Algumas considerações iniciais

Tentarei manter uma regularidade nas postagens, mas não combinarei prazos. Por ser uma das válvulas de escapes utilizadas por mim, deixarei que este blog seja alimentado de acordo com a inspiração, e não com o calendário.

Gosto dos comentários. Não são, para mim, apenas um sinal de popularidade, como a maioria dos blogs que vejo. Eles têm um significado maior, que é o de saber como as pessoas que aqui estão pensam sobre os assuntos que comento. Portanto, fique à vontade para escrever. Na medida do possível, responderei a cada um deles.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Positivo atrai negativo, negativo atrai positivo

Em muitos casos, as leis da física são aplicadas ao nosso cotidiano, são usadas metaforicamente para explicar situações do nosso dia a dia. Uma dessas leis sempre me chamou a atenção, não pela sua aplicabilidade, mas sim pelo seu uso disseminado, que acaba se tornando uma verdade para muitas pessoas. É a famosa lei que fala que os opostos se atraem. Sim, é uma lei da física, visto que é utilizada nos imãs. E somente neles, creio eu.

Esse jargão é utilizado quando algumas pessoas vêem relacionamentos entre indivíduos que são, aparentemente, muito diferentes entre si. A única explicação encontrada no momento é essa, ou seja, que são tão diferentes que se atraíram mutuamente. É realmente possível ocorrer um relacionamento entre duas pessoas que se diferem de forma tão intensa? Acredito que a resposta é não. Um relacionamento, na essência da palavra, acontece quando há pensamentos em comum, desejos semelhantes, ideias que não sejam antagônicas a ponto de colocar cada um de um lado da questão.

Tudo bem que às vezes nos deparamos com umas figuras que são, em princípio, tão diferentes da gente, que nos chamam a atenção, despertam algum desejo. Há duas explicações iniciais: ou sua atenção foi ligada por uma curiosidade imensa, ou há, em seu interior, vontade de ser semelhante àquele que você passou a admirar. Talvez, por causa dos caminhos tortuosos que a vida nos leva, não foi possível assumir determinada personalidade, desenvolver certos hábitos e, por isso, algumas coisas que aparentemente são diferentes do que pensamos nos chamam tanto a atenção.

Mas então, como que fica a bendita história da atração? Mais uma vez nesse texto, bifurcarei (existe essa palavra?): a atração possui dois sentidos, a depender do tipo de relação. Em uma coisa mais simples, como alguém ficar com outra pessoa numa noite, há menos exigência de quesitos. Talvez a simpatia, a beleza ou um corpo bonito bastam para atrair. Não se exige muito, já que a relação ocorre apenas naquele momento. Penso que, ainda nesses casos, é possível ver que outros quesitos são exigidos. Vai me dizer que você nunca levou um fora de alguém quando achava que já estava tudo conquistado? O que ocorreu ali foi o realce de diferenças, sua “lataria” agradou, mas o interior nem tanto.

O outro lado da atração acontece nos relacionamentos mais estáveis. Nesses há uma necessidade muito maior de pensamentos semelhantes, empatia. Não há como conviver diariamente com uma pessoa que pensa de forma tão diversa da sua. Lógico, seu chefe pode pensar assim, seus colegas de trabalho também, mas aí a relação é forçada, você engole algumas coisas para evitar atrito. Mas num namoro, por exemplo, é preciso que ambos estejam com o mesmo pensamento, que ajam no mesmo sentido, que busquem o mesmo ideal. Já acreditou em um namoro no qual você não via futuro? Você lutava e lutava e a cada dia mais vocês se afastavam? Não havia aquela sinergia esperada em um relacionamento? Pois é, talvez a explicação esteja mais ou menos por aí.

Não dá para investir em uma relação assim. Quando os dois buscam coisas tão diferentes, foram criados em ambientes tão diversos, passaram por realidades distintas, é preciso ponderar. Há alguma possibilidade de uma parte ceder e entender que o caminho da outra tende a ser melhor? Ela consegue ao menos enxergar que o que se busca é bom para ambos? Se não for possível isso, desista, não insista num relacionamento desses. Ainda que você sofra, verá que é melhor assim. Ou vive-se uma relação de ilusão, com alguma parte agindo de forma teatral e se corroendo por isso, ou parte-se para outro caminho, deixando livre a pessoa que está ao seu lado e buscando alguém que possa estar mais compatível com seus pensamentos e anseios. Esse é um provável caminho em busca de uma estabilidade menos traumática.
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É isso.

Obs: Esse texto foi escrito em uma madrugada de plantão, com quase 12 horas no trabalho. Sei que não ficou lá essas coisas, mas perdoem-me, escrevi assim mesmo, cansado e com sono... um dia qualquer desses eu tento arrumar... ou não!

7 comentários:

Mulher na Polícia disse...

Vixe!

Se você estiver certo... eu estou enrolada, mesmo!

rs rs rs

Vitão disse...

É Novinha...mas você sabe que muitas vezes a gente vai levando um relacionamento por insistência, ou por pena, ou pensando que a pessoa pode mudar e melhorar. Mas isso quase nunca acontece... se as diferenças forem gritantes, o conflito sempre vai existir...

Beijos!

Nona disse...

Olá!
A leitura me fez fazer um resgate de todo o tipo de relacionamentos. É bem verdade que aquele tipo oposto te atrai porque te completa, mas na maioria das vezes é porque te chama a atenção pra algo novo ou diferente. Pensando em uma relação mais duradoura pode ser que aquele tipo de atração se transforme em laços fortalecidos, mas querer coisas diferentes e estarem em sintonias diferentes complica tudo. Eu mesma já tem levar adiante uma relação onde havia sentimentos, mas não havia uma ligação maior. Que aquele que nos une por ideais, ideias, visões de mundo e história de vida. Pode haver a admiração, mas buscar coisas diferentes nos faz viver em mundos diferentes e em realidades distantes.
Por isso, também aprendi que uma relação mais sólida é construída por duas pessoas bem semelhantes. Nada impede que se ocorra o contrário, mas é mais gostoso quando está tudo sincronizado!

Tiburciana disse...

Ai Sr Vitor Oliveira esse texto me fez refletir muito por diversas vezes voltei e li novamente a frase por que me perdia nos meus pensamentos.
Penso como vc diz no texto sem afinidade não rola, pode existir pequenas diferenças, essas sim apimentam a relação, mas o que se procura , planos objetivos, personalidades
carater isso tem que sim ser parecido
bjos Lindo

Isabela disse...

Oi Victor! Primeiro, gostei do texto, mesmo depois de um plantão de 12 horas, você escreveu super bem hehehe
Concordo em partes que os opostos se atraem, pois sempre um tem que ceder na relação, uma pessoa calma, contra uma estourada, sempre perde! mas ao mesmo tempo, se não houver um equilíbrio na relação, uma paz, é impossível ela durar!
Beijo

Guilherme Freitas disse...

Victor, não precisa arrumar seu texto não. Ele está perfeito e muito bem escrito. O jargão “opostos se atraem” as vezes dá certo e as vezes não. Muitas vezes as pessoas procuram alguém diferente, porque querem algo diferente. Outras vezes querem alguém similar, para não arriscar. Creio que cada caso é um caso! Abraço.

Shirley disse...

Olá Victor!
Sempre o via divulgando seu blog, mas confesso que só há pouco tempo vim dar uma olhada. E achei muito bacana. Parabéns!
Uma das formas de exteorizar os sentimentos, em referência a um de seus posts, é escrever sobre eles. Não sei se você parte de experiências pessoais, observações do cotidiano ou ambos. Mas seus textos comportamentais conseguem expressar o que passamos, pensamos e sentimos, de maneira simples e coesa. Tocando, assim, seus leitores. E a mim não foi diferente.
Fico feliz em ver que você correu atrás dos seus objetivos e vem os conquistando. Não duvidava disso. Admirava-o por ser uma pessoa focada, disciplinada e persistente na busca dos seus sonhos. Agora passo a admirar também, o escritor/blogueiro.
Um abraço.