e o saber, o conhecimento, obviamente que todas as pessoas (ao menos as mais sensatas), optarão pelo lado do conhecimento, da sabedoria, da ciência. Ninguém quer ser taxado de ignorante, de um alienado das coisas ao redor. Tudo bem, olhando sob um ponto de vista mais amplo, é possível e viável pensar dessa forma. Acontece, caros amigos, que a ignorância ou, numa melhor concepção do termo que pretendo usar, a não-ciência, não é lá de toda ruim.
Vivemos em uma era conhecida como sendo a da informação, do conhecimento cada vez mais amplo e disseminado entre todas as classes e culturas. Claro que isso não passa de um discurso politizado, de potências que tentam mostrar que a globalização quebrou todas as barreiras, começando pela interação de conhecimento. Essa quebra de barreiras, na verdade, não passa da vontade dos grandes em invadir os outros países com seus produtos e serviços, fortalecendo a própria economia e destruindo a alheia.
Voltando ao assunto inicial, acredito ser importante pensar sobre isso. Quantas e quantas vezes não ficamos mal porque uma informação chegou até nossos ouvidos? Não estou pregando aqui a aplicação plena daquele ditado “o que os olhos não veem o coração não sente”, mas penso que em muitos casos a ignorância, ou melhor, o não-saber, pode ter seu valor. Tentarei explicar...
Qual a chance de uma pessoa ser roubada? Depende, certo? Se for usar uma estatística bem simples, é uma chance dividida pelo número de habitantes do lugar. Se for apurando o estudo, começa-se a olhar os hábitos, os riscos, enfim, diversos fatores. Enfim, no final das contas, percebe-se que as chances são parecidas, que todos nós estamos suscetíveis a esse tipo de evento. Já que pode ser considerado isso, qual a diferença da pessoa que sabe exatamente os índices de criminalidade do local onde vive para a pessoa que não sabe? Talvez a pessoa que saiba vá se prevenir mais, andar mais atenta, evitar certas atitudes. A outra pessoa vai andar mais relaxada, displicente até, não deixando de fazer nada do que gosta por conta de medos adquiridos com o conhecimento de determinada situação.
E aí, qual desses caminhos escolher? Muitas pessoas vão preferir saber toda a verdade, vivendo sob tensão permanente, do que ficarem a mercê dos riscos. Outras já optarão por não tomar conhecimento, deixando ao acaso sua própria sorte. É um exemplo banal, porque nem todas as pessoas com vontade de saber esse tipo de informação terão acesso a ela, e algumas pessoas que realmente desejam ignorar terão que saber, quer seja pela profissão ou algum outro motivo.
Na política, talvez isso seja feito de forma pensada, quando o sistema não permite que as pessoas busquem mais informações, incentiva o analfabetismo político como forma de manutenção do status quo, como forma da manipulação de uma massa burra, que não consegue discernimento para dar o poder somente àqueles que poderiam fazer alguma coisa útil para a comunidade. Pagamos o preço pelo não saber da maioria das pessoas.
Outro campo em que o conhecimento também influencia é no relacionamento. Tenho certeza que se soubéssemos, a fundo, como uma pessoa é, já no início do relacionamento, dificilmente iríamos nos relacionar sério com alguém. Nesse sentido, a parte de não saber, de não tomar conhecimento, é fundamental para que o processo de interação possa ser feito aos poucos, já que simultaneamente à chegada de informações que não achamos interessantes, podemos observar outras qualidades que, se equiparadas, pendem para o lado bom e amenizam os defeitos que tanto nos incomodariam.
Enfim, o intuito desse texto é provocar uma reflexão, um debate que coloca em pauta a discussão de o que é necessário saber e o que pode ser deixado de lado. Na era da informação, nem tudo que chega aos nossos ouvidos é, de fato, lucro. Muita coisa a gente poderia não ficar sabendo, tendo assim, como prêmio, um passo a mais em busca da nossa felicidade.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Tem coragem para isso?
Por outro lado, coragem também pode significar ousadia. Sem a ousadia, a vida segue num marasmo, em uma apatia sem tamanho. Se hoje temos tecnologias que facilitam nossas vidas, é porque alguém ousou, buscou algo desconhecido com a pretensão de atender a uma determinada demanda, tentou resolver um problema, simplificar uma tarefa. Ousadia é oposto à preguiça, comodismo. Estar em uma zona de conforto pode ser bom, mas as coisas podem melhorar ainda mais se dermos um passo além dessa zona, para buscar um desconhecido que torne nossas vidas ainda melhores.
São poucas as pessoas que têm essa ousadia, essa coragem de ir além. Muitas preferem ficar onde estão, ainda que total ou parcialmente insatisfeitas com a situação, mas jamais ousam mudar, ousam pensar além daquilo que vivem atualmente, onde pode existir muito mais, existir um caminho que a satisfaça, que engrandeça.
Viver sem ousar é viver em preto em branco, é passar nesse mundo sem nenhuma cor, é ser manipulado por uma maioria que pensa da mesma forma, manipulado por um sistema que conforta para não estimular a ousadia. Ousar sempre tem um preço que, manifestado em sua menor forma, aparece na máscara da desconfiança alheia. De todo modo, é um preço que vale a pena ser pago, é um risco que se deve correr, para não passarmos por essa vida apenas por passar, para não ocuparmos apenas um espaço, mas sim o espaço, o nosso lugar.
Outro ponto passível de alguma reflexão é que, ao ficarmos inertes diante de uma situação que já está além da monotonia, estamos também impedindo outra pessoa de procurar um caminho melhor. Iludir alguém é diferente de manter a pessoa em um estado de pseudo-satisfação. Deixá-la nesse estado não ajuda, não faz bem. São meses e até mesmo anos de experiências que em nada engrandecem. É preciso, nesse caso, reconhecer que ao lado da pessoa contribuímos menos para sua melhoria do que se a deixássemos livre, buscando novas sensações. Estar por estar não é e nunca será o melhor caminho a ser seguido, visto que as repercussões negativas atingem os dois lados envolvidos na relação.
Portanto, caro amigo, pense sim no que está vivendo atualmente. Pense, mas não deixe de agir. A análise de alternativas é sempre viável, mas não se deixe levar por pena ou mesmo receio de ficar só. Pense que a decepção não faz apenas mal. Ela tem o poder de nos tornar mais fortes, de suportar outras crises e, assim, sair melhor delas. Observe os sinais a sua volta, veja que a vida proporciona oportunidades para vivermos momentos inusitados, experiências únicas, fatos que marcarão para sempre em nossas mentes. O momento pode ser esse, a virada pode acontecer agora. Não hesite, apenas ouse, aja!
É isso.
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Termino o texto com uma magnífica citação de Fernando Pessoa, divulgada ultimamente por Cleo Pires, em seu ensaio para a Playboy:
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Pá - Pum!
Por pior que a situação pareça estar, com certeza ela não é definitiva e, se olharmos para o lado, veremos que tem gente vivendo bem pior e nem por isso arrancou ou quer arrancar todos os fios de cabelo. A questão é enxergar o que se passa exatamente assim, ou seja, que se passa, algo passageiro, que tende a voltar ou à normalidade ou, com o tempo, nos colocar novamente em uma zona de conforto adaptada ao novo momento.
Indignar-se diante de fatos inesperados e ruins é, com certeza, o pior caminho. Em muitos casos, é preciso ver que nós mesmos é que provocamos aquela situação, nós a criamos e, desta forma, temos a obrigação de entender e procurar reverter, se isso ainda for possível. Colocar a culpa em outras pessoas também é o caminho percorrido por muitos. O fato de jogar a responsabilidade para outros alivia momentaneamente, mas depois a carga de culpa, para as pessoas que ainda demonstram algum sentimento coletivo, fica maior que o normal.
Quanto mais nos remoemos com fatos desagradáveis, pior fica. Reclamar de tudo, apontar erros dos outros, ficar inerte, pouco vai resolver. Bola pra frente, deixa baixar a poeira, se for o caso, e busque a solução do problema. Se não tiver como resolver, parta para outra, vislumbre alguma alternativa, que o mundo gira, o tempo está passando, e sua vida vai ficar com esse corte na história caso você se sente na cadeira ou então encoste em algum muro de lamentações.
É isso.
domingo, 25 de julho de 2010
Honesto?
Hoje pensei nessa questão do ser honesto. Antes de tentar expor alguma coisa sobre isso, recorro ao amigo Aurélio para ver que honesto pode ter o significado mais óbvio, que quer dizer correto, decente, probo, mas pode significar também conveniente, adequado. Engraçado como uma palavra pode ter esse leque de aplicações, como pode, dependendo do ponto de vista, ter aplicações até mesmo divergentes de ideias.
A honestidade é um conceito muito amplo, difícil de enquadrar taxativamente todas as condutas. Pode variar até mesmo de cultura para cultura. O Brasil não é lá muito bem visto quando se fala em honestidade, visto o famoso hábito do jeitinho brasileiro. Muitas pessoas usam e abusam desse jeitinho para se dar bem, para conseguir vantagens. Não sei se isso vem de criação, da genética, da índole (sabe-se lá de onde vem isso também). Só sei que algumas pessoas agem mais dessa maneira que outras. Aqui não adianta ter falso moralismo, todos nós já levamos alguma vantagem, seja ela a coisa mais banal que for, em algum momento de nossas vidas.
Há aquela máxima que de que se deve, além de ser honesto, parecer ser honesto. Tudo bem, é importante demonstrar a honestidade, mostrar que hábitos desonestos não são bem vindos. Mas só mostrar, ou melhor, tentar mostrar mais do que o necessário, torna o gesto um pouco artificial, parece que estamos fazendo aquilo lá para aparecer. Ser honesto deve ser um hábito, não uma escolha.
Escrevi essas linhas por um acontecimento dia desses. Fui a uma loja de tênis, loja conhecida, e achei um tênis que já “paquero” faz tempo, mas ainda falta coragem de pagar a grana que pedem por ele. Pois bem, cismei de passar lá e vi o tênis com mais de R$100,00 de desconto. Na hora já pedi um pra experimentar e, lógico, já peguei a caixa e fui pagar. Para minha surpresa, na hora do pagamento, o preço estava acrescido com o valor do suposto desconto. Chamei o gerente para reclamar e quando ele chegou, viu que a diferença do valor foi devido a um erro do funcionário que coloca as etiquetas. O código do consumidor não estabelece a diferença para isso, apenas menciona que o consumidor pagará o valor que estiver declarado, independente se esse valor está abaixo do normal. Legalmente eu levaria o tênis bem mais barato, mas e moralmente? Com toda certeza essa diferença seria (ainda ouvi o gerente cochichando isso com outro funcionário) descontada do salário do funcionário que errou. Achei que não valeria a pena, não me sentiria bem sabendo que um cara que ganha um pouco mais de um salário mínimo levaria aquele baque no final do mês. Deixei o tênis por lá, mas voltei pra casa com a sensação de que, indiretamente, ajudei alguém a ficar mais tranquilo.
É isso.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Mascarando
Fato é, caro amigo, que constantemente nos vemos envoltos a mentiras que são, de certo modo, desnecessárias. Não há como mensurar isso de plano, não é possível ver se naquele determinado momento a mentira extravasou o limite da normalidade.
No calor da conversa, naquela “acareação”, soltamos algo a mais ou a menos do que a realidade, isso é natural. Mas com o passar do tempo, se realmente quisermos isso, é possível parar e analisar se realmente aquela mentira foi importante, se deveríamos ter dito aquilo e até que ponto a verdade dita iria mudar alguma coisa.
Penso em algumas mentiras que ouvi ao longo da vida. Penso que muitas delas não passaram de uma tentativa de proteção para atitudes mesquinhas, feitas sem pensar e que com certeza teriam repercussão negativa, como, enfim, tiveram quando a verdade veio à tona. Valeu a pena ter mentido? Valeu a pena manter uma máscara que não se sustentaria por tanto tempo? “(...) O mundo é tão pequeno afinal, o mundo é tão pequeno afinal..”.
É isso.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Rebobina para você ver!
Muitas dessas decisões não têm volta, é preciso entender que a vida, a partir daquele ponto, seguirá em caminho diferente, que outras pessoas virão, outras ideias, abrindo campo para novas decisões. Mas e daí, não é sempre assim? Talvez. A ruptura de uma escolha não precisa ser, necessariamente, abrupta. Um caminho mais provável que minimize traumas é tentar criar uma zona de transição, uma possibilidade de retorno caso as coisas não dêem certo.
Obviamente que há situações que exigem uma conversão total de sentidos, sem qualquer chance de se pensar em ficar no meio termo. Essas situações são, sobretudo, aquelas que se arrastam por um longo tempo, que ficam nos perturbando por extensos períodos, exigindo, assim, uma decisão mais firme, ruptura para o renascimento. É difícil detalhar quando agir dessa forma, mas é importante pensar que esse tipo de atitude é importante, ou melhor, fundamental para que possamos viver a nossa vida, largar rancores e deixar o passado no lugar que ele merece, ou seja, no próprio passado.
Há um velho ditado popular que fala que Deus dá o frio conforme o cobertor. Discordo quando se atribui a um Deus as mazelas sofridas. Mas esse ditame possui um outro significado, mais interessante, que é o de dizer que as coisas sofridas são suportáveis, não são mais do que podemos aguentar. A única diferença é que para saber o quanto você suporta, ou o quanto suportaria, só há um modo: vivenciando a situação. Aí, caro amigo, fica ruim, ninguém quer fazer esse teste para saber.
Estar no lado bom da situação querendo apenas enxergar o outro lado para ver se vale a pena seria cômodo demais. Quem não gostaria de fazer um test drive para qualquer tipo de coisa? Você vai lá, vive aquele momento, observa como as pessoas a sua volta irão reagir e se a coisa ficar feia, volta pro status quo anterior e tudo fica lindo. Utopia quem pensa que pode reverter qualquer coisa, que pode, com palavras ou atitudes, devolver a consideração que as pessoas tinham antes da mudança. Não muda. Minimizar um impacto causado não é sinônimo de retorno ao passado, ao jeito que era antes.
Esse pequeno texto estava guardado há certo tempo aqui no computador. Ficou por aqui, esperando uma finalização, alguma melhora. Acredito que não consegui nem um nem outro, mas é melhor ele ir ocupar um lugarzinho entre os outros do que ficar aqui escondido, intocável. Geralmente é assim, vem uma fase de maior intensidade na escrita, depois isso passa, dando lugar a textos monótonos e/ou repetitivos, após outra fase vem... e assim vai... ainda bem que meus poucos, mas queridos leitores, são pacientes e sempre aparecem.
terça-feira, 25 de maio de 2010
A bolha
Não precisa desconectar do mundo para ser diferente dos demais. Não precisa não ver a rede globo para se achar superior intelectualmente. Basta ter discernimento para saber o que é bom, para saber o que se deve absorver e o que se deve descartar.
Fugir do trivial, apenas por fugir, é sem propósito e insano. Deixar de cumprir as facilidades que foram conquistadas apenas para não parecer mais um, é imbecilidade. Podemos ser diferentes sim, conquistar um espaço apenas com nosso conteúdo. Para a gente saber o que é bom, é preciso ao menos conhecer o que é ruim. Só criticar, estando de fora, parece-me despeito, inveja.
Participar de um evento não significa dar adeus a tudo aquilo que se tem, a toda carga cultural que carregamos antes dele. É mais uma informação, que pode ou não ser útil um dia, mas que vai acrescentar experiência em nossas vidas.
É isso.
domingo, 16 de maio de 2010
Tem carta para você!
As palavras escritas sempre me favoreceram na conquista de relações, seja no campo da amizade ou mesmo em relações amorosas. Acredito que me expresso melhor por aqui e talvez por isso consiga passar uma imagem mais real do que sou, visto que num encontro casual, pessoalmente, o tempo para essa exposição é menor e em muitos casos as pessoas não dão oportunidade para você mostrar algumas características legais.
Essa questão de iniciar relações através de contatos escritos é muito antiga pra mim. Lá pelo ano de 1999, acredito eu, fui fazer uma viagem ao Rio de Janeiro e fiquei mexendo no computador da minha irmã. Não tinha computador em casa àquela época e o acesso a esse tipo de equipamento era bem restrito, ainda mais com possibilidade navegar pela internet. Pois bem, estava lá navegando e eis que entro em um chat, desses parecidos com Uol, Terra, não me lembro bem. Eis que nessas conversas encontro uma menina e a conversa vai rolando. O papo foi legal e a gente queria conversar mais, mas como eu não tinha computador, sugeri que trocássemos endereços e a partir dali nos comunicássemos através de cartas.
Num certo dia, algumas semanas após essa conversa pela internet, chego da escola e minha mãe diz “Victor, tem carta para você!”. Fiquei empolgado e fui abrir a carta para ler logo. De cara já percebi que a carta vinha perfumada e tudo mais. Não lembro bem se essa carta já veio com foto, mas ela chegou bem no início da troca de cartas. Fato é que mal lia e já corria para escrever e responder o mais rápido possível. E assim foi, fomos trocando cartas por um bom tempo, acho que por mais de um ano. Não lembro bem quando paramos com isso, ou o motivo, mas sei que não escrevemos mais e a coisa parecia ter morrido por ali. Parecia! Com as facilidades da internet, consegui encontrar essa menina, Lilian. Foi uma surpresa muito grande para ambos e foi muito gostoso lembrar daquele tempo, das cartas que até hoje são guardadas por ambos com muito carinho. Tempo legal, sem essa pornografia que impera na internet, sem interesses, só o carinho de um pelo outro, uma amizade construída pelas letras, semana a semana...
Enfim, esse texto foi só pra deixar um registro de como uma simples conversa pode mudar as coisas, pode abrir oportunidades de conhecer pessoas legais. Como é possível, com ela, poder mostrar um lado seu que poucas pessoas sabem. O mundo precisa de mais chances assim, dessa possibilidade de interação sem interesse... já pensou em quantas pessoas bacanas não conhecemos apenas porque num primeiro momento ela não despertou nossa atenção?
Obs: esse texto é uma homenagem também para a Grazi, a famosa Cinderela, com a qual mantive também uma relação assim. Grazi, minha querida, sinto falta das cartinhas... mas ainda bem que pelo menos agora você entra no email pra ler, né?
quinta-feira, 11 de março de 2010
(Des) apegar
Se existe algo que realmente me faz refletir sobre muitas coisas, esse algo é o fenômeno da morte. Esse ainda não é o texto definitivo que quero escrever sobre o assunto, pois primeiro vou pesquisar a fundo como a morte é vista pelas religiões para poder, enfim, dissertar sobre esse tema que tanto chama minha atenção. De todo modo, seguem algumas linhas, que me vieram como uma quentura no peito, pedindo para aqui estarem nesse momento.
A morte, e aqui não posso fugir daquele pensamento clichê, é uma das únicas, senão a única, certeza que temos nessa vida. Nascemos? Vamos morrer! Mas e daí, por que falar disso agora? Porque a morte influencia praticamente tudo em nossa vida. Deixamos de fazer coisas por medo de morrer, fazemos outro tanto por medo de morrer, vivemos o tempo todo com esse receio, ainda que não pensemos nisso constantemente. A morte é um verdadeiro freio social. Tirando o lado religioso, no qual não quero entrar no mérito agora, ela segura nossos anseios, impede que façamos coisas que, apesar de nos darem prazer, antecipariam a morte, diminuiriam nossa permanência por aqui.
Quando vejo uma pessoa já bem idosa, sem consciência, ou mesmo alguém que sofreu um acidente e vive (ou sobrevive) em um estado vegetativo, penso que seria melhor não permanecer nesse estado. Não pretendo discutir a questão da eutanásia, mas acredito que em determinadas situações ela não é ruim. Acontece que esse é um ponto de vista de quem está de fora. É provável que quem esteja passando por isso, com raras exceções, queira mais é viver, acredita que a luta deve ser até o final, até quando os remédios e aparelhos não mais surtirem efeitos. Quem está vivo não quer morrer, ainda que essa ideia de vida nos pareça um tanto superficial, ante o estado em que a pessoa se encontra.
Essa semana ocorreu a morte de um jogador de futebol de salão, que ao dar um carrinho, teve sua perna perfurada por um pedaço de madeira que se soltou da quadra. Ele foi socorrido, mas morreu no hospital, com hemorragia. Vejo isso e penso na estupidez que é a morte, como ela vem dos modos mais impensáveis possíveis, como atinge as pessoas de maneira improvável. Como um cara que sai de casa para jogar bola morre assim? Como alguém que vai passar o ano novo em Angra dos Reis morre soterrado? Como uma missionária vai ao Haiti para ajudar e perde sua vida por lá? Até esse trecho, caro amigo, muitas pessoas já perderam a vida ao redor do mundo, das mais diversas maneiras possíveis.
Apesar de trágico, o evento morte também tem seu lado positivo (não pense que é somente para os donos de funerárias). Quando a morte se aproxima, quer seja por uma passagem abrupta, como um acidente, ou menos célere, como nas doenças, acontece uma espécie de revolução na vida das pessoas, ou ao menos era para acontecer. As pessoas que passaram pelo estado de quase morte conseguem enxergar coisas por um ponto de vista bem diferente daquelas pessoas que não tiveram essa sensação.
A principal mudança é o desapego a coisas materiais e a concentração de energias nos sentimentos e nas relações. Passar por isso faz o dinheiro, os carrões e os bens perderem grande parte de seu brilho. Para que acumular milhões de dólares, se você pode acumular centenas de amigos de verdade. Para que andar de Ferrari, se você pode pegar um ônibus lotado de pessoas legais, que querem seu bem? Por que tomar champagne ao lado de pessoas esnobes, se é bem mais agradável dividir aquela cervejinha com os amigos de infância que sempre estiveram presentes em sua vida? Uma pessoa com muitos bens estará sempre cercada de gente, mas nunca de pessoas. Basta secar a fonte, o dinheiro ir embora, que a maior parte desse povo vai junto, atrás de outras pessoas dispostas a pagar por uma falsa felicidade ao lado de gente não menos falsa.
Estar próximo à morte ou conviver com alguém que passe por isso, faz pensar um pouco diferente, ainda que essa diferença seja sutil. É o momento de ver que nada daquilo que se tem importa, que o que vale a pena é aquilo que se é, o seu ser, seu carisma e estima que as outras pessoas mantém por você. Morreu, é o fim. Ficam as posses, o dinheiro guardado. Dinheiro mais caro do mundo, pois deixou de ser gasto naquilo que iria fazer feliz, naquilo que iria dar prazer. Valeu a pena guardar tanto? Claro que não! Desapegue-se da matéria, apegue-se às relações, invista na emoção e o retorno estará garantido.
É isso.
quinta-feira, 4 de março de 2010
MONALISE-SE
Não me pergunte como nem por que, mas foi realizado um estudo matemático sobre esse sorriso e, pasmem, através da análise de um computador constatou-se que Mona Lisa é uma mulher 83% feliz, 9% enjoada, 6% atemorizada e 2% incomodada (Wikipedia). Imaginem só: se ela é altamente feliz com aquele sorrisinho de canto de boca, que dirá então o da Fafá de Belém?
Independente do estilo ou mesmo da intensidade, a verdade é que o sorriso é fundamental na nossa vida. Rir, quando o sorriso vem de dentro, faz bem, ajuda a esquecer problemas, abre portas para novas relações. Um sorriso, quando é dado com sentimento, de verdade, provoca alterações no corpo, dá uma pausa em todo negativismo que nos ronda e joga na corrente sanguínea alguma substância que relaxa, que nos deixa com uma sensação de conforto.
Sorrir é a ponta de um iceberg chamado pensamento positivo. Pessoas que pensam assim, que agem sempre com o intuito de que as coisas darão certo, sorriem mais. Mas isso não quer dizer, necessariamente, que quem vive mostrando os dentes por aí seja uma pessoa positiva. Muitas pessoas tentam passar uma imagem de felicidade, mas no fundo estão se corroendo, sofrendo e, ainda que não percebam, entrando em um círculo vicioso ainda maior, já que ao não assumirem os problemas, ao tentarem mascará-los, a angústia vem muito maior do que é na verdade.
O outro lado também não é benéfico. Pessoas emburradas, mal humoradas, que não conseguem achar graça em nada, sofrem por dentro, não gostariam de estar nesse estado de espírito, mas pouco fazem para mudar, quer seja por orgulho, quer seja por receio de serem vistas como inocentes demais, iludidas, ingênuas. Há pessoas que só enxergam as coisas com esse tipo de olhar, só pensam de forma negativa, não observam que praticamente tudo pode ter um lado positivo, nem que seja apenas a experiência de ter vivido um momento ruim, experiência essa que servirá para nos deixar menos vulneráveis caso esses eventos ocorram novamente.
Tentar enxergar as coisas sob um ponto de vista menos pessimista é o caminho. Obviamente que não estou incentivando que se abandone o espírito crítico, que se deixe de lado a raiva, a reprovação, quando a situação assim exigir. Mas tudo isso tem um limite, ou seja, aquele momento é sim importante, mas não é recomendável internalizar isso, levar a ferro e a fogo, fazer dele uma constante em sua vida. Isso sim faz mal, nos diminui como seres humanos, coloca sobre nossas cabeças uma nuvem carregada de energias ruins.
O aviso aqui, caro amigo, é pensar e fazer o bem sempre. Mas o que é esse tal bem? Acredito ser aquilo que mexe conosco e que, ao mesmo tempo, não interfere negativamente na vida de ninguém. Além disso, sorria! Rir de piadas, de situações, relembrar fatos engraçados do passado, mas rir. Passar a vida de mau humor não vai melhorar em nada seu cotidiano, vai afastar pessoas legais do seu caminho. Um sorriso bem dado abre portas, portas físicas e sentimentais...pense nisso!
É isso.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Então é não, senão...
Ficar em cima do muro nem sempre resolve, apesar de ser uma solução menos traumática em muitos casos. A chance de não causar transtornos é menor se não assumirmos uma postura que venha contrariar pontos de vistas alheios. Diga-me, caro amigo, se você já conviveu com pessoas assim, que tentam ser sempre conciliadores de tudo e de nada, que não adotam o ponto de vista apenas para não baterem de frente com ninguém, ainda que esse pequeno embate em nada interferirá em sua vida. É mais fácil encontrar esse tipo de pessoas do que se imagina.
Ser flexível é uma característica importante, não é necessário bater o pé e brigar apenas para satisfazer o ego. As mudanças de opiniões ocorrem naturalmente, na medida em que vamos amadurecendo, vendo que nada é imutável, que o ponto de vista de hoje pode não ser, necessariamente, o de amanhã. O nome disse é evolução. Evoluímos quando somos capazes de nos colocar no lugar do outro, para tentar entender o motivo daquela opinião; evoluímos ao aceitar que nosso ponto de vista é retrógrado, que não cabe mais naquele momento, naquela situação.
Dizer sim a tudo e a todos vai nos tornar pessoas mais queridas, é bem provável que isso aconteça. Fato é que, ser solícito sempre é bom para quem está de fora, mas pode ser terrível para quem age assim a todo o momento. Fazer coisas que nos desagradam apenas para satisfazer desejos de outros não é produtivo, não nos tornam pessoas melhores. As coisas realizadas dessa maneira não carregam a carga do prazer, da nossa dedicação. Isso pode nem ser notado por quem recebe, mas nós, que produzimos, vemos que ali não tem a perfeição que um ato feito de coração teria.
Perde-se muito ao evitar o uso do não. Perde-se confiança, porque as pessoas começam a ver que sua personalidade é frágil, que não possui valores próprios, ideais. Perde-se oportunidade, visto que despendemos tempo e energia em tarefas que não nos satisfazem. E, por fim, perde-se a auto estima, pois iremos viver sempre em função daquilo que esperam de nós, e não do que realmente acreditamos, bastando que outra pessoa diga um sim melhor que o nosso para que aqueles que achamos estar ao nosso lado nos deixem.
Acredite em você, saiba que dizer não a alguém pode ser benéfico, pode mudar o destino daquela pessoa. No início pode até aparecer uma mágoa pelo fato dela ter sido contrariada, de não ter o desejo satisfeito. Mas ela vai amadurecer, vai refletir, ver que nem sempre se tem aquilo que se quer, que o mundo não vai dar o mesmo tratamento que os pais deram. Com isso ela vai buscar o melhor, correr com as próprias pernas, enxergar que ela consegue sem ter que depender de ninguém. E, tenha certeza, um dia ela será grata por ter ouvido aquele sonoro não de você.
É isso.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Orgulhoterapia
Ninguém gosta de ser contrariado e, se fosse possível, as coisas deveriam acontecer sempre do modo que pensamos ser melhor. Sim, é um pensamento egoísta e que, felizmente, deixamos de colocar em prática por diversas questões, principalmente quando pensamos que isso só vai dificultar as relações interpessoais, que vai nos tornar pessoas menos sensíveis às causas alheias.
Cada um reage de uma maneira quando observa que não se seguiu aquilo que pensava, que achava ser a melhor opção. Uns ficam tristes, outros irritados, cabisbaixos e até mesmo depressivos. Há aqueles que internalizam e sofrem sozinhos e aqueles que deixam transparecer, não importando com o que as pessoas em volta irão achar daquele comportamento.
Fato é que, variando apenas quantitativamente de pessoa para pessoa, um sentimento vem à tona nesse momento. Esse sentimento é o que conhecemos por orgulho. Buscando auxílio do meu amigo Aurélio novamente, orgulho pode ser definido, no sentido que busco aqui, como um “conceito elevado ou exagerado de si próprio; amor-próprio demasiado; soberba”. Será que tal sentimento já rondou seu coração alguma vez, caro amigo? Bem provável que sim, não é?
Não é passível de crítica se isso já lhe ocorreu alguma vez. É natural sentirmos isso quando nos vemos em situações nas quais somos contrariados. Nosso amor próprio faz com que as possibilidades de resolução daquele determinado problema sejam reduzidas. Em alguns casos, não conseguimos enxergar que apenas uma atitude, uma palavra, poderia minimizar os impactos negativos de nossas decisões. Mas não, preferimos assumir aquela postura como uma verdade absoluta, sem qualquer possibilidade de alteração.
O orgulho só nos diminui, apesar de parecer o contrário. A própria valorização, se feita de forma demasiada, também nos diminui. Não aceitar o ponto de vista contrário, ou ao menos tentar compreendê-lo, idem. Como visto, caro amigo, se isolar dentro de seu imaginário, de suas convicções, pode ser maléfico, pode torná-lo uma pessoa menos querida, menos acessível. O que se ganha sendo intransigente? Absolutamente nada.
A pessoa orgulhosa não assume que errou, não consegue pronunciar a palavra desculpa. Em muitos casos tem ciência que não agiu corretamente, que poderia ter adotado outra postura. Fica sem conversar com pessoas queridas porque não enxerga nada além do seu próprio ponto de vista. Perde dias, meses e até mesmo anos de um bom relacionamento com uma pessoa querida, ainda que essa pessoa tente restabelecer a relação. E para que tudo isso, a troca de que? Mais uma vez é resposta é: para nada.
Não há muito que se dizer a uma pessoa que tem no orgulho a base de seus sentimentos. É muito complicado querer mostrar a ela que existe outro caminho, que outro ponto de vista pode ser mais interessante. Ela mesma precisa mudar, impor barreiras a esse sentimento, enxergar que em nada ele pode beneficiar. Isso é um processo de auto conhecimento, de evolução, que deve ser duradouro, uma batalha diária. Uma transformação lenta e gradual, com pitadas caprichadas de humildade, compaixão, bom senso, enterrando esse orgulho o mais fundo possível, para que ele jamais volte.
E como lidar com pessoas assim? Eis uma resposta ainda mais complicada. É louvável tentar contato, aparar arestas, mostrar o outro ponto de vista de uma forma mais sutil, menos conflituosa. Mas até que ponto, até quando é possível agir dessa maneira? Acredito que seja até o momento em que sua vida não será anulada por causa disso. Correr atrás de alguém que não aceita que errou, que não vê que estamos perto para ajudar, é desgastante e, na maioria dos casos, não surte resultados. Fique bem consigo mesmo, pense que você fez o máximo que poderia ter feito. Um dia, e é bem provável que esse dia chegue, o orgulhoso verá que poderia ter sido diferente, que ele jogou fora a chance de ser feliz naquele momento por pura vaidade. Aí será tarde, bem tarde...
É isso.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Velando a hipocrisia
A hipocrisia, segundo meu amigo Aurélio, trata-se de impostura, fingimento, simulação ou falsidade. Mais do que isso, é um comportamento inerente ao ser humano, que utiliza esse subterfúgio para parecer mais sensível, menos frio e calculista. Somos constantemente hipócritas, tentamos passar uma imagem melhor do que carregamos em nossa essência, agimos seguindo algumas convenções sociais, ainda que desagrade, apenas para sermos mais bem aceitos na comunidade na qual vivemos.
Não sei se existe outro lugar onde melhor vejo a expressão da hipocrisia do que um velório. O ambiente é muito triste para a maioria das pessoas, um ente querido que se foi, uma vida reduzida a um corpo dentro de um caixão. Todo esse clima proporciona um tipo de conversa, que acontece após aquele momento de impacto de ver a pessoa morta, que é amparada, na maioria das vezes, por discursos hipócritas.
O papo geralmente é o mesmo: “é, a gente precisa aproveitar mesmo a vida, nunca sabemos quando vamos embora desse mundo” ou então “a gente não leva nada dessa vida, não devemos ser apegados a coisas materiais, não se leva nada no caixão”. Papo furado! Observe as pessoas e veja: quem mais fala isso são as que agem justamente ao contrário do que estão pregando, que vivem apenas em função das coisas, não dos seres.
A morte deveria mesmo abrir nossos olhos para essas questões. Por que ser tão apegado a bens, a coisas? Por que não ajudar a quem precisa? Por que não fazer coisas que dão prazer apenas para guardar dinheiro, ou apenas para não ficar mal visto no grupo social, ainda que o desejo não seja ilegal ou imoral, por exemplo? De fato, o discurso nos cemitérios é a verdade que se deseja, mas não a verdade que se busca, a que se manifesta em nosso cotidiano.
Viver a vida sem ter esse apego excessivo à matéria seria muito melhor. Ajudar quem precisa, dentro das nossas possibilidades, é uma dádiva. Infelizmente nosso sistema é cruel, só existem pessoas ricas porque há uma grande massa pobre que é constantemente explorada. Sem isso o sistema não seria possível. Mas há alternativas para minimizar essas questões, para fazer com o que nosso semelhante sofra menos.
Não estou falando, caro amigo, apenas de ajudar financeiramente a quem precisa. Lógico que isso também é necessário, mas não deve ser visto como única alternativa. Ser educado, em muitos casos, é uma forma de ser melhor com as pessoas. Cumprimentar o porteiro, ou a faxineira, não deve ser feito apenas porque é bonito mostrar para as pessoas que você é um ser humano legal, mas sim porque o seu desejo é esse, é ser gentil com qualquer pessoa, independente da posição social que ela ocupe.
Ainda que a violência nos assuste, vejo uma situação onde ela, a violência, se manifesta de forma velada, mas não menos cruel que as demais. Ao pararmos nos sinais, as pessoas vêm vender coisas e, em muitos casos, fechamos ou vemos as pessoas fecharem os vidros e fixarem o olhar para frente, ignorando quem está ali tentando ganhar algum dinheiro com o trabalho. O ato de ignorar é uma violência sem tamanho. Ter a sensação de estar invisível é muito traumático, é doloroso. Isso motiva outras atitudes agressivas que nos parecem atos isolados de criminalidade, mas que trazem em suas raízes o sentimento de raiva, de sofrimento, de querer demonstrar que existe da pior maneira possível, mostrando poder de dominação através de atos violentos.
Antes de falar, de pregar alguma verdade, é bom pensar se realmente agimos daquela maneira. Dar conselhos é bom, mas segui-los, antes de externá-los, é ainda melhor. Pense nisso e reflita um pouco sobre suas atitudes, se elas condizem o que você pensa, se combinam com a imagem que as pessoas têm de você e se de fato elas conseguem melhorar alguma coisa nesse nosso mundinho tão estranho.
É isso.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Meu dia é hoje, minha hora é agora
Fico observando alguns programas de igrejas, sobretudo as evangélicas, que passam na televisão madrugada adentro (viu que falta faz uma TV a cabo?). Observo os discursos, as teorias, as possíveis soluções para os problemas (todos eles, frisa-se). Vejo uma fala sem conteúdo, um jeito de ser que eles determinam, mas que os próprios não seguem em seu cotidiano. É muito mais fácil dar pitacos na vida alheia do que mostrar, com exemplos, como se deve fazer. Uma pena que esse tipo de comportamento não fica apenas na telinha, mas é percebido o tempo todo, em qualquer lugar.
Se eu fosse fundar uma igreja, uma seita, sei lá, seria a Igreja do Bom Senso. E o que eu pregaria nessa igreja? Faça o que quiser, na hora que quiser, do jeito que bem entender, e respeite apenas uma regra, um dogma: seu ato não pode ter nenhum, absolutamente nenhum, reflexo negativo em nenhuma pessoa. Parece simples? Não é, de forma alguma. Praticamente todos nossos atos vão respingar em alguém. Muitas pessoas que não têm nada a ver com nossa vida são atingidas por coisas que fazemos. Isso vai desde um pensamento mais global, como jogar um lixo no chão, até uma coisa mais próxima, como uma palavra mais ríspida dita em um momento inoportuno.
Chega um momento em que é hora de dar um basta, mostrar que a vida corre independente de outra pessoa, independente do seu emprego e, não se assuste, da sua família também. Corre um tempo em que é preciso respeitar as vontades do coração, da sua emoção. Se for para ir embora, vá. Se for para dar um basta na relação, dê, não hesite. Quantas e quantas vezes você deixou de fazer algo que queria pensando em outras coisas sem a menor importância? Aposto que nessa última semana mesmo que se passou isso ocorreu contigo. Lógico que não é para enlouquecer, esquecer que as contas vêm ao final do mês, deixar de lado as leis e regras, magoar demais pessoas queridas. Como dito antes, tente não atingir ninguém com suas vontades, mas não fique preso a convenções sociais imbecis, que não são contestadas por ninguém e que seguem aí, influenciando a vida das pessoas, amarrando as vontades, cerceando os desejos.
Sua vida é só essa que você tem, caro amigo. Não vou entrar no mérito do pós-morte, isso não vem ao caso agora. Independente da teoria, só hoje você está aqui de fato. O seu passado conta sim, muito. Mas o seu presente é que te dá a chance de mudar, fazer diferente, buscar sua felicidade, sua realização. Ninguém sabe o que será do futuro, como será o dia de amanhã, se teremos as mesmas oportunidades de hoje. Não quero ficar esperando que as coisas se amoldem aos meus gostos. Se posso, vou lá e mudo, simples assim!
Temos muito pouco tempo! E muita coisa pra conhecer! Não se limite, não vire um quadro preso em molduras que você nem mesmo sabe quem construiu. Você nasceu sem bula, sem manual de instruções, não precisa ser metódico na conduta de sua vida. A liberdade de escolha é um dos grandes trunfos que dispomos e, portanto, devemos usar e abusar desse recurso. E tem mais uma: sem essa de ficar arrependido, se martirizando, vivendo amargurado por uma escolha que, teoricamente, não tenha dado certo. Pode não ter ficado do jeito que você achou agora, mas poderia ter ficado muito pior se a situação antiga tivesse se mantido. Ou vai negar que se a situação estivesse realmente boa, você pensaria em mudar? Duvido... se pensou em mudar, é porque algo incomodava.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Survive
Enfim... de todo modo, estava por aqui e saiu isso aí... sei lá se isso é bom, se é de péssimo gosto, mas saiu isso... "baixou o santo" aqui e rabisquei essas linhas que se seguem...
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Positivo atrai negativo, negativo atrai positivo
Esse jargão é utilizado quando algumas pessoas vêem relacionamentos entre indivíduos que são, aparentemente, muito diferentes entre si. A única explicação encontrada no momento é essa, ou seja, que são tão diferentes que se atraíram mutuamente. É realmente possível ocorrer um relacionamento entre duas pessoas que se diferem de forma tão intensa? Acredito que a resposta é não. Um relacionamento, na essência da palavra, acontece quando há pensamentos em comum, desejos semelhantes, ideias que não sejam antagônicas a ponto de colocar cada um de um lado da questão.
Tudo bem que às vezes nos deparamos com umas figuras que são, em princípio, tão diferentes da gente, que nos chamam a atenção, despertam algum desejo. Há duas explicações iniciais: ou sua atenção foi ligada por uma curiosidade imensa, ou há, em seu interior, vontade de ser semelhante àquele que você passou a admirar. Talvez, por causa dos caminhos tortuosos que a vida nos leva, não foi possível assumir determinada personalidade, desenvolver certos hábitos e, por isso, algumas coisas que aparentemente são diferentes do que pensamos nos chamam tanto a atenção.
Mas então, como que fica a bendita história da atração? Mais uma vez nesse texto, bifurcarei (existe essa palavra?): a atração possui dois sentidos, a depender do tipo de relação. Em uma coisa mais simples, como alguém ficar com outra pessoa numa noite, há menos exigência de quesitos. Talvez a simpatia, a beleza ou um corpo bonito bastam para atrair. Não se exige muito, já que a relação ocorre apenas naquele momento. Penso que, ainda nesses casos, é possível ver que outros quesitos são exigidos. Vai me dizer que você nunca levou um fora de alguém quando achava que já estava tudo conquistado? O que ocorreu ali foi o realce de diferenças, sua “lataria” agradou, mas o interior nem tanto.
O outro lado da atração acontece nos relacionamentos mais estáveis. Nesses há uma necessidade muito maior de pensamentos semelhantes, empatia. Não há como conviver diariamente com uma pessoa que pensa de forma tão diversa da sua. Lógico, seu chefe pode pensar assim, seus colegas de trabalho também, mas aí a relação é forçada, você engole algumas coisas para evitar atrito. Mas num namoro, por exemplo, é preciso que ambos estejam com o mesmo pensamento, que ajam no mesmo sentido, que busquem o mesmo ideal. Já acreditou em um namoro no qual você não via futuro? Você lutava e lutava e a cada dia mais vocês se afastavam? Não havia aquela sinergia esperada em um relacionamento? Pois é, talvez a explicação esteja mais ou menos por aí.
Não dá para investir em uma relação assim. Quando os dois buscam coisas tão diferentes, foram criados em ambientes tão diversos, passaram por realidades distintas, é preciso ponderar. Há alguma possibilidade de uma parte ceder e entender que o caminho da outra tende a ser melhor? Ela consegue ao menos enxergar que o que se busca é bom para ambos? Se não for possível isso, desista, não insista num relacionamento desses. Ainda que você sofra, verá que é melhor assim. Ou vive-se uma relação de ilusão, com alguma parte agindo de forma teatral e se corroendo por isso, ou parte-se para outro caminho, deixando livre a pessoa que está ao seu lado e buscando alguém que possa estar mais compatível com seus pensamentos e anseios. Esse é um provável caminho em busca de uma estabilidade menos traumática.
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É isso.
Obs: Esse texto foi escrito em uma madrugada de plantão, com quase 12 horas no trabalho. Sei que não ficou lá essas coisas, mas perdoem-me, escrevi assim mesmo, cansado e com sono... um dia qualquer desses eu tento arrumar... ou não!
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Você veio aqui para que?
Essa época me faz pensar em qual meu papel por aqui, nessa bolinha coberta de água. Não quero entrar num campo filosófico, de discussão de valores sociais, de essência do ser. Apenas penso que se estou aqui é porque há alguma razão de ser e, se existe tal razão, eu tento caminhar da melhor maneira possível. Sabe a história de se fazer a diferença no mundo? Pois é, eu penso nisso sim. Não tenho pretensões em ser Gandhi ou Mandela, não estou aqui para desarmar a bomba atômica, mas tenho convicção que posso fazer a diferença sim na vida de muitas pessoas. E como posso fazer isso? Simples! Com meu trabalho, qualquer que seja ele, realizado de forma honesta, com energia e foco na resolução de problemas alheios, sem desejar recompensas ou reconhecimentos globais.
É possível descobrir logo nosso papel? Acredito que não. Muitas pessoas passam anos, envelhecem e morrem sem saber de fato a que vieram aqui. Trabalham, batalham, mas não sentem em seu íntimo que estão fazendo a tal diferença. Isso gera um sentimento de frustração que muitas vezes não é compartilhado e morre com a pessoa. Você quer isso para sua vida? Quer passar anos e anos trabalhando em uma coisa que não lhe faz feliz? Lutar tanto e ver que você poderia ter feito outra coisa mais útil, não só para a sociedade, mas para sua vida? Claro que não. Ninguém quer isso, mas são poucos os que se atentam, são raros os que têm coragem para parar o ônibus e pedir para descer, para embarcar em outra direção, em uma vida que definitivamente tenha sentido.
Descobrir o que te faz feliz nem sempre é tarefa simples. Demanda tempo, reflexão, conversas, estudos. Mas esteja certo, caro amigo, essa dedicação vai valer a pena. Trabalhar naquilo que te faz bem é muito bom. O tempo passa mais rápido, o salário tem um valor maior, você é recompensado a todo o momento pelas mínimas coisas que acontecem. O árduo, do famoso “trabalho árduo”, desaparecerá.
O grande problema de se buscar aquilo que te satisfaça é que, como as outras coisas na vida, há um preço a ser pago. Há casos em que a própria pessoa banca a mudança, mas na maioria das vezes é preciso abrir mão de muitas coisas, de conforto, dinheiros dos pais, segurança. Não são todas as pessoas que estão dispostas a viver uma vida, ou parte dela, de sacrifícios em busca de um sonho. Não são todas as pessoas que enxergam além do dinheiro, que trabalham para que a visão não fique restrita ao campo monetário. Talvez aí esteja grande parte das frustrações dos tempos atuais, já que, por uma pseudo segurança, abre-se mão de um futuro promissor, em uma carreira onde a capacidade da pessoa pode ser explorada ao máximo.
Não é difícil. Revire seu baú de memórias, veja como agia quando criança, adolescente. Tente lembrar das coisas que gostava de brincar, do seu comportamento na escola, na rua. Parece uma tarefa boba, mas é possível ver que muita coisa dessa época vai refletir na sua escolha por uma profissão, ainda que você não faça uma ligação imediata desses dois momentos. E outra: não fique muito tempo em um lugar que te faça infeliz. Troque, corra atrás de outras coisas, veja seus talentos, seus dons e busque fazer atividades que possam parecer brincadeiras, que aí sim seu trabalho renderá muito mais e dará a você, diariamente, a sensação de dever cumprido.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Reagindo
Há diversas formas de se encarar um conflito. Segundo a doutrina que estuda a mediação de conflitos, as soluções mais usadas são o enfrentamento (verbal ou físico), a resolução (ou, ao menos, a tentativa) ou se ignora o problema. Cada uma dessas alternativas traz vantagens e desvantagens e são usadas de acordo com o perfil da pessoa e da real necessidade de determinando conflito ser solucionado.
Particularmente, opto pela opção de ignorar. Sei que não é a melhor, mas com ela evitam-se brigas, discussões, embates. Lógico que não vai resolver o problema, mas pelo menos outros não são criados. A grande desvantagem dessa opção acontece quando a outra parte envolvida também ignora. Isso cria um círculo vicioso e a coisa não anda, o problema não é resolvido e a relação, que antes era excelente, torna-se insuportável.
Tem gente que opta pelo enfrentamento. Ainda me assusto quando vejo essas pessoas buscando resolver os problemas dessa forma. Uma amiga, para resolver uma questão com um rapazinho pra lá de mentiroso, procurou o endereço da namorada atual do cara e foi lá falar, na frente da moça, inclusive, algumas verdades, desmascarando muitas mentiras que ele contava para ambas. Para piorar um pouquinho, essa minha amiga não tem, ao menos aparentemente, esse tipo de perfil. Ficou aí um bom exemplo de como a gente não sabe exatamente que tipo de atitude que vamos tomar quando tivermos que agir.
Não há uma receita de bolo para se resolver problemas. Cada um anseia uma reação diferente e cabe a nós decidirmos qual tipo de resolução daremos àquele caso. Fato é que nossa opção terá reflexo na posição da outra parte e, dependendo do que a gente escolher, pode magoar e piorar ainda mais as coisas. Vivemos numa cultura de não tolerar os erros alheios e temos muita dificuldade em aceitar que erramos. Pedir desculpas é algo raro hoje em dia. Buscar o diálogo, o entendimento, é tarefa que não é mais realizada. Perdem-se boas amizades por conta de fatos que nem ao menos sabemos do que se trata. Nem mesmo a causa do conflito é esclarecida, dificultando, para não dizer impossibilitando, qualquer tipo de acordo. O primeiro passo é saber onde você errou, o que fez para magoar a outra parte.
O ideal é que não houvesse desentendimentos, mas eles estão aí e precisam ser enfrentados. Buscar o diálogo é sempre a melhor opção, mas não é a única alternativa. Não ser rude e ter humildade são requisitos fundamentais para início de conversa. Aceitar que errou é importante. Pedir desculpas não dói. Ceder em alguma coisa é necessário. A grande questão é colocar em prática essas atitudes, mas o exercício deve ser diário e não podemos esmorecer... uma hora a gente evolui!
sábado, 5 de dezembro de 2009
Primeiras (e não finais) impressões
Constantemente ficamos diante dessa situação: somos apresentados a alguém e temos que, naquele curto espaço de tempo, demonstrar que somos “dignos” de interesse, que aquele desconhecido pode conversar conosco sem se arrepender. Para algumas pessoas isso é muito natural, algo quase instintivo. Para outras, entretanto, é tarefa árdua, mas que pode ser minimizada se houver colaboração da outra parte.
É natural as pessoas se conhecerem, acontece praticamente todos os dias. Somos seres movidos pela comunicação e pela necessidade de interação social. Lógico que isso varia de pessoa para pessoa, mas, no geral, é agradável conhecer pessoas novas, ficar sabendo de histórias de vidas diferentes da sua. A questão é como esse início de relacionamento acontece, se há alguma forma de torná-lo mais tranquilo, principalmente para aquelas pessoas caladas ou tímidas.
Para começar, é preciso distinguir uma pessoa calada daquela pessoa tímida, na essência da palavra. O tímido não consegue estabelecer uma relação, fica tenso quando alguém se aproxima, responde em monossílabas, respostas curtas, evitando contato visual, entre outras características. Já a pessoa calada não corresponde necessariamente a uma pessoa tímida. Vários são os fatores desse tipo de comportamento, mas creio que o mais comum é que esse tipo de pessoa prefere, ao menos num primeiro momento, ficar calada para observar o ambiente em que se encontra. Essa observação é muito importante para os calados, com ela é possível ver um pouco da personalidade dos frequentadores do local, ver com que é mais fácil estabelecer um contato inicial, entre outros fatores.
Há aquela ideia de que a primeira impressão é a que fica. Talvez isso seja verdade, mas é possível, dependendo da imagem que se tem no início, alterar essa impressão inicial. Lógico que um contato inicial muito traumático, com uma pessoa grossa, arrogante ou extremamente inconveniente, por exemplo, dificilmente terá a imagem alterada. Em outros casos, principalmente quando se tem contato com alguém que inicialmente lhe parece desinteressante, fútil, sem uma conversa atraente, há possibilidade de se reverter essa imagem, bastando, para isso, que se dê uma chance para essa pessoa.
E qual tipo de chance? Simples! Puxe conversa, tente entender um pouco mais aquela pessoa que está contigo, coloque na conversa assuntos que mexam com a atenção dela, enfim, dê um pouco de atenção que a coisa anda, você se surpreenderá com o que aquele desconhecido “chatinho” pode oferecer. Mais do que uma simples conversa agradável, esse inicio de relação pode se transformar em uma amizade sólida, com uma atenção que você talvez não tenha daquela pessoa que inicia um relacionamento em segundos.
Talvez o caminho mais fácil, e ao mesmo tempo mais difícil, seja nos livrarmos de qualquer espécie de preconceito. O famoso “não fui com a cara” significa que não demos a chance sequer daquela pessoa se apresentar, de conhecer o mínimo de sua personalidade. O fato de a ignorarmos, sob o argumento de que a outra pessoa se mostrou desinteressada, não quis muito papo, não serve e não deve ser usado nessa situação. Dê mais atenção àqueles que estão a sua volta, pense que pode haver uma pessoa interessada em conversar contigo, escutar seus problemas, compartilhar experiências, enfim, alguém que, após se estabelecer confiança, vai ser sempre um ombro amigo pronto para te ajudar.
É isso.
sábado, 28 de novembro de 2009
Síndrome do reclamão
Estar junto a um reclamão é tarefa extremamente complicada e requer muita habilidade, visto que a possibilidade de contágio, dependendo do dia em que você estiver, é alta. Caso ele te pegue desprevenido, com a alta estima baixa, chateado com alguma coisa, é provável que você se torne um, ao menos naquele momento. O único remédio nesse caso é refletir antes de ficar reclamando, pensar que isso não resolverá absolutamente nada os seus problemas e, provavelmente, apenas tornarão a percepção desses ainda maiores do que já são de fato.
O reclamão pensa que o mundo gira em torno dele e que há uma eterna conspiração de tudo e de todos contra ele. Se algo acontece, é porque ele estava na situação, senão seria diferente, correria tudo bem, tudo normal. Não, reclamão, não é isso. Os problemas acontecem com todo mundo e todo mundo sente da mesma forma. Ninguém tem sorte ou azar o tempo todo, as coisas passam, independente de quem esteja no foco da situação. Pare de pensar que tudo o que acontece é porque você está envolvido. Você é apenas mais um na engrenagem que move o mundo.
Cada um de nós tem sua importância no mundo, na família, no nosso círculo social, mas uma coisa muito fria e realista precisa ficar clara aqui: ser importante não significa ser fundamental, ser decisivo para que as coisas continuem funcionando. Quando a pessoa morre, ela deixa saudades, familiares e amigos ficam tristes, sentem falta. E só. Tudo continua do mesmo jeito, o jogo de futebol do seu time vai acontecer no próximo domingo, seu cachorro vai comer ração normalmente, seu namorado ou companheiro vai arrumar outra pessoa. É inevitável. E justo, muito justo. Ou você queria que todos entrassem em um luto infinito?
Outra coisa: só reclamar resolve? Pergunto isso porque o que mais se vê nesse tipo de pessoa são reclamações vazias, carentes de uma ação simultânea. Reclamar quando está ruim é normal, todo mundo faz. Mas quem reclama e age é uma coisa, quem reclama só por reclamar é que chateia. E os portadores da “síndrome do reclamão” já acordam reclamando, reclamam ao longo do dia e dormem da mesma forma. Basta olhar para a vida deles que se observa que a maioria das reclamações não procede, que ele fala de coisas que não existem e que as coisas que têm algum fundamento continuam da mesma forma, visto que ele nada faz para mudar a situação. Não muda por medo, por fraqueza, por saber que pode ficar muito pior do que virtualmente está, mas ainda assim continua reclamando.
Os reclamões possuem outra característica em comum, que é a de falar muito de si, de só falar na primeira pessoa. Como pensam que estão no centro do mundo, acreditam fielmente que sua posição ali, naquele momento, quer dizer alguma coisa. Expõem opiniões sobre tudo e sobre todos, do cocô à bomba atômica (essa citação é do Jô Soares), entram em polêmicas desnecessárias apenas para impor o ponto de vista e ficam extremamente chateados e furiosos quando discordam dessas opiniões.
Portanto, se você, caro amigo, se viu nesse texto (o que é difícil, porque os reclamões não aceitam opinião de ninguém, sobretudo quando se critica o modo de agir), repense alguns valores da sua vida, imagine que quem está ao seu lado não é obrigado a aguentar seu temperamento e que viver assim só afasta do seu convívio pessoas que lhe querem bem. Se você for um chefe assim, muitas pessoas ainda ficarão do seu lado, mas apenas por questões profissionais, puxando o saco de alguém insuportável e que, se tivesse escolha, seria a última pessoa a se querer por perto.
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É isso.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Amor, dependência e controle
Talvez você, caro amigo, já tenha reparado essa situação: uma pessoa que mal conhece a outra e já a trata pela alcunha de amor. É provável que a pessoa que diga isso nem perceba tanto, mas será que quem ouve não acha, no mínimo, estranho? Bom, eu acharia. Mais do que estranho, acharia vazio, desnecessário e, com toda certeza, falso. Alguns substantivos, como amor, amigo, entre outros, não devem ser dito tão desnecessariamente, não devem ser vulgarizados, colocados no mesmo patamar de outros com menos intensidade.
Outra situação é a confusão que existe entre amor e dependência. Essa dependência, aliada ao comodismo, faz com que algumas pessoas confundam os sentimentos, achando que amam aqueles que apenas estão cotidianamente em suas vidas, que são presentes como uma carteira ou um celular, que farão falta quando “sumirem”, mas que poderiam ser substituídos por outra pessoa, sem maiores traumas. Acontece que optar por essa troca não é tarefa simples e, dessa forma, as pessoas vão levando seus relacionamentos, deixando passar o tempo e não se dando conta de que isso só aumentará o sofrimento quando essa relação se romper.
Ser dependente de outra pessoa tem diversas implicações negativas. Não se vive uma vida dessa forma, senão corre-se o risco de não ver a maior parte de suas vontades satisfeitas, de ver que sua vida passou em função de outra, em função de desejos de outra pessoa, muitas vezes não coincidindo com os seus. O problema é que quase sempre quem está nessa situação não consegue visualizar que a vida corre dessa maneira. Quem vive iludido, achando que tudo é em função do amor, até briga quando outra pessoa faz algum comentário sobre essa situação, acha que é inveja, ciúmes, etc. Pode até ser mesmo, mas em muitos casos não é. Quem está de fora consegue enxergar coisas diferentes, pode ver o mal que a pessoa está fazendo a si mesmo se enganando dessa maneira.
Por último, acho interessante falar no amor como subsidio para controle. É importante, caro amigo, dizer que essa situação não é necessariamente o contrário da dependência, já que muitas pessoas controladoras são, ao mesmo tempo, extremamente dependentes. De fato, talvez essas duas características andem lado a lado, mas não necessariamente na mesma proporção. Por amor, controla-se os passos da outra pessoa. Com a justificativa do amor, sacrifica-se um descanso, uma coisa importante a ser feita, para exercer o controle. Quem controla precisa abdicar de atividades necessárias para ter tempo de controlar. Quem é controlado, considera essa “dedicação” excelente, acredita que o amor faz com que ela tenha toda atenção do mundo, não conseguindo ver, todavia, qual a real intenção desse tipo de atitude.
No mais, é isso. Sei que pode parecer uma visão muito pessimista, mas penso que nada mais é do que a observação um pouco mais fria, um pouco menos romântica, de situações cotidianas. Lógico que tem muita gente feliz com a vida desse jeito, mas talvez esse conceito de felicidade, esse suposto ápice que ela acha que vive, não seja absolutamente nada em vista do que ela poderia viver se pensasse de outra forma.
domingo, 18 de outubro de 2009
Dizendo adeus
Ninguém gosta de perder, ninguém quer ficar por baixo. Acontece que isso é necessário para que se abra um leque de novas possibilidades. É muito cômodo ficar numa situação que, embora pareça confortável, só se desgasta a cada dia que passa. Sair dessa situação não é enganar ninguém, ainda que o outro lado refute em aceitar. As mudanças são imprescindíveis, muda-se o jeito, muda-se a pessoa, muda-se o local, tudo em busca de algo que satisfaça as necessidades de um determinado momento.
Quando mudamos, somos vistos como traidores, como escrotos (desculpem esse tipo de expressão, mas é literalmente o que já ouvi em determinando momento de minha vida), traíras, idiotas, enfim, palavras que denotam a insatisfação daqueles que são diretamente atingidos por nossas ações. Talvez elas estejam com alguma razão, mas é improvável pensar numa vida vivida em função do desejo alheio. Cada vida é única e deve ser vivida de acordo com a vontade de seu respectivo dono (obviamente respeitando alguns limites, principalmente aqueles que atingem a esfera alheia).
Mudar não significa necessariamente girar 180º. Pode-se mudar algum detalhe e essa pequena alteração, por menor que seja, traz paz e conforto para quem mudou. Quem está do outro lado, ou seja, quem tem que suportar essa mudança, precisa enxergar o bem que isso pode fazer para o outro. Sacrificar significa renunciar voluntariamente, dedicar com ardor. Vez em outra esse tipo de sacrifício pode ser crucial para que o entendimento volte a reinar entre as pessoas.
Pensamos sempre que conhecemos o outro lado. Quanta inocência, quanta ingenuidade! Sabemos muito pouco de qualquer outra pessoa, por mais próximos que sejamos dela. Conhecer o íntimo, os desejos, intenções, anseios, é muito mais difícil do que se imagina. Pense em você mesmo, caro amigo: você revela tudo o que se passa em seu interior? Deixa as pessoas conhecerem seus sentimentos mais profundos? Penso que a resposta só pode ser negativa. Revelar tudo nos torna vulneráveis, temos receio disso, medo de ficarmos expostos demais ante as pessoas.
Essa falta de conhecimento alheio leva às brigas, aos desentendimentos, causa confusão, visto que imaginamos uma coisa que não corresponde à realidade. Ficamos frustrados por não dominar os sentimentos da outra pessoa, mas é preciso saber que isso é tarefa impossível. Não vale a pena se prender a isso. Relaxe, viva o que der, o quanto der, com a maior intensidade possível. Se vai dar certo, se vai durar? Não sei. Apenas penso que não há outro caminho menos espinhoso para irmos preenchendo nossas vidas com momentos importantes, agradáveis e que ficarão guardados conosco enquanto vivermos.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Nossos dados vazaram!!!
-Telefonista: Pizza Hot, boa noite!
-Cliente: Boa noite, quero encomendar pizzas...
-Telefonista: Pode me dar o seu NIDN?
-Cliente: Sim, o meu número de identificação nacional é 6102-1993-8456-54632107.
-Cliente: Como você conseguiu essas informações todas?
-Cliente: Ah, sim, é verdade! Eu queria encomendar duas pizzas, uma quatro queijos e outra calabresa...
-Telefonista: Talvez não seja uma boa idéia...
-Cliente: O quê?
-Telefonista: Consta na sua ficha médica que o Sr. sofre de hipertensão e tem a taxa de colesterol muito alta. Além disso, o seu seguro de vida proíbe categoricamente escolhas perigosas para a sua saúde.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
O que busca?
O que buscamos, afinal? Buscamos bons empregos, boas faculdades, bons relacionamentos, tudo isso a troco de que? Para se ter estabilidade financeira, ter dinheiro para fazer o que quiser, seriam as respostas diretas a estas questões. Mas isso é muito pouco, muito vago, é um fim que não paga o preço do meio em que se viveu para obtê-lo.
Muita gente passa longos anos sacrificando suas vidas em prol de um objetivo que não é claro nem mesmo para elas. O simples objetivo de passar em um concurso, por exemplo, apenas para se ter um emprego de renome e ter uma vida financeira mais tranquila não é justificativa plausível para tanto sacrifício. Deixamos de lado nossos amigos, pessoas com as quais nos relacionamos, família, enfim, vários pilares que nos sustentam nos piores momentos apenas para ser um servidor público e ter nosso salário ali na conta todo mês? Acredito que não.
A palavra de ordem é ponderação. Penso que qualquer objetivo que você tenha em mente pode e deve ser alcançado sem o sacrifício total de outras relações. Ao contrário de pregações do tipo “Willian Douglas”, acredito que há sim possibilidade de conciliar a vida profissional com a vida pessoal. E não é uma conciliação como ele afirma, de você usar o tempo quase que exclusivamente para estudo ou trabalho e deixar o que sobra para se divertir. É possível fazer bem as duas coisas e é importante que se faça isso.
Pense bem: hoje você está em busca dos seus sonhos e se dedica exclusivamente a eles, abdicando de outras coisas que lhe dão prazer. Daqui a alguns anos, terá o que sonhava. Tudo bem, seu desejo foi realizado. Mas o que te dá prazer hoje em dia, provavelmente não dará daqui uns tempos. A idade faz com que percamos o prazer em desfrutar de certas coisas, seja uma pelada com os amigos, seja uma cervejinha no boteco “pé sujo”, ou até mesmo uma micareta de pegação desenfreada. E aí, valeu a pena não ter passado por essas experiências em prol da busca de um ideal que você nem mesmo sabe se lhe renderá satisfação?
Nossa vida é o somatório de experiências. O celular de última geração, o carrão, o apartamento chique dificilmente entrarão em suas conversas e relatos de seu passado. Mas suas experiências sim, farão parte de sua memória, dirão quem você é e quem você foi, falarão muitas coisas sobre sua personalidade. Não há porque deixar essas oportunidades passarem sem vivenciá-las, não há porque ser somente mais um ser que tem, mas que não é. O ter passa, se torna obsoleto, sem utilidade e com alta dosagem de futilidade. O ser não, o ser fica, se impõe, é sempre uma soma na sua vida.
Então, caro amigo, cuidado com o estilo de vida que adota. Tudo bem em buscar ganhar mais, ter estabilidade, ter reconhecimento na sua carreira. Mas em nada isso vai servir se você não viveu sua vida, se não passou por experiências que, quando for mais velho, ainda que tenha muito dinheiro, não voltarão jamais. Viva mais, use seu tempo de forma mais coerente. Não seja um viciado em trabalho ou estudo, deixando de lado pessoas boas, momentos bons. O preço que você pagará por essa omissão não terá como ser ressarcido.
terça-feira, 7 de julho de 2009
O que? Quando? Como?
Abrir mão de determinadas coisas causa angústia, sofrimento, arrependimento, vontade de voltar atrás na decisão, principalmente quando a opção escolhida não supre a necessidade, não tem o resultado esperado. Algumas vezes esse retorno é possível, mas na maioria das vezes não. Como administrar esse tipo de situação, minimizando os impactos na nossa vida e na das outras pessoas envolvidas?
Nesse jogo de escolha não temos nenhum instrumento que irá analisar quantitativamente as opções e dar o veredicto sobre qual será mais benéfica para nossas vidas. Amigos, parentes, pessoas próximas, sempre poderão das suas opiniões, tentar mostrar um ponto de vista diferente que pode até clarear as idéias, trazer soluções diferentes. Acontece que a decisão final é nossa e, por isso, pesa na decisão um fator que entra em cena nessa hora, chamado intuição. É a intuição que fazer a balança pender para determinado lado logo de cara, logo quando estamos prestes a ter que tomar a decisão.
O problema da intuição é que ela é carregada de emoção, ao passo que o mais exigido numa hora dessas seria a razão. Seria, pois somente a razão nos prega ao chão, não nos deixa sonhar mais alto, vislumbrar possibilidades. Por isso a intuição se faz tão importante numa escolha.
Sabe, caro amigo? Esse texto não é resposta para nada, assim como penso que nenhum outro é. Mas esse, em especial, é somente para deixar registrado aqui meu desejo de mudar. Mudar em que ainda não sei. Mas mudar, apenas mudar. O universo conspira para isso, dá sinais, cada dia mais claros, que essa mudança está chegando. É preciso enxergar isso, ver que não existe somente um lado da moeda, que não existe somente uma fruta no pé. A estação é inverno, mas vem aí a primavera para fazer a árvore da sua vida florescer, dar frutos novos, frutos que saciarão seus desejos, que te mostrarão novos sabores. Viva esses sabores, esses cheiros, extraia da vida um novo suco, um suco que garantirá uma energia até então desconhecida.

