Se existe algo que realmente me faz refletir sobre muitas coisas, esse algo é o fenômeno da morte. Esse ainda não é o texto definitivo que quero escrever sobre o assunto, pois primeiro vou pesquisar a fundo como a morte é vista pelas religiões para poder, enfim, dissertar sobre esse tema que tanto chama minha atenção. De todo modo, seguem algumas linhas, que me vieram como uma quentura no peito, pedindo para aqui estarem nesse momento.
A morte, e aqui não posso fugir daquele pensamento clichê, é uma das únicas, senão a única, certeza que temos nessa vida. Nascemos? Vamos morrer! Mas e daí, por que falar disso agora? Porque a morte influencia praticamente tudo em nossa vida. Deixamos de fazer coisas por medo de morrer, fazemos outro tanto por medo de morrer, vivemos o tempo todo com esse receio, ainda que não pensemos nisso constantemente. A morte é um verdadeiro freio social. Tirando o lado religioso, no qual não quero entrar no mérito agora, ela segura nossos anseios, impede que façamos coisas que, apesar de nos darem prazer, antecipariam a morte, diminuiriam nossa permanência por aqui.
Quando vejo uma pessoa já bem idosa, sem consciência, ou mesmo alguém que sofreu um acidente e vive (ou sobrevive) em um estado vegetativo, penso que seria melhor não permanecer nesse estado. Não pretendo discutir a questão da eutanásia, mas acredito que em determinadas situações ela não é ruim. Acontece que esse é um ponto de vista de quem está de fora. É provável que quem esteja passando por isso, com raras exceções, queira mais é viver, acredita que a luta deve ser até o final, até quando os remédios e aparelhos não mais surtirem efeitos. Quem está vivo não quer morrer, ainda que essa ideia de vida nos pareça um tanto superficial, ante o estado em que a pessoa se encontra.
Essa semana ocorreu a morte de um jogador de futebol de salão, que ao dar um carrinho, teve sua perna perfurada por um pedaço de madeira que se soltou da quadra. Ele foi socorrido, mas morreu no hospital, com hemorragia. Vejo isso e penso na estupidez que é a morte, como ela vem dos modos mais impensáveis possíveis, como atinge as pessoas de maneira improvável. Como um cara que sai de casa para jogar bola morre assim? Como alguém que vai passar o ano novo em Angra dos Reis morre soterrado? Como uma missionária vai ao Haiti para ajudar e perde sua vida por lá? Até esse trecho, caro amigo, muitas pessoas já perderam a vida ao redor do mundo, das mais diversas maneiras possíveis.
Apesar de trágico, o evento morte também tem seu lado positivo (não pense que é somente para os donos de funerárias). Quando a morte se aproxima, quer seja por uma passagem abrupta, como um acidente, ou menos célere, como nas doenças, acontece uma espécie de revolução na vida das pessoas, ou ao menos era para acontecer. As pessoas que passaram pelo estado de quase morte conseguem enxergar coisas por um ponto de vista bem diferente daquelas pessoas que não tiveram essa sensação.
A principal mudança é o desapego a coisas materiais e a concentração de energias nos sentimentos e nas relações. Passar por isso faz o dinheiro, os carrões e os bens perderem grande parte de seu brilho. Para que acumular milhões de dólares, se você pode acumular centenas de amigos de verdade. Para que andar de Ferrari, se você pode pegar um ônibus lotado de pessoas legais, que querem seu bem? Por que tomar champagne ao lado de pessoas esnobes, se é bem mais agradável dividir aquela cervejinha com os amigos de infância que sempre estiveram presentes em sua vida? Uma pessoa com muitos bens estará sempre cercada de gente, mas nunca de pessoas. Basta secar a fonte, o dinheiro ir embora, que a maior parte desse povo vai junto, atrás de outras pessoas dispostas a pagar por uma falsa felicidade ao lado de gente não menos falsa.
Estar próximo à morte ou conviver com alguém que passe por isso, faz pensar um pouco diferente, ainda que essa diferença seja sutil. É o momento de ver que nada daquilo que se tem importa, que o que vale a pena é aquilo que se é, o seu ser, seu carisma e estima que as outras pessoas mantém por você. Morreu, é o fim. Ficam as posses, o dinheiro guardado. Dinheiro mais caro do mundo, pois deixou de ser gasto naquilo que iria fazer feliz, naquilo que iria dar prazer. Valeu a pena guardar tanto? Claro que não! Desapegue-se da matéria, apegue-se às relações, invista na emoção e o retorno estará garantido.
É isso.
Muitas vezes queremos expressar algum sentimento, alguma opinião em relação a determinados assuntos. A possibilidade de escrever e montar um registro público destas manifestações me agrada. Farei aqui um espaço para falar, conversar, debater, me expressar.
Algumas considerações iniciais
Gosto dos comentários. Não são, para mim, apenas um sinal de popularidade, como a maioria dos blogs que vejo. Eles têm um significado maior, que é o de saber como as pessoas que aqui estão pensam sobre os assuntos que comento. Portanto, fique à vontade para escrever. Na medida do possível, responderei a cada um deles.
quinta-feira, 11 de março de 2010
(Des) apegar
quinta-feira, 4 de março de 2010
MONALISE-SE
Não me pergunte como nem por que, mas foi realizado um estudo matemático sobre esse sorriso e, pasmem, através da análise de um computador constatou-se que Mona Lisa é uma mulher 83% feliz, 9% enjoada, 6% atemorizada e 2% incomodada (Wikipedia). Imaginem só: se ela é altamente feliz com aquele sorrisinho de canto de boca, que dirá então o da Fafá de Belém?
Independente do estilo ou mesmo da intensidade, a verdade é que o sorriso é fundamental na nossa vida. Rir, quando o sorriso vem de dentro, faz bem, ajuda a esquecer problemas, abre portas para novas relações. Um sorriso, quando é dado com sentimento, de verdade, provoca alterações no corpo, dá uma pausa em todo negativismo que nos ronda e joga na corrente sanguínea alguma substância que relaxa, que nos deixa com uma sensação de conforto.
Sorrir é a ponta de um iceberg chamado pensamento positivo. Pessoas que pensam assim, que agem sempre com o intuito de que as coisas darão certo, sorriem mais. Mas isso não quer dizer, necessariamente, que quem vive mostrando os dentes por aí seja uma pessoa positiva. Muitas pessoas tentam passar uma imagem de felicidade, mas no fundo estão se corroendo, sofrendo e, ainda que não percebam, entrando em um círculo vicioso ainda maior, já que ao não assumirem os problemas, ao tentarem mascará-los, a angústia vem muito maior do que é na verdade.
O outro lado também não é benéfico. Pessoas emburradas, mal humoradas, que não conseguem achar graça em nada, sofrem por dentro, não gostariam de estar nesse estado de espírito, mas pouco fazem para mudar, quer seja por orgulho, quer seja por receio de serem vistas como inocentes demais, iludidas, ingênuas. Há pessoas que só enxergam as coisas com esse tipo de olhar, só pensam de forma negativa, não observam que praticamente tudo pode ter um lado positivo, nem que seja apenas a experiência de ter vivido um momento ruim, experiência essa que servirá para nos deixar menos vulneráveis caso esses eventos ocorram novamente.
Tentar enxergar as coisas sob um ponto de vista menos pessimista é o caminho. Obviamente que não estou incentivando que se abandone o espírito crítico, que se deixe de lado a raiva, a reprovação, quando a situação assim exigir. Mas tudo isso tem um limite, ou seja, aquele momento é sim importante, mas não é recomendável internalizar isso, levar a ferro e a fogo, fazer dele uma constante em sua vida. Isso sim faz mal, nos diminui como seres humanos, coloca sobre nossas cabeças uma nuvem carregada de energias ruins.
O aviso aqui, caro amigo, é pensar e fazer o bem sempre. Mas o que é esse tal bem? Acredito ser aquilo que mexe conosco e que, ao mesmo tempo, não interfere negativamente na vida de ninguém. Além disso, sorria! Rir de piadas, de situações, relembrar fatos engraçados do passado, mas rir. Passar a vida de mau humor não vai melhorar em nada seu cotidiano, vai afastar pessoas legais do seu caminho. Um sorriso bem dado abre portas, portas físicas e sentimentais...pense nisso!
É isso.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Então é não, senão...
Ficar em cima do muro nem sempre resolve, apesar de ser uma solução menos traumática em muitos casos. A chance de não causar transtornos é menor se não assumirmos uma postura que venha contrariar pontos de vistas alheios. Diga-me, caro amigo, se você já conviveu com pessoas assim, que tentam ser sempre conciliadores de tudo e de nada, que não adotam o ponto de vista apenas para não baterem de frente com ninguém, ainda que esse pequeno embate em nada interferirá em sua vida. É mais fácil encontrar esse tipo de pessoas do que se imagina.
Ser flexível é uma característica importante, não é necessário bater o pé e brigar apenas para satisfazer o ego. As mudanças de opiniões ocorrem naturalmente, na medida em que vamos amadurecendo, vendo que nada é imutável, que o ponto de vista de hoje pode não ser, necessariamente, o de amanhã. O nome disse é evolução. Evoluímos quando somos capazes de nos colocar no lugar do outro, para tentar entender o motivo daquela opinião; evoluímos ao aceitar que nosso ponto de vista é retrógrado, que não cabe mais naquele momento, naquela situação.
Dizer sim a tudo e a todos vai nos tornar pessoas mais queridas, é bem provável que isso aconteça. Fato é que, ser solícito sempre é bom para quem está de fora, mas pode ser terrível para quem age assim a todo o momento. Fazer coisas que nos desagradam apenas para satisfazer desejos de outros não é produtivo, não nos tornam pessoas melhores. As coisas realizadas dessa maneira não carregam a carga do prazer, da nossa dedicação. Isso pode nem ser notado por quem recebe, mas nós, que produzimos, vemos que ali não tem a perfeição que um ato feito de coração teria.
Perde-se muito ao evitar o uso do não. Perde-se confiança, porque as pessoas começam a ver que sua personalidade é frágil, que não possui valores próprios, ideais. Perde-se oportunidade, visto que despendemos tempo e energia em tarefas que não nos satisfazem. E, por fim, perde-se a auto estima, pois iremos viver sempre em função daquilo que esperam de nós, e não do que realmente acreditamos, bastando que outra pessoa diga um sim melhor que o nosso para que aqueles que achamos estar ao nosso lado nos deixem.
Acredite em você, saiba que dizer não a alguém pode ser benéfico, pode mudar o destino daquela pessoa. No início pode até aparecer uma mágoa pelo fato dela ter sido contrariada, de não ter o desejo satisfeito. Mas ela vai amadurecer, vai refletir, ver que nem sempre se tem aquilo que se quer, que o mundo não vai dar o mesmo tratamento que os pais deram. Com isso ela vai buscar o melhor, correr com as próprias pernas, enxergar que ela consegue sem ter que depender de ninguém. E, tenha certeza, um dia ela será grata por ter ouvido aquele sonoro não de você.
É isso.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Orgulhoterapia
Ninguém gosta de ser contrariado e, se fosse possível, as coisas deveriam acontecer sempre do modo que pensamos ser melhor. Sim, é um pensamento egoísta e que, felizmente, deixamos de colocar em prática por diversas questões, principalmente quando pensamos que isso só vai dificultar as relações interpessoais, que vai nos tornar pessoas menos sensíveis às causas alheias.
Cada um reage de uma maneira quando observa que não se seguiu aquilo que pensava, que achava ser a melhor opção. Uns ficam tristes, outros irritados, cabisbaixos e até mesmo depressivos. Há aqueles que internalizam e sofrem sozinhos e aqueles que deixam transparecer, não importando com o que as pessoas em volta irão achar daquele comportamento.
Fato é que, variando apenas quantitativamente de pessoa para pessoa, um sentimento vem à tona nesse momento. Esse sentimento é o que conhecemos por orgulho. Buscando auxílio do meu amigo Aurélio novamente, orgulho pode ser definido, no sentido que busco aqui, como um “conceito elevado ou exagerado de si próprio; amor-próprio demasiado; soberba”. Será que tal sentimento já rondou seu coração alguma vez, caro amigo? Bem provável que sim, não é?
Não é passível de crítica se isso já lhe ocorreu alguma vez. É natural sentirmos isso quando nos vemos em situações nas quais somos contrariados. Nosso amor próprio faz com que as possibilidades de resolução daquele determinado problema sejam reduzidas. Em alguns casos, não conseguimos enxergar que apenas uma atitude, uma palavra, poderia minimizar os impactos negativos de nossas decisões. Mas não, preferimos assumir aquela postura como uma verdade absoluta, sem qualquer possibilidade de alteração.
O orgulho só nos diminui, apesar de parecer o contrário. A própria valorização, se feita de forma demasiada, também nos diminui. Não aceitar o ponto de vista contrário, ou ao menos tentar compreendê-lo, idem. Como visto, caro amigo, se isolar dentro de seu imaginário, de suas convicções, pode ser maléfico, pode torná-lo uma pessoa menos querida, menos acessível. O que se ganha sendo intransigente? Absolutamente nada.
A pessoa orgulhosa não assume que errou, não consegue pronunciar a palavra desculpa. Em muitos casos tem ciência que não agiu corretamente, que poderia ter adotado outra postura. Fica sem conversar com pessoas queridas porque não enxerga nada além do seu próprio ponto de vista. Perde dias, meses e até mesmo anos de um bom relacionamento com uma pessoa querida, ainda que essa pessoa tente restabelecer a relação. E para que tudo isso, a troca de que? Mais uma vez é resposta é: para nada.
Não há muito que se dizer a uma pessoa que tem no orgulho a base de seus sentimentos. É muito complicado querer mostrar a ela que existe outro caminho, que outro ponto de vista pode ser mais interessante. Ela mesma precisa mudar, impor barreiras a esse sentimento, enxergar que em nada ele pode beneficiar. Isso é um processo de auto conhecimento, de evolução, que deve ser duradouro, uma batalha diária. Uma transformação lenta e gradual, com pitadas caprichadas de humildade, compaixão, bom senso, enterrando esse orgulho o mais fundo possível, para que ele jamais volte.
E como lidar com pessoas assim? Eis uma resposta ainda mais complicada. É louvável tentar contato, aparar arestas, mostrar o outro ponto de vista de uma forma mais sutil, menos conflituosa. Mas até que ponto, até quando é possível agir dessa maneira? Acredito que seja até o momento em que sua vida não será anulada por causa disso. Correr atrás de alguém que não aceita que errou, que não vê que estamos perto para ajudar, é desgastante e, na maioria dos casos, não surte resultados. Fique bem consigo mesmo, pense que você fez o máximo que poderia ter feito. Um dia, e é bem provável que esse dia chegue, o orgulhoso verá que poderia ter sido diferente, que ele jogou fora a chance de ser feliz naquele momento por pura vaidade. Aí será tarde, bem tarde...
É isso.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Velando a hipocrisia
A hipocrisia, segundo meu amigo Aurélio, trata-se de impostura, fingimento, simulação ou falsidade. Mais do que isso, é um comportamento inerente ao ser humano, que utiliza esse subterfúgio para parecer mais sensível, menos frio e calculista. Somos constantemente hipócritas, tentamos passar uma imagem melhor do que carregamos em nossa essência, agimos seguindo algumas convenções sociais, ainda que desagrade, apenas para sermos mais bem aceitos na comunidade na qual vivemos.
Não sei se existe outro lugar onde melhor vejo a expressão da hipocrisia do que um velório. O ambiente é muito triste para a maioria das pessoas, um ente querido que se foi, uma vida reduzida a um corpo dentro de um caixão. Todo esse clima proporciona um tipo de conversa, que acontece após aquele momento de impacto de ver a pessoa morta, que é amparada, na maioria das vezes, por discursos hipócritas.
O papo geralmente é o mesmo: “é, a gente precisa aproveitar mesmo a vida, nunca sabemos quando vamos embora desse mundo” ou então “a gente não leva nada dessa vida, não devemos ser apegados a coisas materiais, não se leva nada no caixão”. Papo furado! Observe as pessoas e veja: quem mais fala isso são as que agem justamente ao contrário do que estão pregando, que vivem apenas em função das coisas, não dos seres.
A morte deveria mesmo abrir nossos olhos para essas questões. Por que ser tão apegado a bens, a coisas? Por que não ajudar a quem precisa? Por que não fazer coisas que dão prazer apenas para guardar dinheiro, ou apenas para não ficar mal visto no grupo social, ainda que o desejo não seja ilegal ou imoral, por exemplo? De fato, o discurso nos cemitérios é a verdade que se deseja, mas não a verdade que se busca, a que se manifesta em nosso cotidiano.
Viver a vida sem ter esse apego excessivo à matéria seria muito melhor. Ajudar quem precisa, dentro das nossas possibilidades, é uma dádiva. Infelizmente nosso sistema é cruel, só existem pessoas ricas porque há uma grande massa pobre que é constantemente explorada. Sem isso o sistema não seria possível. Mas há alternativas para minimizar essas questões, para fazer com o que nosso semelhante sofra menos.
Não estou falando, caro amigo, apenas de ajudar financeiramente a quem precisa. Lógico que isso também é necessário, mas não deve ser visto como única alternativa. Ser educado, em muitos casos, é uma forma de ser melhor com as pessoas. Cumprimentar o porteiro, ou a faxineira, não deve ser feito apenas porque é bonito mostrar para as pessoas que você é um ser humano legal, mas sim porque o seu desejo é esse, é ser gentil com qualquer pessoa, independente da posição social que ela ocupe.
Ainda que a violência nos assuste, vejo uma situação onde ela, a violência, se manifesta de forma velada, mas não menos cruel que as demais. Ao pararmos nos sinais, as pessoas vêm vender coisas e, em muitos casos, fechamos ou vemos as pessoas fecharem os vidros e fixarem o olhar para frente, ignorando quem está ali tentando ganhar algum dinheiro com o trabalho. O ato de ignorar é uma violência sem tamanho. Ter a sensação de estar invisível é muito traumático, é doloroso. Isso motiva outras atitudes agressivas que nos parecem atos isolados de criminalidade, mas que trazem em suas raízes o sentimento de raiva, de sofrimento, de querer demonstrar que existe da pior maneira possível, mostrando poder de dominação através de atos violentos.
Antes de falar, de pregar alguma verdade, é bom pensar se realmente agimos daquela maneira. Dar conselhos é bom, mas segui-los, antes de externá-los, é ainda melhor. Pense nisso e reflita um pouco sobre suas atitudes, se elas condizem o que você pensa, se combinam com a imagem que as pessoas têm de você e se de fato elas conseguem melhorar alguma coisa nesse nosso mundinho tão estranho.
É isso.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Meu dia é hoje, minha hora é agora
Fico observando alguns programas de igrejas, sobretudo as evangélicas, que passam na televisão madrugada adentro (viu que falta faz uma TV a cabo?). Observo os discursos, as teorias, as possíveis soluções para os problemas (todos eles, frisa-se). Vejo uma fala sem conteúdo, um jeito de ser que eles determinam, mas que os próprios não seguem em seu cotidiano. É muito mais fácil dar pitacos na vida alheia do que mostrar, com exemplos, como se deve fazer. Uma pena que esse tipo de comportamento não fica apenas na telinha, mas é percebido o tempo todo, em qualquer lugar.
Se eu fosse fundar uma igreja, uma seita, sei lá, seria a Igreja do Bom Senso. E o que eu pregaria nessa igreja? Faça o que quiser, na hora que quiser, do jeito que bem entender, e respeite apenas uma regra, um dogma: seu ato não pode ter nenhum, absolutamente nenhum, reflexo negativo em nenhuma pessoa. Parece simples? Não é, de forma alguma. Praticamente todos nossos atos vão respingar em alguém. Muitas pessoas que não têm nada a ver com nossa vida são atingidas por coisas que fazemos. Isso vai desde um pensamento mais global, como jogar um lixo no chão, até uma coisa mais próxima, como uma palavra mais ríspida dita em um momento inoportuno.
Chega um momento em que é hora de dar um basta, mostrar que a vida corre independente de outra pessoa, independente do seu emprego e, não se assuste, da sua família também. Corre um tempo em que é preciso respeitar as vontades do coração, da sua emoção. Se for para ir embora, vá. Se for para dar um basta na relação, dê, não hesite. Quantas e quantas vezes você deixou de fazer algo que queria pensando em outras coisas sem a menor importância? Aposto que nessa última semana mesmo que se passou isso ocorreu contigo. Lógico que não é para enlouquecer, esquecer que as contas vêm ao final do mês, deixar de lado as leis e regras, magoar demais pessoas queridas. Como dito antes, tente não atingir ninguém com suas vontades, mas não fique preso a convenções sociais imbecis, que não são contestadas por ninguém e que seguem aí, influenciando a vida das pessoas, amarrando as vontades, cerceando os desejos.
Sua vida é só essa que você tem, caro amigo. Não vou entrar no mérito do pós-morte, isso não vem ao caso agora. Independente da teoria, só hoje você está aqui de fato. O seu passado conta sim, muito. Mas o seu presente é que te dá a chance de mudar, fazer diferente, buscar sua felicidade, sua realização. Ninguém sabe o que será do futuro, como será o dia de amanhã, se teremos as mesmas oportunidades de hoje. Não quero ficar esperando que as coisas se amoldem aos meus gostos. Se posso, vou lá e mudo, simples assim!
Temos muito pouco tempo! E muita coisa pra conhecer! Não se limite, não vire um quadro preso em molduras que você nem mesmo sabe quem construiu. Você nasceu sem bula, sem manual de instruções, não precisa ser metódico na conduta de sua vida. A liberdade de escolha é um dos grandes trunfos que dispomos e, portanto, devemos usar e abusar desse recurso. E tem mais uma: sem essa de ficar arrependido, se martirizando, vivendo amargurado por uma escolha que, teoricamente, não tenha dado certo. Pode não ter ficado do jeito que você achou agora, mas poderia ter ficado muito pior se a situação antiga tivesse se mantido. Ou vai negar que se a situação estivesse realmente boa, você pensaria em mudar? Duvido... se pensou em mudar, é porque algo incomodava.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Survive
Enfim... de todo modo, estava por aqui e saiu isso aí... sei lá se isso é bom, se é de péssimo gosto, mas saiu isso... "baixou o santo" aqui e rabisquei essas linhas que se seguem...
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Positivo atrai negativo, negativo atrai positivo
Esse jargão é utilizado quando algumas pessoas vêem relacionamentos entre indivíduos que são, aparentemente, muito diferentes entre si. A única explicação encontrada no momento é essa, ou seja, que são tão diferentes que se atraíram mutuamente. É realmente possível ocorrer um relacionamento entre duas pessoas que se diferem de forma tão intensa? Acredito que a resposta é não. Um relacionamento, na essência da palavra, acontece quando há pensamentos em comum, desejos semelhantes, ideias que não sejam antagônicas a ponto de colocar cada um de um lado da questão.
Tudo bem que às vezes nos deparamos com umas figuras que são, em princípio, tão diferentes da gente, que nos chamam a atenção, despertam algum desejo. Há duas explicações iniciais: ou sua atenção foi ligada por uma curiosidade imensa, ou há, em seu interior, vontade de ser semelhante àquele que você passou a admirar. Talvez, por causa dos caminhos tortuosos que a vida nos leva, não foi possível assumir determinada personalidade, desenvolver certos hábitos e, por isso, algumas coisas que aparentemente são diferentes do que pensamos nos chamam tanto a atenção.
Mas então, como que fica a bendita história da atração? Mais uma vez nesse texto, bifurcarei (existe essa palavra?): a atração possui dois sentidos, a depender do tipo de relação. Em uma coisa mais simples, como alguém ficar com outra pessoa numa noite, há menos exigência de quesitos. Talvez a simpatia, a beleza ou um corpo bonito bastam para atrair. Não se exige muito, já que a relação ocorre apenas naquele momento. Penso que, ainda nesses casos, é possível ver que outros quesitos são exigidos. Vai me dizer que você nunca levou um fora de alguém quando achava que já estava tudo conquistado? O que ocorreu ali foi o realce de diferenças, sua “lataria” agradou, mas o interior nem tanto.
O outro lado da atração acontece nos relacionamentos mais estáveis. Nesses há uma necessidade muito maior de pensamentos semelhantes, empatia. Não há como conviver diariamente com uma pessoa que pensa de forma tão diversa da sua. Lógico, seu chefe pode pensar assim, seus colegas de trabalho também, mas aí a relação é forçada, você engole algumas coisas para evitar atrito. Mas num namoro, por exemplo, é preciso que ambos estejam com o mesmo pensamento, que ajam no mesmo sentido, que busquem o mesmo ideal. Já acreditou em um namoro no qual você não via futuro? Você lutava e lutava e a cada dia mais vocês se afastavam? Não havia aquela sinergia esperada em um relacionamento? Pois é, talvez a explicação esteja mais ou menos por aí.
Não dá para investir em uma relação assim. Quando os dois buscam coisas tão diferentes, foram criados em ambientes tão diversos, passaram por realidades distintas, é preciso ponderar. Há alguma possibilidade de uma parte ceder e entender que o caminho da outra tende a ser melhor? Ela consegue ao menos enxergar que o que se busca é bom para ambos? Se não for possível isso, desista, não insista num relacionamento desses. Ainda que você sofra, verá que é melhor assim. Ou vive-se uma relação de ilusão, com alguma parte agindo de forma teatral e se corroendo por isso, ou parte-se para outro caminho, deixando livre a pessoa que está ao seu lado e buscando alguém que possa estar mais compatível com seus pensamentos e anseios. Esse é um provável caminho em busca de uma estabilidade menos traumática.
.
É isso.
Obs: Esse texto foi escrito em uma madrugada de plantão, com quase 12 horas no trabalho. Sei que não ficou lá essas coisas, mas perdoem-me, escrevi assim mesmo, cansado e com sono... um dia qualquer desses eu tento arrumar... ou não!
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Você veio aqui para que?
Essa época me faz pensar em qual meu papel por aqui, nessa bolinha coberta de água. Não quero entrar num campo filosófico, de discussão de valores sociais, de essência do ser. Apenas penso que se estou aqui é porque há alguma razão de ser e, se existe tal razão, eu tento caminhar da melhor maneira possível. Sabe a história de se fazer a diferença no mundo? Pois é, eu penso nisso sim. Não tenho pretensões em ser Gandhi ou Mandela, não estou aqui para desarmar a bomba atômica, mas tenho convicção que posso fazer a diferença sim na vida de muitas pessoas. E como posso fazer isso? Simples! Com meu trabalho, qualquer que seja ele, realizado de forma honesta, com energia e foco na resolução de problemas alheios, sem desejar recompensas ou reconhecimentos globais.
É possível descobrir logo nosso papel? Acredito que não. Muitas pessoas passam anos, envelhecem e morrem sem saber de fato a que vieram aqui. Trabalham, batalham, mas não sentem em seu íntimo que estão fazendo a tal diferença. Isso gera um sentimento de frustração que muitas vezes não é compartilhado e morre com a pessoa. Você quer isso para sua vida? Quer passar anos e anos trabalhando em uma coisa que não lhe faz feliz? Lutar tanto e ver que você poderia ter feito outra coisa mais útil, não só para a sociedade, mas para sua vida? Claro que não. Ninguém quer isso, mas são poucos os que se atentam, são raros os que têm coragem para parar o ônibus e pedir para descer, para embarcar em outra direção, em uma vida que definitivamente tenha sentido.
Descobrir o que te faz feliz nem sempre é tarefa simples. Demanda tempo, reflexão, conversas, estudos. Mas esteja certo, caro amigo, essa dedicação vai valer a pena. Trabalhar naquilo que te faz bem é muito bom. O tempo passa mais rápido, o salário tem um valor maior, você é recompensado a todo o momento pelas mínimas coisas que acontecem. O árduo, do famoso “trabalho árduo”, desaparecerá.
O grande problema de se buscar aquilo que te satisfaça é que, como as outras coisas na vida, há um preço a ser pago. Há casos em que a própria pessoa banca a mudança, mas na maioria das vezes é preciso abrir mão de muitas coisas, de conforto, dinheiros dos pais, segurança. Não são todas as pessoas que estão dispostas a viver uma vida, ou parte dela, de sacrifícios em busca de um sonho. Não são todas as pessoas que enxergam além do dinheiro, que trabalham para que a visão não fique restrita ao campo monetário. Talvez aí esteja grande parte das frustrações dos tempos atuais, já que, por uma pseudo segurança, abre-se mão de um futuro promissor, em uma carreira onde a capacidade da pessoa pode ser explorada ao máximo.
Não é difícil. Revire seu baú de memórias, veja como agia quando criança, adolescente. Tente lembrar das coisas que gostava de brincar, do seu comportamento na escola, na rua. Parece uma tarefa boba, mas é possível ver que muita coisa dessa época vai refletir na sua escolha por uma profissão, ainda que você não faça uma ligação imediata desses dois momentos. E outra: não fique muito tempo em um lugar que te faça infeliz. Troque, corra atrás de outras coisas, veja seus talentos, seus dons e busque fazer atividades que possam parecer brincadeiras, que aí sim seu trabalho renderá muito mais e dará a você, diariamente, a sensação de dever cumprido.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Reagindo
Há diversas formas de se encarar um conflito. Segundo a doutrina que estuda a mediação de conflitos, as soluções mais usadas são o enfrentamento (verbal ou físico), a resolução (ou, ao menos, a tentativa) ou se ignora o problema. Cada uma dessas alternativas traz vantagens e desvantagens e são usadas de acordo com o perfil da pessoa e da real necessidade de determinando conflito ser solucionado.
Particularmente, opto pela opção de ignorar. Sei que não é a melhor, mas com ela evitam-se brigas, discussões, embates. Lógico que não vai resolver o problema, mas pelo menos outros não são criados. A grande desvantagem dessa opção acontece quando a outra parte envolvida também ignora. Isso cria um círculo vicioso e a coisa não anda, o problema não é resolvido e a relação, que antes era excelente, torna-se insuportável.
Tem gente que opta pelo enfrentamento. Ainda me assusto quando vejo essas pessoas buscando resolver os problemas dessa forma. Uma amiga, para resolver uma questão com um rapazinho pra lá de mentiroso, procurou o endereço da namorada atual do cara e foi lá falar, na frente da moça, inclusive, algumas verdades, desmascarando muitas mentiras que ele contava para ambas. Para piorar um pouquinho, essa minha amiga não tem, ao menos aparentemente, esse tipo de perfil. Ficou aí um bom exemplo de como a gente não sabe exatamente que tipo de atitude que vamos tomar quando tivermos que agir.
Não há uma receita de bolo para se resolver problemas. Cada um anseia uma reação diferente e cabe a nós decidirmos qual tipo de resolução daremos àquele caso. Fato é que nossa opção terá reflexo na posição da outra parte e, dependendo do que a gente escolher, pode magoar e piorar ainda mais as coisas. Vivemos numa cultura de não tolerar os erros alheios e temos muita dificuldade em aceitar que erramos. Pedir desculpas é algo raro hoje em dia. Buscar o diálogo, o entendimento, é tarefa que não é mais realizada. Perdem-se boas amizades por conta de fatos que nem ao menos sabemos do que se trata. Nem mesmo a causa do conflito é esclarecida, dificultando, para não dizer impossibilitando, qualquer tipo de acordo. O primeiro passo é saber onde você errou, o que fez para magoar a outra parte.
O ideal é que não houvesse desentendimentos, mas eles estão aí e precisam ser enfrentados. Buscar o diálogo é sempre a melhor opção, mas não é a única alternativa. Não ser rude e ter humildade são requisitos fundamentais para início de conversa. Aceitar que errou é importante. Pedir desculpas não dói. Ceder em alguma coisa é necessário. A grande questão é colocar em prática essas atitudes, mas o exercício deve ser diário e não podemos esmorecer... uma hora a gente evolui!
sábado, 5 de dezembro de 2009
Primeiras (e não finais) impressões
Constantemente ficamos diante dessa situação: somos apresentados a alguém e temos que, naquele curto espaço de tempo, demonstrar que somos “dignos” de interesse, que aquele desconhecido pode conversar conosco sem se arrepender. Para algumas pessoas isso é muito natural, algo quase instintivo. Para outras, entretanto, é tarefa árdua, mas que pode ser minimizada se houver colaboração da outra parte.
É natural as pessoas se conhecerem, acontece praticamente todos os dias. Somos seres movidos pela comunicação e pela necessidade de interação social. Lógico que isso varia de pessoa para pessoa, mas, no geral, é agradável conhecer pessoas novas, ficar sabendo de histórias de vidas diferentes da sua. A questão é como esse início de relacionamento acontece, se há alguma forma de torná-lo mais tranquilo, principalmente para aquelas pessoas caladas ou tímidas.
Para começar, é preciso distinguir uma pessoa calada daquela pessoa tímida, na essência da palavra. O tímido não consegue estabelecer uma relação, fica tenso quando alguém se aproxima, responde em monossílabas, respostas curtas, evitando contato visual, entre outras características. Já a pessoa calada não corresponde necessariamente a uma pessoa tímida. Vários são os fatores desse tipo de comportamento, mas creio que o mais comum é que esse tipo de pessoa prefere, ao menos num primeiro momento, ficar calada para observar o ambiente em que se encontra. Essa observação é muito importante para os calados, com ela é possível ver um pouco da personalidade dos frequentadores do local, ver com que é mais fácil estabelecer um contato inicial, entre outros fatores.
Há aquela ideia de que a primeira impressão é a que fica. Talvez isso seja verdade, mas é possível, dependendo da imagem que se tem no início, alterar essa impressão inicial. Lógico que um contato inicial muito traumático, com uma pessoa grossa, arrogante ou extremamente inconveniente, por exemplo, dificilmente terá a imagem alterada. Em outros casos, principalmente quando se tem contato com alguém que inicialmente lhe parece desinteressante, fútil, sem uma conversa atraente, há possibilidade de se reverter essa imagem, bastando, para isso, que se dê uma chance para essa pessoa.
E qual tipo de chance? Simples! Puxe conversa, tente entender um pouco mais aquela pessoa que está contigo, coloque na conversa assuntos que mexam com a atenção dela, enfim, dê um pouco de atenção que a coisa anda, você se surpreenderá com o que aquele desconhecido “chatinho” pode oferecer. Mais do que uma simples conversa agradável, esse inicio de relação pode se transformar em uma amizade sólida, com uma atenção que você talvez não tenha daquela pessoa que inicia um relacionamento em segundos.
Talvez o caminho mais fácil, e ao mesmo tempo mais difícil, seja nos livrarmos de qualquer espécie de preconceito. O famoso “não fui com a cara” significa que não demos a chance sequer daquela pessoa se apresentar, de conhecer o mínimo de sua personalidade. O fato de a ignorarmos, sob o argumento de que a outra pessoa se mostrou desinteressada, não quis muito papo, não serve e não deve ser usado nessa situação. Dê mais atenção àqueles que estão a sua volta, pense que pode haver uma pessoa interessada em conversar contigo, escutar seus problemas, compartilhar experiências, enfim, alguém que, após se estabelecer confiança, vai ser sempre um ombro amigo pronto para te ajudar.
É isso.
sábado, 28 de novembro de 2009
Síndrome do reclamão
Estar junto a um reclamão é tarefa extremamente complicada e requer muita habilidade, visto que a possibilidade de contágio, dependendo do dia em que você estiver, é alta. Caso ele te pegue desprevenido, com a alta estima baixa, chateado com alguma coisa, é provável que você se torne um, ao menos naquele momento. O único remédio nesse caso é refletir antes de ficar reclamando, pensar que isso não resolverá absolutamente nada os seus problemas e, provavelmente, apenas tornarão a percepção desses ainda maiores do que já são de fato.
O reclamão pensa que o mundo gira em torno dele e que há uma eterna conspiração de tudo e de todos contra ele. Se algo acontece, é porque ele estava na situação, senão seria diferente, correria tudo bem, tudo normal. Não, reclamão, não é isso. Os problemas acontecem com todo mundo e todo mundo sente da mesma forma. Ninguém tem sorte ou azar o tempo todo, as coisas passam, independente de quem esteja no foco da situação. Pare de pensar que tudo o que acontece é porque você está envolvido. Você é apenas mais um na engrenagem que move o mundo.
Cada um de nós tem sua importância no mundo, na família, no nosso círculo social, mas uma coisa muito fria e realista precisa ficar clara aqui: ser importante não significa ser fundamental, ser decisivo para que as coisas continuem funcionando. Quando a pessoa morre, ela deixa saudades, familiares e amigos ficam tristes, sentem falta. E só. Tudo continua do mesmo jeito, o jogo de futebol do seu time vai acontecer no próximo domingo, seu cachorro vai comer ração normalmente, seu namorado ou companheiro vai arrumar outra pessoa. É inevitável. E justo, muito justo. Ou você queria que todos entrassem em um luto infinito?
Outra coisa: só reclamar resolve? Pergunto isso porque o que mais se vê nesse tipo de pessoa são reclamações vazias, carentes de uma ação simultânea. Reclamar quando está ruim é normal, todo mundo faz. Mas quem reclama e age é uma coisa, quem reclama só por reclamar é que chateia. E os portadores da “síndrome do reclamão” já acordam reclamando, reclamam ao longo do dia e dormem da mesma forma. Basta olhar para a vida deles que se observa que a maioria das reclamações não procede, que ele fala de coisas que não existem e que as coisas que têm algum fundamento continuam da mesma forma, visto que ele nada faz para mudar a situação. Não muda por medo, por fraqueza, por saber que pode ficar muito pior do que virtualmente está, mas ainda assim continua reclamando.
Os reclamões possuem outra característica em comum, que é a de falar muito de si, de só falar na primeira pessoa. Como pensam que estão no centro do mundo, acreditam fielmente que sua posição ali, naquele momento, quer dizer alguma coisa. Expõem opiniões sobre tudo e sobre todos, do cocô à bomba atômica (essa citação é do Jô Soares), entram em polêmicas desnecessárias apenas para impor o ponto de vista e ficam extremamente chateados e furiosos quando discordam dessas opiniões.
Portanto, se você, caro amigo, se viu nesse texto (o que é difícil, porque os reclamões não aceitam opinião de ninguém, sobretudo quando se critica o modo de agir), repense alguns valores da sua vida, imagine que quem está ao seu lado não é obrigado a aguentar seu temperamento e que viver assim só afasta do seu convívio pessoas que lhe querem bem. Se você for um chefe assim, muitas pessoas ainda ficarão do seu lado, mas apenas por questões profissionais, puxando o saco de alguém insuportável e que, se tivesse escolha, seria a última pessoa a se querer por perto.
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É isso.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Amor, dependência e controle
Talvez você, caro amigo, já tenha reparado essa situação: uma pessoa que mal conhece a outra e já a trata pela alcunha de amor. É provável que a pessoa que diga isso nem perceba tanto, mas será que quem ouve não acha, no mínimo, estranho? Bom, eu acharia. Mais do que estranho, acharia vazio, desnecessário e, com toda certeza, falso. Alguns substantivos, como amor, amigo, entre outros, não devem ser dito tão desnecessariamente, não devem ser vulgarizados, colocados no mesmo patamar de outros com menos intensidade.
Outra situação é a confusão que existe entre amor e dependência. Essa dependência, aliada ao comodismo, faz com que algumas pessoas confundam os sentimentos, achando que amam aqueles que apenas estão cotidianamente em suas vidas, que são presentes como uma carteira ou um celular, que farão falta quando “sumirem”, mas que poderiam ser substituídos por outra pessoa, sem maiores traumas. Acontece que optar por essa troca não é tarefa simples e, dessa forma, as pessoas vão levando seus relacionamentos, deixando passar o tempo e não se dando conta de que isso só aumentará o sofrimento quando essa relação se romper.
Ser dependente de outra pessoa tem diversas implicações negativas. Não se vive uma vida dessa forma, senão corre-se o risco de não ver a maior parte de suas vontades satisfeitas, de ver que sua vida passou em função de outra, em função de desejos de outra pessoa, muitas vezes não coincidindo com os seus. O problema é que quase sempre quem está nessa situação não consegue visualizar que a vida corre dessa maneira. Quem vive iludido, achando que tudo é em função do amor, até briga quando outra pessoa faz algum comentário sobre essa situação, acha que é inveja, ciúmes, etc. Pode até ser mesmo, mas em muitos casos não é. Quem está de fora consegue enxergar coisas diferentes, pode ver o mal que a pessoa está fazendo a si mesmo se enganando dessa maneira.
Por último, acho interessante falar no amor como subsidio para controle. É importante, caro amigo, dizer que essa situação não é necessariamente o contrário da dependência, já que muitas pessoas controladoras são, ao mesmo tempo, extremamente dependentes. De fato, talvez essas duas características andem lado a lado, mas não necessariamente na mesma proporção. Por amor, controla-se os passos da outra pessoa. Com a justificativa do amor, sacrifica-se um descanso, uma coisa importante a ser feita, para exercer o controle. Quem controla precisa abdicar de atividades necessárias para ter tempo de controlar. Quem é controlado, considera essa “dedicação” excelente, acredita que o amor faz com que ela tenha toda atenção do mundo, não conseguindo ver, todavia, qual a real intenção desse tipo de atitude.
No mais, é isso. Sei que pode parecer uma visão muito pessimista, mas penso que nada mais é do que a observação um pouco mais fria, um pouco menos romântica, de situações cotidianas. Lógico que tem muita gente feliz com a vida desse jeito, mas talvez esse conceito de felicidade, esse suposto ápice que ela acha que vive, não seja absolutamente nada em vista do que ela poderia viver se pensasse de outra forma.
domingo, 18 de outubro de 2009
Dizendo adeus
Ninguém gosta de perder, ninguém quer ficar por baixo. Acontece que isso é necessário para que se abra um leque de novas possibilidades. É muito cômodo ficar numa situação que, embora pareça confortável, só se desgasta a cada dia que passa. Sair dessa situação não é enganar ninguém, ainda que o outro lado refute em aceitar. As mudanças são imprescindíveis, muda-se o jeito, muda-se a pessoa, muda-se o local, tudo em busca de algo que satisfaça as necessidades de um determinado momento.
Quando mudamos, somos vistos como traidores, como escrotos (desculpem esse tipo de expressão, mas é literalmente o que já ouvi em determinando momento de minha vida), traíras, idiotas, enfim, palavras que denotam a insatisfação daqueles que são diretamente atingidos por nossas ações. Talvez elas estejam com alguma razão, mas é improvável pensar numa vida vivida em função do desejo alheio. Cada vida é única e deve ser vivida de acordo com a vontade de seu respectivo dono (obviamente respeitando alguns limites, principalmente aqueles que atingem a esfera alheia).
Mudar não significa necessariamente girar 180º. Pode-se mudar algum detalhe e essa pequena alteração, por menor que seja, traz paz e conforto para quem mudou. Quem está do outro lado, ou seja, quem tem que suportar essa mudança, precisa enxergar o bem que isso pode fazer para o outro. Sacrificar significa renunciar voluntariamente, dedicar com ardor. Vez em outra esse tipo de sacrifício pode ser crucial para que o entendimento volte a reinar entre as pessoas.
Pensamos sempre que conhecemos o outro lado. Quanta inocência, quanta ingenuidade! Sabemos muito pouco de qualquer outra pessoa, por mais próximos que sejamos dela. Conhecer o íntimo, os desejos, intenções, anseios, é muito mais difícil do que se imagina. Pense em você mesmo, caro amigo: você revela tudo o que se passa em seu interior? Deixa as pessoas conhecerem seus sentimentos mais profundos? Penso que a resposta só pode ser negativa. Revelar tudo nos torna vulneráveis, temos receio disso, medo de ficarmos expostos demais ante as pessoas.
Essa falta de conhecimento alheio leva às brigas, aos desentendimentos, causa confusão, visto que imaginamos uma coisa que não corresponde à realidade. Ficamos frustrados por não dominar os sentimentos da outra pessoa, mas é preciso saber que isso é tarefa impossível. Não vale a pena se prender a isso. Relaxe, viva o que der, o quanto der, com a maior intensidade possível. Se vai dar certo, se vai durar? Não sei. Apenas penso que não há outro caminho menos espinhoso para irmos preenchendo nossas vidas com momentos importantes, agradáveis e que ficarão guardados conosco enquanto vivermos.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Nossos dados vazaram!!!
-Telefonista: Pizza Hot, boa noite!
-Cliente: Boa noite, quero encomendar pizzas...
-Telefonista: Pode me dar o seu NIDN?
-Cliente: Sim, o meu número de identificação nacional é 6102-1993-8456-54632107.
-Cliente: Como você conseguiu essas informações todas?
-Cliente: Ah, sim, é verdade! Eu queria encomendar duas pizzas, uma quatro queijos e outra calabresa...
-Telefonista: Talvez não seja uma boa idéia...
-Cliente: O quê?
-Telefonista: Consta na sua ficha médica que o Sr. sofre de hipertensão e tem a taxa de colesterol muito alta. Além disso, o seu seguro de vida proíbe categoricamente escolhas perigosas para a sua saúde.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
O que busca?
O que buscamos, afinal? Buscamos bons empregos, boas faculdades, bons relacionamentos, tudo isso a troco de que? Para se ter estabilidade financeira, ter dinheiro para fazer o que quiser, seriam as respostas diretas a estas questões. Mas isso é muito pouco, muito vago, é um fim que não paga o preço do meio em que se viveu para obtê-lo.
Muita gente passa longos anos sacrificando suas vidas em prol de um objetivo que não é claro nem mesmo para elas. O simples objetivo de passar em um concurso, por exemplo, apenas para se ter um emprego de renome e ter uma vida financeira mais tranquila não é justificativa plausível para tanto sacrifício. Deixamos de lado nossos amigos, pessoas com as quais nos relacionamos, família, enfim, vários pilares que nos sustentam nos piores momentos apenas para ser um servidor público e ter nosso salário ali na conta todo mês? Acredito que não.
A palavra de ordem é ponderação. Penso que qualquer objetivo que você tenha em mente pode e deve ser alcançado sem o sacrifício total de outras relações. Ao contrário de pregações do tipo “Willian Douglas”, acredito que há sim possibilidade de conciliar a vida profissional com a vida pessoal. E não é uma conciliação como ele afirma, de você usar o tempo quase que exclusivamente para estudo ou trabalho e deixar o que sobra para se divertir. É possível fazer bem as duas coisas e é importante que se faça isso.
Pense bem: hoje você está em busca dos seus sonhos e se dedica exclusivamente a eles, abdicando de outras coisas que lhe dão prazer. Daqui a alguns anos, terá o que sonhava. Tudo bem, seu desejo foi realizado. Mas o que te dá prazer hoje em dia, provavelmente não dará daqui uns tempos. A idade faz com que percamos o prazer em desfrutar de certas coisas, seja uma pelada com os amigos, seja uma cervejinha no boteco “pé sujo”, ou até mesmo uma micareta de pegação desenfreada. E aí, valeu a pena não ter passado por essas experiências em prol da busca de um ideal que você nem mesmo sabe se lhe renderá satisfação?
Nossa vida é o somatório de experiências. O celular de última geração, o carrão, o apartamento chique dificilmente entrarão em suas conversas e relatos de seu passado. Mas suas experiências sim, farão parte de sua memória, dirão quem você é e quem você foi, falarão muitas coisas sobre sua personalidade. Não há porque deixar essas oportunidades passarem sem vivenciá-las, não há porque ser somente mais um ser que tem, mas que não é. O ter passa, se torna obsoleto, sem utilidade e com alta dosagem de futilidade. O ser não, o ser fica, se impõe, é sempre uma soma na sua vida.
Então, caro amigo, cuidado com o estilo de vida que adota. Tudo bem em buscar ganhar mais, ter estabilidade, ter reconhecimento na sua carreira. Mas em nada isso vai servir se você não viveu sua vida, se não passou por experiências que, quando for mais velho, ainda que tenha muito dinheiro, não voltarão jamais. Viva mais, use seu tempo de forma mais coerente. Não seja um viciado em trabalho ou estudo, deixando de lado pessoas boas, momentos bons. O preço que você pagará por essa omissão não terá como ser ressarcido.
terça-feira, 7 de julho de 2009
O que? Quando? Como?
Abrir mão de determinadas coisas causa angústia, sofrimento, arrependimento, vontade de voltar atrás na decisão, principalmente quando a opção escolhida não supre a necessidade, não tem o resultado esperado. Algumas vezes esse retorno é possível, mas na maioria das vezes não. Como administrar esse tipo de situação, minimizando os impactos na nossa vida e na das outras pessoas envolvidas?
Nesse jogo de escolha não temos nenhum instrumento que irá analisar quantitativamente as opções e dar o veredicto sobre qual será mais benéfica para nossas vidas. Amigos, parentes, pessoas próximas, sempre poderão das suas opiniões, tentar mostrar um ponto de vista diferente que pode até clarear as idéias, trazer soluções diferentes. Acontece que a decisão final é nossa e, por isso, pesa na decisão um fator que entra em cena nessa hora, chamado intuição. É a intuição que fazer a balança pender para determinado lado logo de cara, logo quando estamos prestes a ter que tomar a decisão.
O problema da intuição é que ela é carregada de emoção, ao passo que o mais exigido numa hora dessas seria a razão. Seria, pois somente a razão nos prega ao chão, não nos deixa sonhar mais alto, vislumbrar possibilidades. Por isso a intuição se faz tão importante numa escolha.
Sabe, caro amigo? Esse texto não é resposta para nada, assim como penso que nenhum outro é. Mas esse, em especial, é somente para deixar registrado aqui meu desejo de mudar. Mudar em que ainda não sei. Mas mudar, apenas mudar. O universo conspira para isso, dá sinais, cada dia mais claros, que essa mudança está chegando. É preciso enxergar isso, ver que não existe somente um lado da moeda, que não existe somente uma fruta no pé. A estação é inverno, mas vem aí a primavera para fazer a árvore da sua vida florescer, dar frutos novos, frutos que saciarão seus desejos, que te mostrarão novos sabores. Viva esses sabores, esses cheiros, extraia da vida um novo suco, um suco que garantirá uma energia até então desconhecida.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Sonhos interrompidos
Ninguém gosta de perder. A gente pode até saber perder, e é importante que saibamos mesmo. Mas gostar de perder é um sentimento difícil, para não dizer impossível, de ser encontrado. Perder nos faz tirar lições, ver onde erramos, onde erraram conosco, ver o que poderia ter sido diferente. Ainda assim não é possível definir com exatidão o que teria acontecido caso tivéssemos feito diferente. De todo modo, é chato demais não conseguir as coisas.... ainda mais quando se batalha tanto...
Uma coisa é certa: ficar lamentando, somente, não adianta. Ainda mais quando essa lamentação vira um hábito de vida. Chega uma hora que ninguém mais tem pena de você, as pessoas nem querem mais ouvir suas histórias. A vida é assim. A gente sensibiliza as outras pessoas por um tempo, mas depois isso só tem importância mesmo para nós. Se com a morte, evento terrível, acontece isso, que dirá com um problema seu, uma coisa mal resolvida.
É, caro amigo, as coisas não andam sempre da maneira que a gente acha que deva andar. E que bom que é assim, senão o mundo seria uma verdadeira zona, já que os gostos, as vontades e desejos são variáveis. E bom que seja assim também para que possamos crescer como pessoas, para que possamos encarar as coisas com mais seriedade, dedicando nosso tempo e nossas habilidades com mais afinco.
Chega de lamento! A fase ruim se foi como uma gota de chuva que passou. O ciclo da água é lento, mas é certo. Com o tempo a gota que passou vai evaporar, virar nuvem e voltar. Como a fase ruim, a chuva com aquela gota nem sempre vai atingir a mesma pessoa, nem sempre a crise retorna. Não faça a dança da chuva, não atraia novas crises. Dê um ponto final nessa história e recomece outra. O final nunca é igual, pois o enredo vai mudar, você vai mudar, e para melhor, tenha certeza absoluta disso. Quando a gente quer de verdade, nem sempre a gente consegue, mas sempre a gente arruma forças para superar o que não deu certo.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Tentar
Nem todas as vezes estamos aptos a tentar. Talvez tenhamos uma espécie de bloqueio que nos impeça de ir muito além da nossa capacidade. Será? Difícil ser preciso nessa resposta. Essa bloqueio pode até existir, mas é temporal, momentâneo. Em um instante pode ser que lhe falte força para buscar o que está além do alcance, o que não deve ser visto com um ponto final na questão, mas apenas uma vírgula. Quem sabe esse interstício temporal não ocorra para que haja uma melhor preparação para encarar o desafio?
É preciso superar o medo. O verbo tentar abre o campo da possibilidade, de aventurar, de empregar os meios necessários para obter algo que se deseja. Não é um verbo de comando fixo, que carrega o peso da não execução. Tentando se obtém experiência, maturidade para que, na próxima tentativa, o sucesso esteja mais próximo.
Escrevo esse texto tentando (ops!) mostrar a mim mesmo a importância de ir atrás daquilo que acredito, mas que tenho ciência que posso não conseguir. Quero acreditar mais na hipótese do sucesso do que do fracasso, mas não me abstenho de imaginá-lo como uma possibilidade. Algumas vezes escrevo como desabafo, outras com o intuito de internalizar a ideia, como é esse caso. A força de vontade busca suas energias em diversas fontes. Acreditar em você, no seu potencial, é motivação para tentar e buscar aquilo que você quiser. Se não der, não era para você, talvez seu talento seria sub-aproveitado naquela meta desejada.
É isso.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Eu, tu, ELES
O conforto de estar amparado em braços confiáveis não tem preço, é importante para nos reerguer nos piores momentos, nos trazer de volta à realidade e nos mostrar que qualquer problema, por pior que seja, é passageiro. Sabemos disso, mas só nos atentamos quando ouvimos de outra pessoa, já que nos períodos de crise enxergamos em ângulo reduzido, vendo pouca ou nenhuma saída para o que nos aflige.
A grande questão é saber até que ponto estamos buscando este apoio e a partir de que instante esta ajuda vira interferência, intromissão excessiva. Há pessoas que são extremamente dependentes de outras, que precisam a todo momento saber qual a opinião daqueles que os cercam, que vivem em função do que o outro pensa. E, para fechar a lógica, há pessoas que vivem para controlar a vida de outras, que querem emitir opinião sobre tudo, controlando cada passo daquele que se deixa dominar.
Geralmente este tipo de controle é feito pelos pais. Talvez por um sentimento de frustração por não ter obtido êxito em algum ponto da vida, em alguma profissão, certos pais têm por hábito controlar tudo o que os filhos fazem, querendo que eles sigam por caminhos que, em última análise, seriam seguidos, caso fosse possível, por eles próprios. E não é somente no campo profissional que isso é visto. Alguns pais manipulam a ponto de controlar o que o filho vai vestir, como vai se comportar em um evento, com quem vai namorar. E você, caro amigo, deve imaginar que estou falando de uma relação de pais com uma criança, certo? Errado! Este tipo de relação acontece até mesmo quando o filho atinge a fase adulta, quando já tem suas características e personalidade bem definidas.
E qual seria o motivo desta relação “eu-mando-você-faz”? Genericamente falando, penso que seja a dependência. E não somente dependência financeira, como muitos pensam. Conheço casos de pessoas que já teriam condições de cortar o cordão umbilical, mas que sentem medo de sair de casa, de perder aquele conforto, e por isso se submetem a este processo de interferência, vivem em função do que os pais desejam. Trocam a liberdade pelo conforto, vendem uma das coisas mais preciosas por um preço medíocre. Será que vale a pena? Bom, eu penso que não e pelos casos que observo, vejo que as pessoas que optam por esse estilo de vida não são felizes, não vivem com aquele prazer de viver.
Só de pensar em perder o conforto, a roupa lavada pela mamãe, a comidinha pronta, algumas pessoas vão deixando as coisas acontecerem, sem perceber que, num certo momento da vida, acordarão para a realidade e observarão que não fizeram nada daquilo que queriam fazer, que tudo o que foi feito até então teve manipulação externa. Só que esse momento de acordar pode ser muito tarde e as oportunidades perdidas não mais voltarão.
Já passei por esse tipo de situação em certo momento. Não com os pais, já que sempre tive uma criação muito liberal, mas com os sogros. Fui me deixando envolver demais, expondo demais a vida, deixando-os saber tudo o que se passava no relacionamento. Até certo ponto não me incomodava, já que tínhamos de tudo com eles, era praticamente um relacionamento entre pais e filhos. Acontece que, com o passar do tempo, a interferência foi se excedendo, foi chegando a um ponto de querer saber a todo momento para que lugar sairíamos, qual horário do retorno, quem foi conosco, enfim, exigiam informações como se fossem realmente meus pais, pais de um adolescente.
Como acontece com algumas pessoas que conheço, vendi minha liberdade por um conforto, por um apoio. Paguei caro por isso e vi que minha vida era controlada, em certo ponto, por outras pessoas. Minha sorte é que essa interferência se restringia mais ao relacionamento, apesar de, algumas vezes, respingar na minha vida particular. Mas ainda assim aquilo me incomodava. Como nós devemos tirar lições das coisas que acontecem, vi que não valia mesmo a pena manter este tipo de relacionamento com os sogros. Eles são importantes sim, não é para brigar, ficar cada qual no seu canto. Mas também não é para ter tanto contato, ter uma dependência que se transformará, inevitavelmente, em uma interferência.
É isso.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Exteriorizar
No nosso convívio diário somos constantemente cobrados a expressar o que estamos sentindo, ainda que esta expressão não seja necessariamente a realidade. Em todos os momentos as pessoas querem saber o que sentimos e esta resposta é dada, em diversas ocasiões, até mesmo pela linguagem corporal.
Saindo um pouco da generalidade e partindo para o campo do relacionamento, esta necessidade de expressão toma forma ainda mais forte. O pólo passivo na conversa quer ouvir sempre o que a outra parte tem a dizer e cobra, sobretudo, expressão de sentimento. Nem sempre o que se fala e o que se ouve é verdade, visto que a mentira se faz necessária em alguns momentos, como eu já relatei no texto “A mentira acalentando a alma”.
Nós, homens, somos cobrados quase que diariamente a dizer o que se passa em nossa cabeça no que tange ao relacionamento. Falar o que estamos sentindo, se gostamos, o quanto gostamos, o que pretendemos. Parece, aos olhos alheios, que esta é tarefa fácil, quase sistemática. Não é. E explicarei o motivo desta falta de sintonia entre quem quer ouvir e quem é quase obrigado a falar.
Não vou falar por toda a categoria masculina, já que há muita diferença entre nós. Falarei sobre mim e sei que muitos colegas irão se identificar, já que observo o mesmo comportamento, em relação a este assunto, mesmo em pessoas que possuem personalidade diversa da minha.
Acontece, caro amigo, que nós temos sim uma extrema dificuldade em externar o que sentimos. Não é tarefa muito fácil chegar e falar “te amo”, “estou apaixonado por você”, “você é a mulher da minha vida”. Na maior parte das vezes é exatamente isso que sentimos, mas esperamos a mulher enxergar isso de outras maneiras, sabendo que são estes sentimentos que fazem parte da nossa vida em comum. Problema maior é que é complicado a mulher enxergar isso de outras maneiras e ela precisa, necessariamente, de ouvir isso de nós.
Particularmente, expresso o que sinto através das ações. Não tive uma criação com muito contato corporal, com expressão de sentimentos. Apesar de todo o amor materno que recebi, ele não foi materializado com palavras ou carinhos, mas sim por ações, na maior parte das vezes de cunho altamente altruístico.
Este tipo de atitude vale para os dois lados. Tanto para as pessoas que gosto quanto para aquelas por quem não tenho tanta admiração assim. No caso destas, minha expressão resume-se ao ato de ignorar. Não sou de xingar, brigar, ficar falando mal. Apenas ignoro, como se aquela pessoa nunca tivesse feito parte do meu convívio. Acho melhor agir assim. Sei que em muitas vezes deixo de resolver conflitos que poderiam ter melhor solução, mas é um ato semi-institivo de me afastar das coisas que me incomodam. E isso não é uma mera fuga de problemas. É diferente. No caso dos problemas, procuro resolvê-los, não deixando que se tornem uma bola de neve. Este tipo de comportamento é mais limitado ao campo interpessoal.
Falo isso tudo para tentar demonstrar que muitas vezes você pode estar cobrando demais dentro de seu relacionamento. Ao invés de cobrar apenas palavras, tente observar o que é feito por você, o quanto a outra pessoa sacrificou interesses pessoais em seu favor. As atitudes têm muito mais valor que palavras soltas no ar. Lembro-me de um exemplo que marcou isso para mim: um amigo estava num início de relacionamento ainda e, por uma fatalidade do destino, perdeu seu pai. Nessas horas aparecem muitos “amigos”, parentes distantes e outras pessoas que realmente sentiram o baque daquela perda. Entre todas essas pessoas, a que mais me chamou a atenção foi a namorada deste amigo. Como era bem no começo do namoro, não sabíamos como seria o comportamento dela. Muitas se afastariam, deixariam o assunto para a família somente. Não foi isso que ela fez. Ficou ao lado dele por todo o tempo, dando um enorme apoio, sacrificando seu trabalho, seu descanso. Precisava falar que o amava? Coloque na balança um gesto assim e uma mera exteriorização e veja o que pesa mais.
Falar é importante sim, mas não é tudo. Muito mais coisas podem ser ditas com gestos. Enxergue isso e veja que a pessoa que você coloca na parede para falar o que você quer ouvir, às vezes está dizendo isso, através das ações, há muito tempo. Leve em consideração que a pessoa pode ser tímida, pode ter dificuldades de ficar falando. Você pode não ser assim, pode falar a todo momento, mas lembre-se que as pessoas são diferentes e é o respeito a estas diferenças que faz com que um relacionamento seja bem sucedido.
É isso.
sábado, 1 de novembro de 2008
Reviravoltas
Talvez este texto assuma um tom de desabafo. Ficar longe de casa, das pessoas queridas, faz com que este seja a válvula de escape. Mas, diferente dos outros textos, já que o momento também é diferente, este desabafo aqui não assumirá nenhum traço de melancolia. Ao contrário, será a fotografia do momento feliz que passo.
Passei o aniversário sozinho. Nem mesmo os novos colegas que fiz ficaram sabendo. Não gosto de sair divulgando e, caso fiquem sabendo, legal, não me incomoda receber parabéns. Se estivesse vivendo um outro momento, com certeza seria doloroso passar uma data assim só. Mas não foi. A realidade que me cerca faz com que qualquer nuvem carregada de tristeza se transforme em respingos ao me atingir.
É extremamente gratificante fazer aquilo que você gosta, que você batalhou para conquistar. Não existe tarefa chata, mas sim tarefa que é realizada pela pessoa errada, talvez em um momento errado. Se todos pudessem fazer o que dá prazer, as coisas seriam mais tranqüilas. Todos nos nascemos com aptidões para determinados setores, mas somente a minoria consegue o encaixe perfeito entre este dom e seu ofício. É uma luta cruel, mas é preciso forças. Seu momento agora pode não estar agradável, você pode ir para o trabalho sem motivação alguma, mas tenha em mente que isso é temporário e que, se você realmente quiser mudar sua vida, você consegue.
Mudar quando está ruim é necessário. Somente reclamar, sem tomar nenhuma atitude, não resolve absolutamente nada. Quantos exemplos de amigos que querem passar em concursos públicos, mas chegam do trabalho e sentem em frente à TV, vão beber, enfim, fazer tudo menos estudar? É difícil, é desgastante, diversas vezes pensamos em desistir, em largar tudo e esperar para ver o que acontece. E aí a bola de neve não pára de crescer. Vamos reclamar mais ainda, aumentar o desgosto de ir trabalhar, viraremos uns chatos, descontando até mesmo em pessoas próximas a nós as nossas angústias.
Então, caros amigos, a dica é essa. Passei um bom tempo em busca de soluções para minha vida. Demorou sim, sei que perdi chance de diminuir este tempo já que em muitas situações fui displicente, deixei de fazer uma obrigação para poder apenas matar o tempo. Claro que ainda não tem nada resolvido, que as coisas não estão do jeito que eu quero, mas uma boa parte do caminho já foi feita. O que você quiser fazer você consegue. Basta que você se empenhe para isso. Veja-se fazendo aquilo que te dá prazer, pense como se estivesse na carreira, vivenciando as situações.
Acho que este texto fugiu um pouco dos padrões dos outros. Uma amiga disse-me que sofro do mal do escritor depressivo, que só consegue escrever coisas razoáveis quando passa por momentos ruins. De fato, as idéias aparecem mesmo nestes momentos. Mas entre vivenciar um momento feliz e escrever textos ruins ou ficar triste para escrever melhor, fico com a primeira opção. Perdoem-me, meus amigos, mas pensem que o desprazer de ler algo ruim é compensado pela felicidade do amigo que vos fala. É uma troca justa?
É isso.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
A importância do feio e da derrota
Pois bem, amigos, disse isso tudo porque, ao valorizar aquele dia maravilhoso que se iniciava, percebi a importância do dia nublado, cinza, feio. Se ele não existisse, com toda certeza eu não daria valor para o dia limpo, não veria o Sol com os mesmos olhos.
Assim sendo, penso nesta situação como uma lição para o nosso dia-a-dia. Sempre buscamos o melhor, damos o nosso melhor a fim de conquistar vitórias sucessivas. É assim como todo mundo. Ninguém gosta de perder, nem mesmo no par ou ímpar. Quem falar que gosta está mentindo ou é candidato a assumir a vaga de Madre Teresa de Calcutá. Gostar de perder não existe; saber perder é uma dádiva, mas este “saber” deve ser entendido na maior concepção possível da palavra. É saber como entender, analisar e ver onde errou, o que influenciou a derrota e o que vai (vai, e não deve) ser feito.
A derrota vem para todos, é natural. No momento que ela chega é terrível, parece que o mundo tende ao caos, que nunca mais recuperaremos as forças. É questão temporal, em breve passa. Tenho certeza que você se lembra de mais momentos bons do que os ruins. Mas aí que entra a importância do insucesso: dar valor maior ao sucesso, à vitória, às conquistas. Só vencer não tem graça. Fazendo uma metáfora muito ruim, pego um caso de quando jogo videogame com um primo de 11 anos. Ele consegue ser pior que eu e não ganha nenhuma partida do futebol virtual. Que graça tem jogar assim? Nenhuma! As vitórias somente têm aquele gostinho bom quando durante a partida surge a possibilidade da derrota. Lutamos mais, nos esforçamos mais para vencer.
Por isso, quando passar por um momento assim, tente encarar desta forma. A derrota, o feio, sempre passa. Como diz um ditado popular “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe”. Vivemos ciclos, numa roda-gigante que alterna momentos felizes com decepções. Problema que esta roda não possui a regularidade de um relógio. Como se fosse um moinho. É tarefa nossa soprar o vento que o movimenta. Quando ele estiver no lado ruim, furacão, para passar ligeiro. Do lado bom, brisa marítima, lenta, para valorizar o momento e deixar ainda o perfume do mar na nossa lembrança.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Mundo mundo vasto mundo
Não sei se este é um sentimento coletivo ou uma paranóia individual minha. De todo modo, é uma sensação que incomoda, faz sentir menor. Não ocorre em todos os momentos, aparecendo, sobretudo, quando sinto que o tempo passou e nada produzi, ou seja, literalmente falando, matei o tempo.
É isso.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Futebol e interação social
Talvez você, caro amigo, não goste ou não pratique futebol. E talvez, por isso, não vá compreender muito bem o que irei dizer nas próximas palavras. Ainda assim, é bom que leia e, tenho certeza, passará a compreender um pouco melhor a magia que o futebol exerce nas pessoas. Não é por um acaso que ele é o esporte mais praticado e acompanhado do mundo.
Vivemos em um mundo cada vez mais individualista e em que, a cada dia mais, as pessoas buscam contatos apenas de cunho profissional, mantendo relações frágeis e vãs. A falta de tempo, a necessidade de apoio em caso de desemprego, o egoísmo, são alguns sustentáculos deste tipo de relacionamento. Como acontece em tudo na vida, quando não se pratica determinada ação, perde-se o hábito e, no momento em que for necessário, as pessoas terão dificuldades em iniciar um relacionamento desprovido dos interesses materiais.
E é nesta linha que entra o futebol. É impressionante o que acontece com as pessoas quando jogam ou mesmo quando assistem a uma partida. No primeiro caso, cito o exemplo de uma pelada, organizada por uma turma de faculdade, por exemplo. Sempre aparece um colega de alguém da sala para jogar. O cara vai lá, entra e joga. Até aí tudo bem. O engraçado é que, passados 5 minutos de jogo, as pessoas que não conhecem este cara já estão conversando com ele, pedindo bola, abraçando na hora do gol e xingando por um passe errado. Tamanha intimidade construída em apenas alguns minutos. Detalhe é que, em muitos casos, um não sabe nem o nome do outro. Ainda assim estão ali, traçando laços de afinidade que, numa situação normal, demorariam meses para serem construídos.
Num estádio, por exemplo, a mesma coisa: pessoas desconhecidas que, ao apito inicial do juiz, tornam-se “amigas” de longa data. Quando o time do coração está mal, sobra xingamento para juiz, jogadores e técnicos. Palavrões que jamais seriam ditos daquela forma, aos berros, perto de pessoas estranhas. E na hora do gol? É um tal de um abraçar ao outro, pular, gritar junto. Quando o time perde uma final é que a coisa fica interessante: um bando de marmanjo chorando, tentando reunir forças para ir embora e esquecer aquela decepção. Homem não chora! Não chora perto dos pais, da mulher... vá a um estádio em dia de final e observe a torcida do time perdedor para você ver!
Há também um outro lado. Como pessoas amigas, conhecidas há muito tempo, podem se tornar “inimigas” dentro das quatro linhas. No calor de uma partida, com um jogando para cada lado, basta uma entrada mais forte que o clima esquenta e as coisas só não entram para as vias de fato porque a galera do abafa está sempre presente. Ao esfriar a cabeça, tudo volta à normalidade, com o pessoal rindo daquela situação. Tudo é esquecido e na outra pelada pode ser que aconteça tudo de novo.
Como vê, o futebol não tem esta força à toa. Ele é mágico, exerce um fascínio, causa sensações inexplicáveis nas pessoas. Um cara frio, que mal abraça a mulher, faz um gol num campeonato importante e só falta beijar os companheiros de time (olha que isso já aconteceu em alguns jogos!). Um cara calmo, que não gosta de briga, é capaz de entrar numa confusão generalizada
É isso.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
O uso de algemas pelas polícias
Fato é que, ao prender um advogado, chamado Ricardo Tosto, a PF foi bastante criticada pela OAB e por outros setores da sociedade, somente pelo fato de ter colocado algemas naquele suspeito. Dizia-se que o uso das algemas era constrangedor, intimidatório, desnecessário. Será mesmo? Vejamos.
No bendito caso da Isabella Nardoni, a PM paulista utilizou algemas na condução do casal suspeito. No momento da prisão, havia um aparato que envolvia mais de 20 viaturas, centenas de policiais das tropas de elite das polícias civil e militar e aquele mundo de gente hostilizando o casal e gritando palavras de ordem. Seria mesmo necessária a utilização das algemas? Haveria alguma possibilidade de reação dos dois? Claro que não. Mas ainda assim, as “pulseiras” foram usadas.
Pelo menos até onde li sobre este episódio, não vi ninguém reclamando, a não ser o pai do Alexandre Nardoni, que havia feito um acordo com a polícia para que a entrega do casal fosse feita de uma forma mais tranqüila, o que também não foi respeitado. No momento que o pai e a madrasta chegavam às suas respectivas delegacias para a formalização da prisão, quase tiveram o braço quebrado, devido ao empurra-empurra dos jornalistas e da população.
Não estou aqui defendendo ninguém. Não faço parte da equipe de advogados do casal. Estou apenas usando um exemplo atual para mostrar que, talvez por falta de uma padronização, o uso das algemas é um dos assuntos mais controversos dentro do âmbito policial. A legislação pouco fala sobre isso. No Código de Processo Penal, embora não mencione a palavra algema, há uma previsão de que o uso da força somente será permitido em caso de fuga ou para evitar agressão contra o preso e contra terceiros. A Lei de Execução Penal fala que, em seu artigo 199, que o emprego de algemas será regulado por decreto federal, o que ainda não foi feito até o presente momento.
As questões são: Por que há diferenciação neste uso? Por que algumas pessoas usam algemas e outras não? Qual o critério utilizado? Em um primeiro momento, penso que o critério se baseia na situação econômica. Isso vale para a maioria dos casos. Pessoas com situação financeira bem favorável dificilmente são algemadas ao serem detidas. Após, penso que o uso também se baseia em um caráter expositivo, não somente das pessoas presas, mas também do órgão coercitivo, querendo mostrar trabalho.
Já que não há regulamentação, a solução é adotar um critério único. Grampo em todo mundo que for detido. Se a justificativa é a segurança da pessoa e dos que a detêm, nada mais justo que o tratamento seja igualitário. Não sei qual deve ser a sensação de ser preso, e espero jamais saber, mas deve ser uma coisa perturbadora. Imagina uma pessoa pacata, mas que está no mundo do crime, por exemplo, de corrupção. Imagine que esta pessoa tem uma arma em casa e, ao saber que vai ser presa, resolve tentar se safar, no calor daqueles acontecimentos. Nunca se sabe qual será a reação de uma pessoa detida.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
A mentira acalentando a alma
O cachorro, por exemplo. Ele jamais mente. Se gostar de uma pessoa, abana o rabo, fica perto, chama para brincar. Quando não gosta, late, rosna, morde. Ele não finge ser uma coisa que não é. Apenas demonstra, sem hesitar, o que está sentindo naquele momento. Com os outros animais também funciona assim, em menor ou maior sinal de demonstração.
Já nós, os evoluídos seres humanos, necessitamos da mentira. Por vezes ela serve como um conforto às inquietações. Por outras, para mascarar falsas felicidades, que aumentam ainda mais o ciclo da mentira em nossas vidas. Muitas pessoas fazem de suas vidas uma grande encenação, atuando de forma a convencer que sempre vivem maravilhosamente bem. São pessoas que usam a mentira em sua forma mais cruel, que é a de mentir a si mesmo.
Em diversas situações a “auto-mentira” se faz presente. São pais que sabem que suas filhas vão para as casas dos namorados, mas que fingem para si que elas estão com as amigas. São pessoas que fingem estudar enquanto estão com a cabeça em outro lugar, somente para dar uma satisfação de que fazem alguma coisa. Outras que fingem um altruísmo coletivo enquanto o egoísmo as corroem.
Homens e mulheres usam a mentira cada qual a sua maneira. As mulheres mentem mais nas amizades, tecendo elogios falsos umas às outras, sugerindo coisas que não gostariam para elas próprias. Homens mentem em relação ao trabalho, têm vergonha quando não estão no mesmo status que os amigos. Além disso, usam um bocado da mentira nos relacionamentos, que talvez não durassem uma semana se elas não fossem mesmo usadas.
É preciso saber dosar. Não há como ser verdadeiro todo o tempo, sob o risco de magoar pessoas queridas. Pense como seria ruim se uma amiga lhe perguntasse se está gorda? Por mais que você pense que sim, jamais pode falar isso na lata. A mentira pode e deve ser usada em algumas ocasiões, mas sempre de um modo moderado. Mentir ou omitir uma informação pode trazer a paz ou levar ao inferno. Mais importante do que mentir ou não, é saber até que ponto esta atitude interfere na esfera pessoal do outro e quais seriam as conseqüências reais caso tudo viesse à tona.
É isso.

