Algumas considerações iniciais

Tentarei manter uma regularidade nas postagens, mas não combinarei prazos. Por ser uma das válvulas de escapes utilizadas por mim, deixarei que este blog seja alimentado de acordo com a inspiração, e não com o calendário.

Gosto dos comentários. Não são, para mim, apenas um sinal de popularidade, como a maioria dos blogs que vejo. Eles têm um significado maior, que é o de saber como as pessoas que aqui estão pensam sobre os assuntos que comento. Portanto, fique à vontade para escrever. Na medida do possível, responderei a cada um deles.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

UFC X FUTEBOL: ONDE ESTÁ, DE FATO, A VIOLÊNCIA?




Ontem, dia 29 de agosto de 2011, o Correio Braziliense deu uma manchete com o seguinte teor: “Supostos lutadores da UFC espancaram rapaz na 106 Sul neste domingo”.  De acordo com a matéria, alguns jovens, após assistirem, pela televisão, ao campeonato de UFC que acontecera no Rio de Janeiro, saíram do bar e espancaram um jovem, que teve que ser submetido à cirurgia no maxilar por conta das agressões sofridas. Após a matéria, muitos comentários surgiram, sempre colocando a culpa no campeonato de artes marciais, como o próprio teor da manchete já explicita.

No mesmo fim de semana do UFC, o Campeonato Brasileiro teve a rodada dos clássicos estaduais, onde está sempre presente a grande rivalidade dos times e, infelizmente, das torcidas, sobretudo das organizadas. Diversos conflitos foram registrados, até mesmo em jogos de torcida única, como foi o caso do jogo Atlético MG x Cruzeiro, que recebeu apenas a torcida do Galo, mas que ainda assim casos de agressões foram vistos. Isso sem falar no jogo do Corinthians X Palmeiras, com registro de homicídio praticado em conflito de torcidas.

Tudo isso leva à reflexão: até quando será tolerado, e não digo apenas pelo poder público, mas por todos nós como sociedade, que este tipo de evento, no formato que tem ocorrido, aconteça? Todos os jogos que envolvem grandes torcidas acabam do mesmo jeito, com atos de violência e vandalismo. E isso porque as televisões não mostram realmente os bastidores, pois ali que acontecem as intimidações, pequenas brigas, torcidas visitantes sendo obrigadas a receber escolta da polícia desde a chegada à cidade, entrando correndo no estádio e esperando até 3 horas após o jogo para poder sair. Que tipo de diversão é esta?

Além disso, pense na quantidade de serviços públicos desviados para o atendimento a este tipo de evento: efetivo enorme de policiais, ambulâncias, médicos e enfermeiros, fiscais, entre outros. Lógico que estes serviços estão aí para nos atender, já que são mantidos pelos nossos impostos, mas será mesmo que deslocar mais de mil policiais apenas para um evento é necessário? Quanta falta estes profissionais farão no cotidiano das outras pessoas que resolveram não ir ao estádio. E este efetivo é deslocado para lá justamente pelo histórico de problemas que se tem nesses eventos. Tudo certo em se ter serviços públicos de qualidade nos eventos que nos garantam diversão, mas o que se critica é a mobilização uma verdadeira operação de guerra a cada jogo que acontece.

Partindo para o esporte em si, o UCF parece ser o mais violento, aquele que carrega consigo sangue, agressões, pancadas. E o futebol não é do mesmo jeito? Quantas e quantas vezes assistimos pancadarias em campo? E as entradas desleais, algumas chegando até mesmo a serem julgadas pelo STJD com punições aos atletas? Futebol é sim um esporte violento, mesmo em peladas os atletas saem contundidos, roxos. E isso é normal, assim como é normal no UFC o atleta sair de olho roxo, sangrando. Faz parte do esporte. E isso não quer dizer que as pessoas que assistem as lutas vão sair por aí quebrando o primeiro cidadão que aparecer na frente. Assim como quem assiste a uma partida de futebol não vai sair por aí dando carrinho por trás em todo mundo.

É preciso repensar o formato da exibição dos eventos, principalmente os esportivos. Não dá mais para ir aos estádios e passar por tudo isso. Não dá mais para ver milhares de servidores deslocados para atender a um bando de marmanjos que vão para lá somente para brigar, causar tumulto. Não dá mais para aceitar organizações mantidas com dinheiro sabe-se lá de onde, que se escondem atrás dos escudos dos clubes, mas que detém poder muito maior do que deveriam ter. Não dá mais para pagar para assistir futebol e ter de brinde seções de vale tudo (vejam, não é sinônimo do que se pratica no UFC) do lado de fora dos estádios. Chega! O árbitro já apitou o fim deste jogo e todos nós já fomos nocauteados faz tempo.

É isso. 

6 comentários:

Mulher na Polícia disse...

É o que vínhamos falando lá. O esporte traz muitos benefícios, e não é pela postura de uns e outros que será condenada a prática desportiva.

Realmente, tem gente que consegue transformar qualquer coisa em arma de destruição. Mas que é muita responsabilidade ser instrutor e determinadas lutas, isso é.

: )

Beijo!

Vitão disse...

Oi Novinha,

Pois é, do mesmo jeito que um professor de escolinha de futebol precisa mostrar aos alunos que futebol não é a única opção de vida, que caso não dê certo, há diversos caminhos para o menino seguir.

Beijos

Guilherme Freitas disse...

Pois é Victor, infelizmente violência e futebol caminham de mãos dadas. As brigas entre torcedores são comuns e hoje sair na rua com a camisa do seu clube de coração é muito perigoso, porque vagabundos podem te agredir apenas por torcerem por equipes diferentes. O UFC é um esporte violento, onde você precisa derrubar seu adversário usando de violência.

Já o futebol não é violento por natureza, tem a beleza, o drible e a categoria que muitos craques exibem. Embora alguns beques tentem quebra-los. O problema do futebol é a massa. A multidão é que estraga o futebol. Abraços

Vitão disse...

Oi Guilherme,

O grande problema é saber até quando este tipo de coisa será tolerada. Até quando um grupo de marmanjos vai ter poder pra entrar em estádios e quebrar tudo, comandar brigas do lado de fora. Será mesmo que os times precisam destes caras? O que, de bom, a torcida organizada faz pelo time? Tenho sérias dúvidas sobre a existência destes grupos.

Abraços

M.enal.i disse...

Gostei muito desse desfecho:
"Chega! O árbitro já apitou o fim deste jogo e todos nós já fomos nocauteados faz tempo".

O que ainda muito me impressiona são estas torcidas organizadas, aqui no Goiás então, é de dar medo. Elas são super organizadas mesmo, organizadas para desorganizar, acabar com a brincadeira inocente do esporte, para retirar as famílias dos estádios, para intimidar a polícia, os árbitros, os repórteres e até mesmo os jogadores. È a pura máfia do futebol!

Vitão disse...

Oi Menali,

Não tem como entender realmente o que se passa na cabeça desses caras. Qual o prazer em ir em bando pra um estádio, bater, apanhar e depois voltar para casa. Qual o exemplo que se passa para os filhos assim? Enfim, "evoluções" dos humanos que não se compreende. Pior de tudo que muitos destes bandos são financiados pelos clubes e até mesmo alguns jogadores.