Algumas considerações iniciais

Tentarei manter uma regularidade nas postagens, mas não combinarei prazos. Por ser uma das válvulas de escapes utilizadas por mim, deixarei que este blog seja alimentado de acordo com a inspiração, e não com o calendário.

Gosto dos comentários. Não são, para mim, apenas um sinal de popularidade, como a maioria dos blogs que vejo. Eles têm um significado maior, que é o de saber como as pessoas que aqui estão pensam sobre os assuntos que comento. Portanto, fique à vontade para escrever. Na medida do possível, responderei a cada um deles.

sábado, 26 de abril de 2008

Caso Isabella Nardoni - como não falar sobre?

Tudo bem que esta história já ocupa metade dos nossos telejornais. Mas resolvi escrever alguma coisa sobre, com a simples intenção de deixar como registro um dos casos mais estranhos, não pelo crime, mas muito mais pela exposição que ele teve na mídia.

Pois bem: é um caso muito cruel, sim, jamais negarei isso. Qualquer morte desta forma é cruel. Apenas acho que casos assim acontecem todos os dias, várias crianças são mortas de diversas formas e pouco se fala sobre. O caso Isabella reina na mídia há quase 1 mês, com diversos personagens que contribuem para que esta exposição se faça cada dia mais presente.

Na mesma semana que ela foi morta, um cara em BH deu um soco na boca de um bebê, matando-o desta forma. Quem ficou sabendo disso? Pouquíssimas pessoas. Era um caso para ser discutido também. Por que este caso da menina da janela caiu na mídia desta forma?

Teria sido a situação financeira das famílias envolvidas? Acredito que sim. Se o caso ocorresse na Cohab, em SP, não haveria tanta repercussão (ou nenhuma, melhor dizendo). Outra coisa que contribui, e muito, para isso, é a necessidade que a grande massa brasileira tem de acompanhar “novelas”, casos que tragam ao cotidiano a vida de outras pessoas, expõe os pontos fracos dos outros. Por que você acha que o Big Brother faz tanto sucesso assim? Pelo menos motivo, necessidade de esquecer da própria vida através do julgamento dos problemas alheios.

A mídia extrapolou seu papel de informar. Passou a acompanhar este caso de uma forma exaustiva e, desta forma, incitou a população ao pré-julgamento, condenando o pai e a madrasta da menina antes mesmo do início da produção de provas no inquérito policial. Hoje em dia a polícia paulistana é obrigada a mobilizar dezenas de policiais para apenas acompanhar os indiciados ao depoimento na delegacia. Uma tropa de elite lá, formada pelo melhores policiais, que recebem as melhores armas e treinamentos, é forçada a fazer escolta de 2 pessoas, de ter que ir à rua onde moravam para cadastrar moradores que poderão entrar no prédio no dia da reconstituição dos fatos. Isso não é brincadeira. E os outros crimes, que certamente estarão ocorrendo na cidade, quem irá combater?

Após a elucidação deste caso, é preciso que todos os atores envolvidos vejam em que medida sua participação influenciou no tamanho que este caso alcançou. Isso não pode se repetir, sob o risco de termos um colapso do sistema de punição.

É isso.

7 comentários:

Chico disse...

Oportunidade também para ressaltar como nossa policia é mal preparada. Demorar 4 dias para lacrar o apartamento onde ocorreu o crime. Como confiar na investigação de uma policia dessas?

Victor disse...

Pois é, caro Chico.

Além deste fato, que foi um descaso que provavelmente ocorre em todos os casos que necessitam perícias e que não geram repercussão, outros fatos também influenciaram para o desastre, além do crime em si, que foi este episódio. No primeiro dia do depoimento do pai e madrasta, uma delegada os chamou de assassinos na frente de uma câmera de TV... aí complica, a autoridade já acusa sem saber o mínimo do que aconteceu.

Lila disse...

Concordo com muito do que você disse...pelo tratamento que a imprensa deu a esse caso, até parece que ela foi a primeira criança do Brasil a morrer de forma violenta. E as crianças que morrem em filas de hospitais? E as que morrem de fome? E todas as demais que morrem em decorrência da violência de seus pais?
Não querendo ser insensível ao caso...mas ela não é a primeira e nem vai ser a última pequena vítima indefesa da violência...
E a mídia, como abutres, explorando o sofrimento e a tragédia para lucrar...
E o povo, como em uma arena romana antiga, a bradar e a delirar com toda a tragédia.
História muito triste...que infelizmente virou um grande teatro, a distrair o povo, enquanto em Brasília tudo segue como sempre...

Victor Oliveira disse...

Lila,

É exatamente isso. Não é questão de insensibilidade. Mas é que a exposição do caso desta forma mais atrapalha do que ajuda. Já passou dos limites e acho que, após a poeira baixar, é preciso que haja uma grande reflexão sobre tudo isso. É preciso que haja padrões de comportamento para determinados casos, principalmente por parte das autoridades públicas, que devem servir de exemplo para todos.

Ontem eu assistia a um debate sobre o caso. Um rapaz falou que entre aquelas pessoas (idiotas!) que ficam na frente do apartamento ou da delegacia, havia um camarada lá que tinha escrito uma música e queria se apresentar... é mole isso????

Ah! Obrigado por escrever no meu humilde blog....hehehe

pedro-metalg3 disse...

Concordo com o artigo do Vitão e com as opiniões aqui manifestadas, o casal está sendo julgado pela mídia e não por um júri popular.
Todos os dias crianças morrem na África de fome ou até mesmo nas guerras étnicas que lá existem e ninguém mais fala nada. O modo como a mídia trata este caso foge completamente à sua função que é a de informar e não de julgar.

Vitão disse...

Valeu, Pedro, pela mensagem.

É por aí mesmo. A mídia errou a mão feio neste caso. Se todos os casos tivessem esta mesma atenção, o país seria uma maravilha...

Grazi disse...

Passei por aqui!

Adorei seu Blog!

Abraços,

Grazi